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Brasil deve ajudar os EUA a salvar Israel e a Groelândia? Por Pedro Augusto Pinho

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, membro do Conselho Editorial do Pátria Latina.

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Pedro Pinho
Pedro Pinho
Administrador aposentado.

Talvez, das pouquíssimas unanimidades entre os países do mundo atual, a condenação ao genocídio que Israel pratica, desde outubro de 2023, contra os palestinos, seja uma delas, ou está muito perto disso. Excetuando os Estados Unidos da América (EUA), que convida agora o Brasil para compor o Conselho de Paz para Gaza (CPG).

Antes de analisarmos este “convite”, caberia responder com a proposta de um Conselho de Paz para a Groenlândia?

Apenas a Hungria de Viktor Orbán, aliado próximo de Trump, sinalizou claramente ter aceitado o convite enviado a cerca de 60 países ao longo do fim de semana. A maioria parecia relutar em fazer declarações públicas a respeito, informou, em 17/1/2026, a agência Reuters.

Até o momento, Washington procurou líderes como o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan; o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sissi; o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney; o presidente do Paraguai, Santiago Peña; e o presidente da Argentina, Javier Milei. Trump convidou também Tony Blair e chefes de governo de países como Canadá e Brasil para “supervisionar a transição de poder” no território palestino. E no território israelita, manter-se-ia o governo genocida?

Curioso este presidente Donald Trump; num dia pretende que o Canadá seja o 51º Estado dos EUA, em seguida convida Mark Carney para compor um grupo internacional de chefes de governo!? O que pretenderia Trump, afinal?

Trump não vem de tradição política, mas empresarial. Ele pouco se importa com a coerência, a justiça, ou qualquer outro valor que não seja o lucro. Entendendo assim seu desempenho ficará mais compreensível. O que ele quer para Gaza já foi apresentado em passado recente: uma Riviera no Oriente Médio, com cassinos, hotéis de luxo, residências bilionárias, bancos, lojas de grife, tudo que encanta os americanos de todas as latitudes e concorra com a europeia.

Talvez tenha sido esta a compreensão do presidente francês, Emmanuel Macron, ao defender a autonomia da Groenlândia no Foro Econômico de Davos, que Trump reagiu ameaçando, “nesta segunda-feira, 19 de janeiro, impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses em retaliação à decisão de Macron, por não participar do Conselho de Paz para Gaza” (Revista Veja, Paula Freitas, 20/1/2026).

Analistas políticos e econômicos têm antecipado o fracasso desta 56ª edição do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), entre 19 a 23 de janeiro de 2026. E por quê? Porque o mundo se prepara para guerra, incentivado pelas ações aparentemente desconexas do presidente de um país que ainda possui, senão a maior, das maiores forças militares do planeta e uma economia que, apesar de estar em queda, ainda se posiciona como das mais importantes no comércio internacional.

Mas não nos deixemos iludir. O Trump, que apoia Putin na Ucrânia, enfrenta os Europeus na Groenlândia e teme o crescente poderio chinês, não retirou uma só das quase 800 bases militares estadunidenses espalhadas pelo mundo. Recordando os países onde estão algumas das principais: Japão, Coreia do Sul, Austrália, Alemanha, Itália, Qatar, Bahrein (sede da 5ª Frota), Kuwait, Arábia Saudita, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Honduras, El Salvador, Paraguai, além da Base Naval de Guantánamo, em Cuba.

E as guerras são fontes de enriquecimento para o país fornecedor de armas do mundo: os EUA.

Por conseguinte, o “convite” para o presidente Lula compor o Conselho de Paz para Gaza carrega uma armadilha e uma despesa, além da cota de um bilhão de dólares estadunidenses destinados a fortalecer a moeda dos EUA frente ao yuan chinês.

Um analista de noticiários televisivos lembrou que o Brasil não desenvolveu armas atômicas, mas frente aos comportamentos, que ele qualificou de erráticos, de Donald Trump, melhor seria seguir o exemplo de Kim Jong-um, neto de Kim Il Sung, o libertador da península coreana dos japoneses. Devemos recordar que a Guerra da Coreia encontra-se desde 27 de julho de 1953 sob o armistício celebrado entre Kim Il Sung e os EUA, pois Dwight Eisenhower se recusou a assinar a paz.

Certamente muitos militares, que desenvolveram o submarino nuclear, que participaram da extinta Nuclebrás, ainda permanecem nacionalistas, após o quadriênio entreguista de Jair Bolsonaro, concordam com o Brasil soberanamente armado com os mais contemporâneos recursos, onde estão armas nucleares, drones (veículos aéreos não tripulados) e satélites para todas alturas e serviços. Mas teria Lula coragem de enfrentar uma oposição estadunidense, cada vez mais disposto a ter na América Latina o quintal dos EUA?

Os EUA estão desmontando a construção institucional do pós-guerra: ONU, FMI, OMS, OMC, WB, UNESCO etc. Talvez tivessem ficado por demais democráticas para os novos donos do mundo, ou seja, dos plutocratas apátridas, que estiveram na posse de Trump.

Não devemos nos esquecer que este é um ano eleitoral no Brasil e que o crime organizado está se preparando para ocupar cadeiras no Congresso Nacional. Os EUA, mais perto, mas todas demais potências estão fazendo suas apostas e investimentos nesta eleição de outubro. A menor preocupação é justamente naquela que a mídia nacional mais se concentrará: na presidência da República.

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