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Então é 2026. E o que fizemos? Por Brasil de Fato

Não há disputa por um mundo novo sem a construção e a ampliação de outra narrativa

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Diretora-executiva do Brasil de Fato, Nina Fideles, e a diretora-geral da TV Brics, Janna Tolstikova, assinam acordo de cooperação, em Moscou, em 19 de setembro de 2025
Diretora-executiva do Brasil de Fato, Nina Fideles, e a diretora-geral da TV Brics, Janna Tolstikova, assinam acordo de cooperação, em Moscou, em 19 de setembro de 2025| Crédito: TV Brics

Original em: https://www.brasildefato.com.br/2025/12/31/entao-e-2026-e-o-que-fizemos/

Final de ano é tempo de balanços. É quase inevitável olhar para trás e, ao mesmo tempo, projetar os caminhos possíveis e desejáveis nos âmbitos pessoais, profissionais, coletivos e, sobretudo, políticos. Para nós do Brasil de Fato, esse exercício ganha um sentido ainda mais profundo, pois nossa trajetória está intrinsecamente ligada às conjunturas nacional e internacional, às disputas de narrativa e às lutas da classe trabalhadora.

Ao longo de 2025, buscamos não perder de vista nenhum fato essencial para compreender o mundo em transformação e os conflitos que o atravessam. Seguimos comprometidos com a construção de outro mundo possível, necessário e urgente, por meio de um jornalismo que assume posição, mas que não abdica, em momento algum, do rigor da apuração e da credibilidade construída ao longo de mais de duas décadas.

Em março, lançamos a Rádio Brasil de Fato, resultado da parceria com a Rádio Brasil Atual, com alcance na Grande São Paulo (SP) na sintonia 98.9 FM. Um passo importantíssimo para ampliar o alcance de nossos conteúdos e diversificar ainda mais as vozes ouvidas pelo nosso jornalismo. Ao longo do ano, registramos crescimento significativo nas redes e nas plataformas, sem recorrer ao sensacionalismo ou à lógica de caça-cliques.

Seguimos acompanhando as principais ações do governo federal, com atuação permanente de dois correspondentes em Brasília. Nossa cobertura extrapola o jogo institucional e as disputas no Congresso, que ganharam peso importante em 2025, e busca também relatar criticamente as insuficiências do governo, pressionando por posicionamentos mais firmes e ações efetivas do presidente Lula e de seus ministérios, sobretudo em temas caros aos brasileiros e brasileiras, como o debate sobre a jornada 6×1, a reforma agrária, os direitos dos povos indígenas e uma política externa soberana.

Brasil de Fato esteve presente nos eventos internacionais de grande relevância realizados no Brasil em 2025. Acompanhamos de perto os esforços diplomáticos e os avanços nas articulações do Brics, com destaque para a reunião da cúpula de chefes de Estado realizada em julho, no Rio de Janeiro (RJ), e para a Cúpula Social do Brics em novembro, ampliando a cobertura sobre a participação da sociedade civil e dos movimentos populares nesses espaços.

COP30 também ocupou lugar central em nossa agenda editorial. Com uma equipe de quatro repórteres, produzimos conteúdos em texto, vídeo e áudio, abordando os múltiplos temas que permeiam o evento, que extrapola a condição de uma conferência diplomática e se configura como um espaço de disputa entre projetos antagônicos de desenvolvimento.

Denunciamos os limites das promessas vazias e as contradições entre discurso e prática de governos e empresas, ao mesmo tempo em que reverberamos as posições historicamente silenciadas nesses espaços: dos povos indígenas, das comunidades tradicionais, dos movimentos socioambientais e de cientistas comprometidos com uma transição justa e popular.

2025 também foi um ano de reconhecimento coletivo. Recebemos com enorme alegria o Prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo, na categoria documentário, pelo trabalho Território em Fluxo. A produção, que também foi reconhecida pela 14ª edição do Prêmio Patrícia Acioli de Direitos Humanos, retrata a vida pulsante e profundamente humana da região conhecida como Cracolândia, em São Paulo (SP), rompendo com estigmas e abordagens criminalizantes. O prêmio é resultado do trabalho direto de mais de dez trabalhadoras e trabalhadores do Brasil de Fato, de toda a equipe, e do apoio fundamental do gabinete do deputado estadual Eduardo Suplicy.

No âmbito internacional, fortalecemos nossa presença e perspectiva sul-global, mantendo correspondências permanentes na China, Rússia, Cuba e Venezuela para garantir uma leitura direta dos acontecimentos, sem o filtro hegemônico das grandes agências ocidentais.

Na China, completamos três anos de correspondência, oficializando nossa presença em abril e consolidando o Brasil de Fato como uma das poucas fontes jornalísticas latino-americanas com atuação permanente no país asiático. Em setembro, realizamos uma série de encontros em Xangai e Pequim com mídias chinesas, aprofundando diálogos sobre cooperação editorial, circulação de conteúdos e desafios comuns da comunicação.

Assinamos, na sede do portal chinês Guancha.cn, em Xangai, o acordo “Cooperação Jornalística para uma Visão Popular” com o editor-chefe He Shenquan, estabelecendo colaboração editorial, e avançamos na parceria com a Wave Media e com a estatal Shanghai Media Group (SMG).

Na Rússia, onde somos o único veículo brasileiro a manter correspondência local, assinamos um acordo de colaboração editorial com a TV BRICS e fortalecemos os laços com a Sputnik, com quem firmamos acordo de cooperação em junho de 2025. Também avançaram os diálogos para futuras parcerias com a Russian Today.

Em dezembro, tive a honra de ser reconhecida no evento “Especialista do Ano”, organizado pelo conselho Expert – Centro de Análises, promovido pelo World Club of Petersburg, na categoria Mídia Internacional, por minha contribuição para o fortalecimento da cooperação entre as mídias russa e brasileira e para o avanço da agenda do Sul Global, reconhecimento que, sem qualquer dúvida, é resultado de um trabalho conjunto no Brasil de Fato.

2025 foi um ano crucial para Cuba, com o criminoso bloqueio imposto ao país, que insiste em sustentar o peso da mudança e da revolução por meio de seu povo, seu maior patrimônio. Nos colocamos à disposição para seguir pautando Cuba e fortalecer as mídias do país. Firmamos um acordo com o Cubadebate e avançamos no diálogo e nas parcerias com a Prensa Latina. Que juntos sigamos resistindo. Viva Cuba!

Reafirmamos que nosso papel central é seguir produzindo notícias, balizadas pelo rigor jornalístico e permeadas por um projeto político de país e de mundo alinhado aos interesses da classe trabalhadora. Buscamos também, a partir de nossa própria experiência, formular e provocar reflexões sobre a comunicação de esquerda no século 21. Não há disputa por um mundo novo sem a construção e a ampliação de outra narrativa.

Seguimos. Porque informar também é um ato político. E porque contar o mundo a partir de quem luta para transformá-lo segue sendo nossa razão de existir. E você pode apoiar nosso trabalho fazendo uma doação direta pelo pix: doe@brasildefato.com.br

*Nina Fideles é diretora-executiva do Brasil de Fato.

Editado por: Rafaella Coury

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