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Começou a pegar fogo a campanha eleitoral; o senador Flávio Bolsonaro(PL-RJ), candidato ao Planalto, apoiado pelo pai Jair, iniciou a semana dando um lance político ousado: o partido bolsonarista lançará candidato em todos os estados; com isso, forma-se corrente raiz direitista radical fascista para polarizar com a esquerda; a pergunta que fica no ar é a seguinte: o PT faria ou não o mesmo, para testar a força do partido?
O presidente Lula, no seu esforço de composição com as correntes progressistas, toparia essa queda de braço com o que parece ser inovação política do bolsonarismo para a disputa eleitoral?
É bem provável que não; caso isso estiver na cogitação do chefe do Planalto, a pulverização se transformaria na característica principal no jogo de forças da situação, que enfrentaria defecções, dificultando composições, se tentar ir por este caminho.
Pelo andar da carruagem, o presidente Lula dispõe de candidatos vários no campo progressista, dos quais não pode abrir mão e cujo viés se afasta, cada vez mais da esquerda, situando-se ao centro.
Além disso, o governo está, do ponto de vista econômico, em situação delicada, quando pratica a mais alta taxa de juros do mundo, levantando resistências junto aos próprios aliados, especialmente, entre empresários.
Também sofre críticas das classes trabalhadoras, afetadas pelo elevado endividamento familiar, segundo estatísticas do IBGE, no cenário em que o salário mínimo perdeu a característica histórica petista: sua essência progressista, dada pela correção acima da inflação mais crescimento do PIB.
O ano começou com os aposentados contrariados em seus interesses fundamentais: terão reajuste pelo INPC, não pelo IPCA; ou seja, uma ducha de água fria.
Dessa forma, se o presidente Lula faz como Flávio Bolsonaro, isto é, lança 27 candidatos do PT à disputa com 27 candidatos do PL, radicalizando a polarização, poderia cair em armadilha.
Colheria decepções.
Não, definitivamente, o presidente seguiria esse caminho em lugar do que já escolheu: o da composição, para dividir os bônus com os aliados das duas bandeiras que pretende carregar na campanha: isenção do IR para salários até R$ 5 mil e fim da jornada de trabalho 6×1 sem redução de salários.
Os radicais fascistas bolsonaristas estão sem bandeira econômica, visto que o modelo neoliberal que abraçam destroem salários, bem como alijam o Estado da economia, como fator de equilíbrio entre capital e trabalho, no ambiente da desigualdade social, sustentando políticas sociais compensatórias.
Uma coisa é certa, no entanto: a jogada política ousada de Flávio Bolsonaro tende a prejudicar a direita liberal, como é o caso dos candidatos do PSD de Kassab, dos quais os bolsonaristas querem distância, pelo menos no primeiro turno.
Para Lula, portanto, não há alternativa senão a defesa da frente ampla contra o fascismo em meio a uma direita e ultra direitas polarizadas pela estratégia intempestiva de Flávio Bolsonaro, a mais nova novidade política na disputa eleitoral 2026.

