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Pequim diz que EUA não devem ‘se intrometer’ em relações da China com países da América Central. Por Bruno Falci

Washington enviou uma delegação à região para observar e conter o avanço chinês

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China investe cerca de US$ 5 bilhões na América Central, fortalecendo portos, energia e infraestrutura urbana, segundo relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)
China investe cerca de US$ 5 bilhões na América Central, fortalecendo portos, energia e infraestrutura urbana, segundo relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) 5ÔÂ13ÈÕÉÏÎ磬¹ú¼ÒÖ÷ϯϰ½üƽÔÚ±±¾©¹ú¼Ò»áÒéÖÐÐijöϯÖйú£­À­ÃÀºÍ¼ÓÀձȹú¼Ò¹²Í¬ÌåÂÛ̳µÚËĽ첿³¤¼¶»áÒ鿪Ļʽ²¢·¢±íÖ÷Ö¼½²»°¡£ лªÉç¼ÇÕß Ò󲩹ŠÉã | Crédito: Xinhua

Original em: https://www.brasildefato.com.br/2026/01/26/pequim-diz-que-eua-nao-devem-se-intrometer-em-relacoes-da-china-com-paises-da-america-central/

O governo da China respondeu com firmeza às alegações de políticos dos Estados Unidos de que Pequim estaria “intimidando, pressionando e interferindo” nos países da América Central. Em coletiva realizada nesta segunda-feira (26) o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, deixou claro que Washington não deve se intrometer nas relações diplomáticas e econômicas legítimas que a China mantém com a região, baseadas, segundo ele, em respeito à soberania, cooperação mútua e benefício compartilhado.

“A China se opõe firmemente a que certos políticos dos Estados Unidos se intrometam nas relações normais entre a China e os países da América Central. Tais declarações são mentiras e falácias completas, refletindo apenas preconceitos ideológicos e mentalidade de Guerra Fria”, afirmou Guo.

Segundo o porta-voz, a cooperação da China tem impacto concreto na vida das populações locais. “Trabalhamos de forma aberta e inclusiva, desenvolvendo parcerias em infraestrutura, educação, energia e projetos industriais, que geram resultados práticos para o povo, sem interferir nos assuntos internos dos países parceiros”, disse.

“Esperamos que cessem a manipulação de questões relacionadas à China e façam mais para promover o desenvolvimento e a prosperidade da região”, completou o porta-voz.

A declaração chega em um momento de crescimento da presença chinesa na América Central, coincidindo com a divulgação da nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, que reforça a atenção de Washington para o Hemisfério Ocidental e classifica a China como um desafio estratégico.

Recentemente, uma delegação do Congresso estadunidense, liderada pelo presidente do Comitê Especial sobre a China da Câmara dos Representantes, John Moolenaar, visitou Panamá, Guatemala e El Salvador. A missão, segundo os EUA, tinha o objetivo de contrabalançar a presença chinesa e monitorar áreas estratégicas, como portos e infraestrutura crítica.

Investimentos chineses

A China tem ampliado suas relações econômicas na América Central nos últimos anos. Desde que estreitou laços com o Panamá em 2017, Pequim passou a desenvolver parcerias também com Costa Rica, Guatemala, Nicarágua, Honduras, El Salvador e Belize. O foco desses investimentos inclui infraestrutura portuária, transporte, energia, tecnologia e projetos urbanos.

Segundo o relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID/IDB), Trends in International Economic Relations of Central America, Panama and the Dominican Republic, o Panamá concentra cerca de US$ 2,1 bilhões, aplicados em portos, pontes sobre o Canal, ferrovias e projetos de infraestrutura urbana — cerca de 43% do total regional de investimentos chineses. A Costa Rica recebeu US$ 810 milhões, voltados a transporte, tecnologia e entretenimento, enquanto a Guatemala teve cerca de US$ 700 milhões aplicados em tecnologia e outros setores econômicos. Nicarágua e Honduras juntos representam entre 8% e 14% do total, com foco em energia, infraestrutura terrestre e projetos industriais.

Mesmo países com investimentos menores, como El Salvador e Belize, receberam aportes em infraestrutura urbana, energia, transporte e telecomunicações, consolidando a presença chinesa na região e contribuindo para o desenvolvimento local.

Na Nicarágua, por exemplo, a China financia projetos de infraestrutura urbana, transporte e energia renovável, fortalecendo a integração regional. Em outros países, Pequim também apoiou a construção de escolas, centros de saúde e linhas de transporte, ampliando o impacto econômico e social de sua presença.

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