Cadastre-se Grátis

Receba nossos conteúdos e eventos por e-mail.

Tripé Neoliberal × Tripé do Povo. Por Ricardo Guerra

Governar para o Mercado ou Governar para o Povo?

Mais Lidos

Durante décadas, o Brasil foi conduzido por uma lógica apresentada como técnica, neutra e inevitável: o chamado tripé neoliberal, sustentado por câmbio flutuante, metas rígidas de inflação e uma obsessão permanente com o superávit primário.

Esse modelo, vendido como sinônimo de “responsabilidade”, jamais teve como prioridade melhorar a vida da maioria da população e alavancar o desenvolvimento do Brasil:

  • Seu compromisso real sempre foi com o rentismo, com a valorização do capital financeiro e com a submissão do Estado Brasileiro aos interesses do mercado;
  • Governando-se para agradar planilhas, não para responder às necessidades concretas do país real.

Os efeitos desse modelo são conhecidos – salários comprimidos, aposentadorias corroídas, investimento público estrangulado, e uma política econômica que trata o trabalho como custo, não como fundamento do desenvolvimento:

  • Em nome do controle inflacionário, sacrificou-se o emprego;
  • Em nome do equilíbrio fiscal, sacrificou-se o crescimento;
  • Em nome da confiança dos mercados, sacrificou-se a capacidade do Estado de planejar e induzir o desenvolvimento nacional.

O resultado foi um país mais desigual, mais dependente e com sua base industrial enfraquecida.

Assim, o Brasil assistiu a desindustrialização avançar enquanto o rentismo se consolidava como força dominante da política econômica: tornou-se um país que abriu mão de produzir e de decidir o próprio futuro:

  • Sem indústria forte, não há soberania econômica nem salários elevados;
  • Países que se desenvolveram não o fizeram pela submissão ao mercado financeiro, mas pelo fortalecimento do Estado, pelo investimento público e pela proteção estratégica de seus setores produtivos.

Nesse contexto, se impõe a construção de um outro eixo para o país que denominamos, em contraposição ao tripé neoliberal, o Tripé do Povo.

Um tripé simples, direto e profundamente transformador, baseado na valorização do Trabalho e aumento imediato e real do Salário Mínimo e das Aposentadorias,  Tarifa zero no Transporte Público e adoção da Escala 5×2, com o fim da jornada exaustiva 6×1.

Esse tripé recoloca a vida no centro da economia:

  • Valorizar o Trabalho é fortalecer o mercado interno, dinamizar a economia local e devolver dignidade a quem vive do próprio esforço — e também a quem já trabalhou a vida inteira para construir este país;
  • A Escala 5×2 é o reconhecimento de que desenvolvimento não pode significar exaustão permanente, adoecimento e perda de tempo de vida;
  • E a Tarifa zero representa, além do aumento real de renda, a democratização do direito à cidade — é justiça social concreta.

Um tripé que não é apenas social, mas profundamente econômico e produtivo. Ao elevar a renda do trabalho, reduzir custos básicos como o transporte e devolver tempo de vida à população, o Estado fortalece o mercado interno, amplia o consumo popular e cria demanda estável para a produção nacional:

  • É essa engrenagem — renda, consumo, produção e emprego — que sustenta uma indústria forte, salários mais altos e crescimento duradouro;
  • Não há política industrial possível em um país onde o povo está permanentemente (pré)ocupado  — tentando sobreviver até o fim do mês.

Mas nada disso é possível sem um Estado ativo, planejador e comprometido com o desenvolvimento nacional:

  • O Estado não é obstáculo ao crescimento – é o instrumento fundamental para organizá-lo;
  • É o Estado que investe onde o mercado não investe, que coordena políticas industriais, que protege empregos e que garante direitos.

Enfrentar o neoliberalismo, portanto, não é uma abstração ideológica — é uma necessidade histórica para um país que pretende crescer com inclusão, produzir com soberania e distribuir renda com justiça.

Não é uma disputa técnica, é política:

  • De um lado, um tripé que governa para o mercado, protege juros altos e naturaliza a desigualdade;
  • Do outro, um tripé que governa para o povo, valoriza o trabalho, fortalece a indústria e devolve dignidade à maioria da população.

Em síntese, o Brasil não precisa escolher entre responsabilidade e justiça social. Precisa escolher para quem governa.

O país não se sustenta mais apoiado por um tripé elaborado por quem nunca pegou ônibus, nunca viveu de salário mínimo e nunca trabalhou seis dias por semana.

Está na hora de o Brasil se apoiar em outro tripé – um que tenha pé no chão, compromisso com o trabalho e coragem para enfrentar o neoliberalismo – e que realmente possa garantir o bem-estar das pessoas e o desenvolvimento duradouro e sustentável do Brasil.

Sem mercado interno forte, não há reindustrialização possível — apenas dependência e precarização.

Artigos Relacionados

Glauber Fortalece Pauta De Esquerda No Congresso

Foto Rede 98 Fortalece a democracia e as pautas de esquerda, comprometidas com o desenvolvimentismo tocado pelo presidente Lula com valorização do social relativamente...

Comentários Sobre Conjuntura Internacional, por Marcelo Zero

Essequibo i. Dizer que a questão de Essequibo é uma agenda de Maduro ou do chavismo seria a mesma coisa que afirmar que a questão...

Manifesto Paraíso Brasil

Paraíso Brasil é movimento coletivo, vivencial e de conhecimento. Se refere à experiência de cada pessoa no Brasil, e à coletividade desta experiência. A...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Em Alta!

Colunistas