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Álvaro Alberto, José Alberto do Amarante, Othon Pinheiro da Silva e Rex Nazareth: O Brasil Que Ousou Sonhar Grande Continua Sendo Possível. Por Ricardo Guerra

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O Brasil só ousou sonhar grande em áreas estratégicas quando teve homens públicos capazes de pensar o país para além do imediato, dos interesses externos e das modas ideológicas.

O programa nuclear brasileiro — civil, autônomo e soberano — é fruto direto dessa coragem histórica:

  • Por trás dele estão verdadeiros “pais” fundadores, que merecem reconhecimento permanente;
  • Almirante Álvaro Alberto da Mota e Silva, Coronel Aviador José Alberto do Amarante e Silva, Vice-Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva e o físico Rex Nazareth. 

O Almirante Álvaro Alberto, pioneiro absoluto, foi o primeiro a compreender que o domínio do ciclo do combustível nuclear não era luxo tecnológico, mas condição de soberania nacional:

  • Ainda nos anos 1940 e 1950, enfrentou pressões externas, especialmente das grandes potências, para manter o Brasil como mero exportador de matérias-primas estratégicas, como o tório e o urânio;
  • Sua atuação na criação do CNPq e sua defesa intransigente do controle nacional sobre recursos estratégicos lançaram as bases científicas e políticas do programa nuclear brasileiro.

O Coronel Aviador José Alberto do Amarante e Silva, por sua vez, foi o elo decisivo entre visão estratégica e execução:

  • Com discrição, competência técnica e profundo compromisso nacional, foi um dos artífices do Programa Nuclear Paralelo, que garantiu ao Brasil avançar no domínio da tecnologia de enriquecimento de urânio fora de amarras impostas por acordos internacionais assimétricos.;
  • Seu trabalho silencioso foi fundamental para que o país preservasse sua autonomia tecnológica num ambiente internacional hostil à independência dos países periféricos.

No coração científico desse esforço esteve o físico Rex Nazareth, figura central e muitas vezes invisibilizada na história oficial:

  • Pesquisador de altíssimo nível, Rex Nazareth foi peça-chave na consolidação da base teórica, experimental e tecnológica que sustentou o avanço brasileiro no domínio do ciclo do combustível nuclear;
  • Sua atuação demonstrou que soberania não se constrói apenas com decisões políticas ou estratégicas, mas também com ciência de ponta, formação de quadros nacionais e produção de conhecimento próprio.

Em um país acostumado a importar tecnologia como solução fácil, Rex Nazareth representou a aposta no caminho mais difícil — e mais transformador: o da ciência nacional como instrumento de emancipação.

Décadas depois, o Vice-Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva levou esse projeto ao mais alto grau de maturidade:

  • Sob sua liderança, o Brasil dominou a tecnologia de ultracentrifugação, colocando o país entre um seleto grupo de nações capazes de enriquecer urânio com tecnologia própria;
  • Mais do que isso, Othon sempre defendeu o caráter estritamente pacífico e civil do programa nuclear brasileiro, associando-o ao desenvolvimento científico, à geração de energia limpa e à construção de um submarino de propulsão nuclear como instrumento de dissuasão defensiva, não de agressão.

Esses homens têm algo em comum: nunca confundiram soberania com isolamento, nem desenvolvimento com submissão:

  • Sabiam que a autonomia tecnológica é condição para a independência política, econômica e diplomática;
  • E, em um país frequentemente pressionado a abrir mão de seus projetos estratégicos em nome de interesses alheios, eles escolheram o caminho da afirmação nacional.

Honrar Álvaro Alberto, Amarante, Othon e Rex Nazareth não é apenas reverenciar o passado, mas afirmar uma escolha política no presente:

  • Eles demonstraram que a soberania não nasce de discursos vazios, nem da submissão a interesses externos;
  • Mas da capacidade de um país dominar tecnologias estratégicas, planejar seu futuro e defender seu direito de decidir e de existir como Nação.

A história do programa nuclear brasileiro é, acima de tudo, a história de homens que acreditaram no Brasil quando acreditar exigia coragem. E essa é uma herança que não pode ser esquecida — nem abandonada.

O Brasil que ousou pensar grande ainda continua sendo possível, mas é preciso ter a coragem de escolher esse caminho.

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