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O presidente Lula começa o ano com sorte, embora o BC neoliberal mantenha em 15% a Selic na primeira Copom de 2026.
A desdolarização americana – fuga de dólar dos EUA – está bombeando a bolsa no Brasil e nos países latino-americanos.
A entrada mais forte de dólar fortalece o real e joga os preços dos importados industrializados para baixo.
As exportações ficarão mais caras, relativamente, sobrando mais mercadorias para abastecer mercado interno, ajudando empurrar preços para baixo, com oferta maior que a demanda.
A inflação, mantida esse ritmo, continuará caindo e os índices de aprovação do governo continuarão subindo, deixando a oposição de cabeça quente, porque tal movimento favorece reeleição lulista.
O fortalecimento do consumo interno tende, portanto, a aumentar, aquecendo a economia, favorecendo a política social.
Os salários, com aumento da demanda, ganham maior poder de compra, levando os assalariados a se abastecer mais nos supermercados.
A desdolarização, nesse sentido, reforça essa tendência.
Ao entrar mais dólares, o real, mais valorizado, induz as empresas a migrar do dólar para as ações.
A economia real ganha tração diante da especulação fictícia.
Mas, para que isso aconteça de verdade, o Banco Central precisa iniciar queda da taxa de juros – o que está prometido para a próxima reunião do Copom, se não houver estremecimento da economia mundial –, para fortalecer os investimentos e, principalmente, diminuir o custo da dívida pública.
Se o governo não reduz desembolso com juros, que, em 2025, alcançou cerca de R$ 1 trilhão, os investimentos na produção e no consumo não se realizam.
Afinal, continuará optando pela mamata do rentista: continuar ganhando na especulação do que arriscar nas atividades produtivas.
JUROS PRECISAM BAIXAR
O fator negativo da desdolarização/desvalorização do dólar x valorização do real, como movimento dialético da crise capitalista americana, que eleva risco de aplicação financeira nos Estados Unidos, é aprofundamento da desindustrialização no Brasil.
O dólar mais fraco atende o interesse do governo Trump de aumentar exportação dos produtos industrializados americanos, a fim de concorrer com os produtos chineses.
A China, que trabalha com moeda desvalorizada – o yuan –, graças a sua política monetária expansionista comandada por bancos públicos, ganhou o mercado mundial por dispor de maior produtividade e competitividade.
O JOGO DO IMPÉRIO
Trump assumiu o poder, em janeiro de 2025, com o propósito de desvalorizar o dólar, antes sobrevalorizado, desde o pós-segunda guerra mundial, cujas consequências eram bombear déficits comerciais.
Tal política promoveu exportação de empresas americanas mundo afora, especialmente, para a China, acelerando desindustrialização nos Estados Unidos.
Por isso, Trump partiu para o tarifaço.
Tarifas alfandegárias elevadas para entrar nos Estados Unidos criaram, no entanto, pressão inflacionária, elevando consumo interno e inflação.
Eis porque a briga interna na economia, sustentada pelo governo, é para reduzir os juros, embora esse objetivo contrarie o mercado financeiro, que reclama juro alto.
Trump força o juro para baixo, brigando com o Banco Central, e tal movimento aumenta o risco dos rentistas, que estão fugindo dos Estados Unidos, receosos de estouro monetário.
É esse processo de desdolarização que desvaloriza o dólar, valoriza o real e as demais moedas, diminui a inflação na periferia capitalista e favorece, no Brasil, a reeleição de Lula.
A direita e ultradireita fascista neoliberais estão desesperadas para jogar no colo do presidente o escândalo do Banco Master, quando, na prática, a culpa é dela, maior beneficiada pela financeirização especulativa, que não deixa o Brasil crescer, sustentavelmente.

