O impacto do movimento transcende os campos do cultivo e se estende à transformação social por meio da educação e do cuidado com o meio ambiente. Foto: @MST_Oficial
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O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Brasil celebrou seu 42º aniversário na última quinta-feira, 22 de janeiro, consolidando-se como uma das organizações populares mais influentes do país. Desde sua fundação oficial em 1984 em Cascavel, um município brasileiro localizado na região oeste do estado do Paraná, o movimento transformou a luta pelo acesso à terra em um projeto abrangente de desenvolvimento sustentável.
Nesse sentido, promove uma alternativa econômica baseada na agroecologia, justiça social e soberania alimentar, produzindo alimentos saudáveis e livres de agrotoxinas. Ao longo dessas quatro décadas, o MST construiu um legado que combina resistência política com um sistema de cooperação produtiva.
O movimento se posicionou como o maior produtor de arroz orgânico de toda a América Latina, conquista alcançada graças ao trabalho de mais de mil famílias na região de Porto Alegre. Essa capacidade produtiva é sustentada por uma rede de 185 cooperativas, 120 agroindústrias e quase duas mil associações que gerenciam as cadeias de suprimentos de café, leite e hortaliças, demonstrando que a agricultura familiar é uma alternativa viável e eficiente ao modelo convencional de agronegócios.
O impacto do movimento transcende os campos do cultivo e se estende à transformação social por meio da educação e do cuidado com o meio ambiente. Com 2.000 escolas públicas construídas em seus assentamentos, o MST garante educação para cerca de 200.000 pessoas e já ensinou mais de 100.000 brasileiros a ler e escrever.
Da mesma forma, seu compromisso ecológico se concretiza no plano de plantar 100 milhões de árvores em todo o país, das quais 25 milhões já foram contabilizadas. Essa visão educacional e ambiental é, para líderes como Vânia Ferreira, uma verdadeira “escola de vida” que forma cidadãos comprometidos com a dignidade humana.
A estrutura organizacional do MST se destaca por seu caráter democrático e paridade de gênero, garantindo que homens e mulheres participem igualmente da tomada de decisões em todos os níveis. Essa coesão interna permitiu ao movimento implementar uma enorme rede de solidariedade durante a crise de saúde da Covid-19, doando nove mil toneladas de alimentos para famílias vulneráveis em áreas urbanas.
Hoje, com 450.000 famílias estabelecidas e outras 100.000 em campos espalhados por 24 estados, o movimento continua a usar a ocupação de terras improdutivas como uma ferramenta legítima para cumprir a função social da propriedade estabelecida na Constituição brasileira.
A celebração deste aniversário culmina nesta sexta-feira, 23 de janeiro, em Salvador, Bahia, com o encerramento da XIV Reunião Nacional. Durante o evento, será realizado um evento político com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, junto com ministros e governadores, para discutir os desafios da reforma agrária no contexto das atuais crises climática e alimentar.
Esta reunião reafirma que a luta do MST, longe de ser um evento isolado, é uma posição permanente em defesa da vida e um modelo de desenvolvimento que prioriza o bem-estar coletivo em detrimento do lucro das grandes empresas de tecnologia.
Autor: teleSUR: ig – RR
Fonte: @MST_Oficial – @AndreteleSUR – Brasil de Fato.

