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TRUMP II X UM MUNDO “BASEADO EM REGRAS”- por Alvaro Pereira – Lisboa  – jan.21

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Não há como tergiversar: Se estivéssemos em Roma nos ‘idos de março’ – 15 de março de 44 a.C.- , quando Cesar tombou no Senado ao pé de uma placa comemorativa a Pompeu; se estivéssemos em Paris no  dia da coroação de Napoleão como Imperador da França –  2 de dezembro de 1804 -; se estivéssemos em Moscou, ao lado de John Reed, assistindo os “Dez dias que abalaram o mundo”, em outubro de 1917, quando Lênin conduziu os bolcheviques ao poder que sacudiria os tempos contemporâneos até nossos dias, falaríamos, inequivocamente em Cesar, Napoleão e Lênin, aliás, meus ídolos. Hoje é dia de falar em Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos que se dirigirá ao Encontro dos Poderosos em Davos, Suíça, para confirmar que ‘vivemos uma ruptura, não uma transição’: -“Ocuparei a Groenlândia!’

Trump cumpriu, ontem, o primeiro ano de seu segundo mandato. Mais seguro e determinado, com maior controle do Congresso e da Justiça, e um séquito de leais assessores,   ele realiza agora seu sonho desde menino: Ser um dos maiores Presidentes dos Estados Unidos, ao lado de Washington, Lincoln e Roosevelt. Ele não perderia tempo citando John Kennedy. Odeia elites intelectuais universitárias, políticos consagrados e progressistas defensores do politicamente correto. O que importa para ele é sua moral, seus valores pessoais, suas concepção de mundo, para a defesa das quais usa todo o peso da máquina estatal  – que diz detestar, mas desfruta -. Um suburbano que ganhou na Sena da Virada… Está determinado a fazer, a ferro e com o fogo de uma poderosa máquina militar, a América Grande de Novo – MAGA -. Ele é um narcisista obsessivo e pouco lhe importa a opinião dos outros, sejam eles americanos, que aliás em Pesquisas divulgadas nesta semana, em grande número lhe respaldam, de aliados históricos ou até de inimigos. Toma ao pé da letra, sem nunca ter lido, pois se gaba de não ter lido nenhum, mas escrito o mais importante do século – o seu – , os versos do grande poeta espanhol, A. Machado: “Caminante, no hay camino, se hace el camino al andar…” . Não tem estratégias mirabolantes, nem argumentos convincentes. Só vai em frente…Coroando seu longo discurso de ontem, na celebração de 365 grandes feitos em seus primeiros 365 dias na Casa Branca, com destaque para a expulsão de cerca de 600 mil irregulares, que classificou como escroques, assassinos e estupradores, além da promoção da paz em 8 guerras, Trump deixou seu registro no Encontro de Davos. Nenhuma novidade. Só perplexidades, principalmente de decadentes e medíocres líderes políticos eutupeus contemporâneos, começando pelo ridículo Macron, usando óculos dos anos 80,  que não tem 10¨% de popularidade em seu próprio país.

Não obstante, é importante ir além de Trump para compreendê-lo mais  além de sua estigmatização caricatural pela Mídia Corporativa: “Além da dor…”.  Trump não está só. Não é apenas ele. Muito menos seu ridículo perfil psicológico. Ele é sintoma. Sintoma não de uma transição histórica da bipolaridade rumo ao multilateralismo como pretende a vã diplomacia, mas uma ruptura, como bem assinalou o Primeiro Ministro do Canadá em seu pronunciamento, também em Davos.

O mundo não mudou, como nós socialistas idealistas queríamos, no rumo das “determinações históricas” do materialismo dialético ou do espiritualismo, para uma sociedade fraterna universal: O Terceiro Milênio… Já em 1900, o grande poeta Oscar Wilde dizia: “ Desculpem=me os socialistas mas o mundo caminha inexoravelmente para o individualismo…” E caminhou. O maio de 1968,  que prometia um salto revolucionário para o futuro idealizado com a geração baby boomers, converteu-se no paradigma das conservadoras gerações Millenials”, “X” e “Z”.  Dir-se-á que tudo decorre da “terceirização” das consciências pelo avanço das técnicas de manipulação dos algoritmos, agora no ritmo frenético da IA. Talvez. Mas é essa a dura realidade com a qual nos deparamos e que, no fundo, respalda a emergência de Trump e seus trompetes pelo mundo inteiro.

Costumo dizer que Trump é a reencarnação da Henrique VIII, até em sua repulsiva aparência. Mesma alma, Mesmos métodos.

 Soberano cruel da Inglaterra do Sec. XVI,Henrique VIII  costumava adular os críticos para depois os condenar à morte. Como diria Maquiavel em “O Príncipe”: Distribuía mais poder do que bondades. Foi o que fez com os líderes da PEREGRINAÇÃO DA GRAÇA, em 1536, quando se opuseram ao rompimento do Rei com o Papa, criando a Igreja Anglicana. Foi, aliás, uma das maiores revoltas do período TUDOR. Para surpresa deles, num dado momento Henrique VIII os chamou ao Castelos, homenageando-os, o que lhe valeu altos elogios dos revoltosos. Por pouco tempo. Em seguida mandou matá-los.

Não obstante, Henrique VIII é considerado um grande soberano, que teria preparado o terreno para a emergência ao trono de sua filha QUEEN ELIZABETH, quando a Inglaterra chegou ao seu auge, criando um Império onde o sol nunca se punha. Até a II Guerra. Curiosamente, Cesar e Napoleão também escandalizaram seus contemporâneos com suas extravagâncias. Dizia-se deste tosco corso que lhe ficaria melhor a coroa da Rússia…

Trump, enfim, pode ser uma a reencarnação mítica  de HENRIQUE VIII, tão narcisista quanto ele. Tão cruel quanto ele. Mas quer, assim, do seu jeito, passar à História como um grande soberano. Pode ser que ele seja apenas aquele que, incapaz de abraçar o mundo com a hegemonia americana, está preferindo uma convivência com a realidade para os próximos decênios. É um erro tratá-lo apenas pela sua superfície psicológica.

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