Quando a pergunta surge nas redes — “afinal, o que Roberto Requião fez pelo litoral do Paraná?” — a resposta não cabe em slogan nem em meme. Ela mora nos fatos, nas obras que ainda estão de pé e, principalmente, nos serviços públicos que mudaram a vida de quem vive longe do eixo Curitiba–Londrina–Maringá.
Durante seus mandatos como governador (2003–2010), Requião tratou o litoral não como vitrine turística sazonal, mas como território habitado, com gente que adoece, trabalha, estuda e precisa do Estado o ano inteiro.
A obra mais simbólica dessa visão foi o Hospital Regional do Litoral, em Paranaguá. Antes dele, moradores de Matinhos, Guaratuba, Pontal do Paraná e das ilhas precisavam percorrer mais de 90 km até Curitiba para atendimentos de média e alta complexidade. O hospital, inaugurado em 2008, passou a atender toda a região litorânea, tornando-se referência em urgência e emergência pelo SUS. É um marco estrutural — e não uma obra cosmética.
Na área de saneamento básico, os governos Requião, por meio da Sanepar, ampliaram sistemas de captação, tratamento e distribuição de água no litoral, especialmente em cidades que sofrem com superlotação no verão. Foram obras menos visíveis, mas decisivas para garantir água potável, saúde pública e dignidade, além de reduzir colapsos históricos no abastecimento durante a alta temporada – infraestrutura que não acompanhou a população flutuante deverianistas crescente e parece estar sendo sucateada para depois ser transformada em Corporation?
No campo da infraestrutura viária, houve manutenção, recuperação e pavimentação de trechos estratégicos, como a PR-412, eixo fundamental que liga os municípios litorâneos. Não foram duplicações espetaculares, mas intervenções essenciais para segurança, mobilidade e escoamento da produção local.
Requião também deixou sua marca na defesa do Porto de Paranaguá como patrimônio público. Durante seus governos, o porto permaneceu sob controle estatal, com investimentos em infraestrutura interna, organização logística e enfrentamento direto a interesses privados que pressionavam pela privatização. Essa decisão garantiu soberania, receitas ao Estado e proteção a trabalhadores portuários.
Além disso, houve investimentos em equipamentos urbanos e comunitários em Paranaguá, como reformas, centros de diagnóstico e espaços públicos, fortalecendo serviços locais, o turismo e a presença do Estado na cidade-mãe do litoral.
É importante dizer com clareza: obras como a Ponte de Guaratuba ou a nova orla de Matinhos não pertencem aos governos Requião. Elas são de gestões posteriores. Mas também é fato que muitas das bases estruturais do litoral — saúde regionalizada, saneamento ampliado, porto público e rodovias funcionais — foram consolidadas nesse período.
No fim das contas, a resposta à pergunta é simples e incômoda para quem prefere o esquecimento ou o ataque seletivo: Requião não governou o Paraná para fazer foto de verão usando chinelo de dedo. Governou para quem mora lá o ano inteiro. E isso, goste-se ou não dele, está documentado, funcionando e pode ser checado.
Ronald Stresser

