Os carrões pretos russos, mais de 20, deslocando-se pelas avenidas do poder, em Brasília, nesta quinta e sexta feiras, são o fato político deste final de semana; o presidente Vladimir Putin mandou a Brasília – e à América Latina – 8 ministros de estado, 3 vice-ministros e dezenas de gestores de agências de desenvolvimento russas; trata-se, no cenário de realização da 8ª Reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação (CAN), de claro apoio ao presidente Lula, assediado, fortemente, pelo governo Donald Trump, e pressionado a enfraquecer, principalmente, as relações Brasil-Rússia, Brasil-China; ambos os países estão com suas raízes fincadas na América Latina, contra as quais Trump, por meio da Doutrina Donroe, tenta arrancá-las, por considerar a região quintal exclusivo dos Estados Unidos. Nenhum pio, por enquanto, é dado pela mídia pró-Washington sobre a extensa comitiva, tratando-a como se não existisse; essa postura midiática significa, naturalmente, pressão sobre o presidente Lula para fazer o que Trump deseja: alijar China e Rússia, bem como o Brics, em geral, de solo latino-americano, deixando o campo livre para os Estados Unidos manobrarem, no momento em que representantes do império negociam com o Planalto as terras raras; delas dependem as empresas de vanguarda tecnológica americanas para conseguir desenvolver os condutores da nova tecnologia da informação em seus estágios mais avançados, em busca de mais e mais produtividade industrial vis a vis, principalmente, com a China, detentora de tecnologia para manufaturar terras raras, posicionando-se, vantajosamente, em relação ao império.
PREOCUPAÇÃO NO PLANALTO
A delegação russa, que visitará Cuba e Venezuela, também, visando mesmo objetivo, isto é, marcar posição na região, evidenciando a Washington que não a abandonará, representa, do ponto de vista da esquerda, no governo Lula, apoio de Putin ao presidente contra a direita ultra direita fascista, que tentarão tudo para derrotá-lo em outubro, nas urnas; o receio principal dela é o de que resistência maior do governo brasileiro às ações diplomáticas agressivas de Washington possa resultar em boicote das autoridades econômicas americanas, capazes de prejudicar Lula na campanha eleitoral; o temor maior, por exemplo, é o de que possa ocorrer, com o Brasil, o que aconteceu com o Irã, atacado especulativamente pelo secretário do Tesouro, Scott Besson, que admitiu ter manipulado o dólar para desestabilizar o governo iraniano, promovendo agitação social, graças à elevação de preços, tensionando inflação e irritando a população com redução do seu poder de compra; essa possibilidade, segundo a esquerda lulista, receosa de perigo de instabilidades, lembra que Besson é o ponto de equilíbrio/desequilíbrio, para o bem e para o mal, das relações econômicas de Washington contra amigos e inimigos de Donald Trump.
EXEMPLO ARGENTINO
Por exemplo, o secretário, enquanto prejudicou o Irã, levando a uma quebra de importante banco em Teerã, em 2025, favoreceu, por sua vez, os amigos do presidente americano, como foi o caso de Javier Milei, presidente da Argentina; o apoio financeiro de Besson a Buenos Aires, na semana da eleição parlamentar decisiva para os destinos de Milei, no ano passado, foi fundamental: garantiu vitória eleitoral e afastou, temporariamente, o perigo de impeachment que a oposição armava contra o chefe da Casa Rosada; no Irã, o governo, ao longo de 2025, ficou tipo balança mas não cai, com a diferença de que o poder iraniano se sustenta em bases políticas mais sólidas do que o governo argentino, que poderia ter caído, mas não foi ao chão, graças às providencias do secretário do tesouro americano; portanto.
PAPEL POLÍTICO DE BESSON
O papel político de Besson, na relação Estados Unidos e aliados ou não aliados tem sido decisivo; o dólar, apesar de estar em processo de desvalorização, para ajudar a economia americana a aumentar exportações, enquanto desestabiliza, ao mesmo tempo, o mercado financeiro, com fugas de capital, funciona, ainda, como fator de segurança política para enfrentar os regimes anti-Washington, como os do Irã, enquanto fortalece os pró-império, como o da Argentina; é nesse contexto politicamente delicado que o presidente Lula se encontra diante da delegação russa, contra a qual o olhar de animosidade da Casa Branca se estende como ameaça ao chefe do Planalto; o fato concreto é que a política externa brasileira, favorável ao multilateralismo, em oposição ao unilateralismo de Trump, encontra-se em seu momento decisivo; ela se revela incômoda, para os interesses americanos, e se mostra como fator inquietante no cenário da sucessão presidencial, revelando-se que Lula se equilibra em meio às tensões geopolíticas gerais, marcadas pela debacle da hegemonia americana; a despeito disso, o presidente se encontrou como Premiê russo, Mikhail Mishustin, para fechar acordos econômicos nas áreas de energia nuclear para fins pacíficos, inteligência artificial e tecnologia sensível.; ou seja, é Lula no ambiente do equilíbrio geopolítico global em meio à sucessão que se abre frente às diferentes incógnitas, internas e externas.

