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Amazônia brasileira: história, grandeza e miséria colonizadora. Por Pedro Augusto Pinho

Saiba mais sobre a Amazônia e sua relevância no Brasil, com um olhar sobre seus recursos e características naturais

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Sobrevoo na região sudoeste do Pará (Foto: Amazônia Real)
Sobrevoo na região sudoeste do Pará (Foto: Amazônia Real)

Original em: https://monitormercantil.com.br/amazonia-brasileira-historia-grandeza-e-miseria-colonizadora/

Esta é uma história de aventuras onde o herói, no fim, morre na cama de velhice. E quanto ao estilo o leitor há de dizer que finalmente o Amazonas chegou em 1922. Não importa, não se faz mais histórias de aventuras como antigamente. Em 1922 do gregoriano calendário, o Amazonas ainda sublimava o latifoliado parnasianismo que deu dores de cabeça a uma palmeira de Euclides da Cunha. Agora estamos fartos de aventuras exóticas e mesmo de adjetivos clássicos e é possível dizer que foi o último aventureiro exótico da planície. Um aventureiro que assistiu às notas de milréis acenderem os charutos e confirmou de cabeça o que a lenda requentou. Depois dele, o turismo multinacional

Márcio Souza, Floresta Latifoliada em “Galvez, Imperador do Acre”, 1976

O Brasil ocupa 8.515.767 km², que o faz ser o quinto maior país do mundo. Nesta imensidão se distinguem seis biomas, estes entendidos como a comunidade vegetal e animal, em escala regional, compartilhando características climáticas, geológicas e ecológicas, tais como a atmosfera, o meio ambiente, o solo, a hidrografia e o relevo, em comum.

São nossos biomas, do maior para o menor: Amazônia (4.196.943 km², 49%), Cerrado (2.036.448 km², 23%), Mata Atlântica (1.300.000 km², 15%), Caatinga (844.453 km², 10%), Pampas (176.496 km², 2%) e Pantanal (138.183 km², 1%).

Existe também o “bioma marinho” brasileiro, do rio Oiapoque (Amapá) ao arroio Chuí (Rio Grande do Sul), com 8.500 km, e grande diversificação de ambientes: manguezais, dunas, recifes de corais, praias, estuários etc, e que se alonga pela Plataforma Continental até 200 milhas náuticas.  Em março de 2025, a Comissão de Limites da Plataforma Continental da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou a ampliação de 360 mil km² na área da Margem Equatorial, expandindo o limite exterior para além das 200 milhas em trechos específicos.

Todos municípios de Roraima, Amapá, Amazonas, Pará, Tocantins, Acre e Rondônia, além de 181 dos 217 maranhenses e 141 do Estado de Mato Grosso fazem parte da Amazônia Brasileira. Assim, com 4.962.149 km², 58% do território brasileiro, a Amazônia se posicionaria como o 7º mais extenso país do mundo, superando a Índia e a Argentina.

Quanto à ocupação, é a Mata Atlântica, onde habitam cerca de 70% da população brasileira, o bioma mais alterado e populoso do Brasil. Apenas 27% de sua cobertura florestal original ainda estão preservadas. Na Amazônia Brasileira habitam 30.078.498 pessoas, que a colocam no 43º lugar no mundo, acima do Nepal e da Venezuela. A população indígena, em 2025, era estimada em 867.900 habitantes.


O mundo amazônico

A volubilidade do rio contagia o homem. No Amazonas, em geral, sucede isto: o observador errante, que lhe percorre a bacia em busca de variados aspectos, sente, ao cabo de centenas de milhas, a impressão de circular num itinerário fechado, onde se lhe deparam as mesmas praias ou barreiras ou ilhas, e as mesmas florestas e igapós estirando-se a perder de vista pelos horizontes vazios; o observador imóvel que lhe estacione às margens sobressalteia-se, intermitentemente, diante de transfigurações inopinadas. Os cenários, invariáveis no espaço, transmudam-se no tempo. Diante do homem errante, a natureza é estável; e aos olhos do homem sedentário que planeie submetê-la à estabilidade das culturas, aparece espantosamente revolta e volúvel, surpreendendo-o, assaltando-o por vezes, quase sempre o afugentando e espavorindo-o. A adaptação exercita-se pelo nomadismo. Daí, em grande parte, a paralisia completa das que ali vagam, há três séculos, numa agitação tumultuária e estéril

Euclides da Cunha, “Amazônia: terra sem história”, em “Um Paraíso Perdido”, reportagens, 1904

A Amazônia possui a maior floresta tropical do mundo, equivalente a um terço das florestas tropicais úmidas, que, por seu turno, abrigam a maior quantidade de espécies da flora e da fauna. Contém 20% da disponibilidade mundial de água e grandes reservas minerais. Neste Bioma se encontram 163 espécies de anfíbios, 311 de mamíferos, 550 de répteis, mil de aves e três mil de peixes, além de 13.229 representantes da flora brasileira.

É o lar de mais de 300 povos indígenas, que falam outros tantos idiomas. Os estados do Amazonas e da Bahia são os que concentram maiores populações indígenas, sendo as cinco principais etnias:

  • Tikuna, em Roraima, Amazonas e Pará, também encontrados na Colômbia e no Peru;
  • Kokame, ao longo dos rios Solimões e Japurá, no estado do Pará e no Peru;
  • Makuxi, em Roraima, parte do Pará e na Guiana;
  • Guarani Kaiowa, em Mato Grosso do Sul e no sul do Brasil; e
  • Guajajara, no Maranhão.

O antropólogo, pensador, educador, dos poucos verdadeiramente geniais brasileiros interessados em nosso povo e civilização, lamentava que houvesse tão poucos interessados em nosso passado, na formação e sentido de “O Povo Brasileiro”. Em 1970, publicou “Os Índios e a Civilização – A Integração das Populações Indígenas no Brasil Moderno”. Em 2013, a Fundação Darcy Ribeiro reuniu dois estudos do mestre sob o título “Configurações Histórico-Culturais dos Povos Americanos”. No entanto, também podemos contar com as pesquisas e análises de sua esposa Berta Ribeiro, em “Arte Indígena Linguagem Visual” (1989) e na compilação realizada pela Fundação Darcy Ribeiro, da qual resultou “O Índio na História do Brasil” (2005).

As Américas foram habitadas por levas de asiáticos, aproveitando a ponte de gelo formada na última glaciação, onde hoje se encontra o Estreito de Bering, saídos da foz do rio Amarelo, e/ou de mais ao norte, onde hoje está a Mongólia. Estes dados ainda carecem de maior comprovação, mas não há dúvida que chegaram ao Novo Continente há, pelo menos, 15 mil anos atrás.

Se hoje ainda são inóspitas as terras do Alasca e do oeste canadense, imagine quando estavam nos primórdios da Era Interglacial que sucedeu à Glaciação Würn. Estes seres encontraram no Planalto Central Mexicano um lugar para se fixarem; os Astecas na região central do México, especificamente no Vale do México, onde construíram sua capital, Tenochtitlán, no meio do Lago Texcoco, e os Maias, na Península de Iucatã, e partes das atuais Guatemala, Belize e porções de Honduras e El Salvador.

Mas estes desbravadores prosseguiram na caminhada, vindo formar o imenso Império Inca, onde hoje se encontram o Peru, erigindo sua capital Cusco, o sul da Colômbia, a Bolívia, Equador, norte do Chile e nordeste da Argentina, algo em torno de um milhão e 800 mil quilômetros quadrados.

Duas regiões brasileiras fazem-nos concluir que nossos primitivos habitantes aqui chegaram ou pela vasta malha fluvial amazônica – os sítios arqueológicos no Piauí (Parque Nacional da Serra da Capivara e Parque Nacional de Sete Cidades) e na Paraíba (Pedra do Ingá) – ou buscando temperaturas mais amenas dos altiplanos bolivianos para os planaltos e vastas planícies brasileiras da região centro-oeste, nos sítios mineiros (Região de Lagoa Santa e Parque Nacional Cavernas do Peruaçu).


Colonização permanente e a COP30

Em agosto, como se houvesse um entendimento, estourou a reação dentro do Alto Amazonas. Vilas e termos pegaram em armas, atacando os cabanos, onde estivessem. A insurreição partiu de Tefé onde, a 3, o comandante dos guardas nacionais, de nome José Patrício, restabeleceu a legalidade. Mariuá levantou-se chamando às armas o município a 29: o capitão Miguel Nunes Benfica e o tenente Antônio de Barros Leal organizaram rapidamente um grande contingente. A câmara, por seu turno, expulsou o respectivo presidente, que tinha aderido aos rebeldes. Seguiu-se Manaus, na madrugada de 31. Gregório Naziazeno da Costa, juiz municipal interino, dirigiu a ação à frente de um grupo de patriotas e dos guardas nacionais. Nascido no Solimões, agricultor, tinha sítio em Caiçará e residência em Tefé. Chegara a Manaus logo depois da morte trágica de Bernardo de Sena, trazido pelo pensamento de cooperar no restabelecimento da ordem

Arthur César Ferreira Reis, “História do Amazonas”, 1931. O autor governou o Estado do Amazonas de 29 de junho de 1964 a 31 de janeiro de 1967, nomeado pelo Marechal Humberto Castelo Branco, líder do Golpe de 31 de março de 1964

“A Cabanagem (1835-1840) foi uma violenta revolta popular no Grão-Pará (Amazônia) durante o Período Regencial brasileiro, motivada por miséria, fome, doenças e oposição à elite local e ao governo central, envolvendo indígenas, negros e brancos pobres que moravam em cabanas, daí o nome, lutando por melhores condições e autonomia, mas foi brutalmente reprimida, resultando em milhares de mortes” (do Google).

O que é a Amazônia de hoje, século 21, era da informática, da comunicação virtual, da Inteligência Artificial e da energia atômica? Um mundo governado pelas Organizações Não Governamentais (ONGs), quase sempre orientadas e financiadas pelo exterior, sob domínio dos George Soros, ou seja, das finanças internacionais, apátridas.

Lorenzo Carrasco escreveu para Gazeta do Povo “COP 30, um vexame de R$ 5 bilhões”: “Mesmo para o mais fervoroso apoiador da agenda do catastrofismo climático, salta aos olhos que, para o governo brasileiro, o rescaldo da conferência climática COP30 pode ser descrito sem má-vontade como um vexame amazônico”. E prossegue Carrasco: “O maior golpe para os organizadores foi terem sido forçados a contrariar a sua própria proposta de estabelecer um “mapa do caminho” para eliminação dos combustíveis fósseis, feita pela Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pressionada pelas grandes potências petroleiras e pelos grandes consumidores de hidrocarbonetos – Rússia, Arábia Saudita, China, Índia e outros –, a presidência da COP retirou da declaração final qualquer menção ao tema, provocando ferozes reações dos descarbonizadores”.

Para quem vive reclamando e com razão das elevadas taxas de juros e não adota qualquer medida, decisão objetiva, o custo da COP para o Brasil é verdadeiro investimento a fundo perdido, num País de tantas necessidades, como do saneamento básico.


Finalmente

Da mesma maneira que Doutor Watson inicia seu registro da morte de Sherlock Holmes, eu também chego a esta conclusão com os olhos cobertos pelas lágrimas. Como gerações após gerações, governos após governos, deixaram mais da metade do Brasil entregue aos invasores, exploradores, àqueles sem qualquer compromisso com a terra e a seus habitantes! E, assim, permanece neste século 21, com o vexame da COP30.

E não se diga que desconhecem a realidade da energia, das falácias ambientalistas e das “transições energéticas”, e de todos outros interesses da economia financeira apátrida que lhes dão sustentação. É nos fazer, a todos nós, de imbecis, de crianças de quatro ou menos idade, que se contentam com um pedaço de doce.

É o Brasil destes anos após 1980, um Brasil de crianças ingênuas, desinformadas, que vivem das esmolas das bolsas família e outros trocados, sem um só ato em defesa do Brasil, de suas riquezas e do seu povo acolhedor, amável, miscigenado, porém inculto, sem a instrução que o leve a lutar pelo país.

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