
Fazenda brasileira de melões mantém colheita diária de 1 milhão de frutos entre o Ceará e o Rio Grande do Norte. (Foto: Ricardo Lopes/Agrícola Famosa)
Em pleno sertão nordestino, uma fazenda registra colheita diária de 1 milhão de melões. A Agrícola Famosa atua entre o Ceará e o Rio Grande do Norte e mantém produção contínua voltada ao mercado interno e às exportações, atendendo grande parte da Europa.
Considerada uma das maiores produtoras e exportadoras da fruta no mundo, a empresa iniciou as atividades em 1995. Desde então, ampliou a área plantada e concentrou a produção de melões e melancias, em 25 mil hectares de terras — desse total, 12 mil hectares recebem cultivo direto. A produção se distribui por 14 fazendas.
O volume anual da fazenda alcança cerca de 300 mil toneladas de frutas frescas, produção que é focada no mercado externo. Cerca de 75% da colheita segue para a Europa.
Na Agrícola Famosa são cultivadas diferentes variedades de melão, entre elas melão amarelo, Pele de Sapo, Cantaloupe, Galia, Charentais e Orange. Todo o processo envolve em torno de 6,5 mil funcionários diretos nos sertões da região e 20 mil colaboradores indiretos.
A Agrícola Famosa utiliza o Porto de Natal como principal base de exportação para a Europa. Por lá, a movimentação é de cerca de 10 mil toneladas semanais de frutas, concentradas na exportação feita pela Agrícola Famosa.
“As vantagens de ter um porto dedicado e, principalmente, um navio dedicado, são a qualidade da fruta e o tempo de viagem. O navio não para em outros portos, a fruta chega mais rápido e no padrão ideal. Isso ajuda muito na qualidade da fruta”, explica o diretor-executivo da Agrícola Famosa, Carlo Porro.
Em contraponto ao consumo europeu da fruta, a produção brasileira de melão enfrenta baixa e limitada adesão no mercado interno. Para o diretor-executivo da Agrícola Famosa, o problema começa no desconhecimento do próprio produto.
“Para consumir melão da maneira adequada no Brasil, é preciso manter toda a cadeia de frio, diferentemente da Europa. Aqui, quando a fruta chega à gôndola, essa cadeia de frio (transporte refrigerado) acaba sendo quebrada e ela perde qualidade. O consumidor, então, não tem a experiência adequada por conta de um problema de infraestrutura da própria distribuição brasileira”, opina Porro.
Fazenda brasileira líder na produção de melões usa tecnologia de Israel
Tudo começa na produção de mudas. O semeio ocorre de forma automática, em bandejas colocadas em câmaras de germinação. Depois, as mudas seguem para as estufas. Quando atingem o ponto ideal, os produtores fazem o transplante para o campo. Nesse estágio, uma manta cobre as plantas e protege-as contra insetos e viroses.
A produção adota tecnologia israelense de irrigação por gotejamento. O sistema permite controle preciso da água, já que o solo arenoso não retém umidade com facilidade. O processo produtivo utiliza monitoramento da umidade do solo e manejo agrícola. Essas práticas permitem a padronização dos frutos colhidos e atendem às especificações exigidas pelos mercados compradores.
A empresa utiliza frota própria, centros de embalagem e linhas de classificação. Após a colheita, os frutos seguem para seleção, padronização e embalagem em 16 unidades de packing houses (casas de embalagem), locais especializados no pós-colheita onde as frutas são recebidas, selecionadas, lavadas, higienizadas, classificadas, embaladas e armazenadas. Esse fluxo com os locais de recebimento próximos das lavouras reduz o intervalo entre a colheita e o embarque.
A estrutura sustenta o fornecimento regular para redes varejistas e distribuidores em mercados internacionais. Anualmente, a Agrícola Famosa envia cerca de 10 mil contêineres ao mercado externo — um contêiner refrigerado padrão de 40 pés, utilizado pela Agrícola Famosa nas exportações, transporta entre 20 e 25 toneladas de melão. O volume corresponde a aproximadamente 10 mil a 14 mil unidades da fruta.

Exportações de melão batem recorde
As exportações brasileiras de melão fecharam 2025 com o melhor resultado da série histórica, iniciada em 1997. Dados analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram faturamento de US$ 231 milhões, alta de 25% em relação ao ano anterior. Em volume, o Brasil exportou 283 mil toneladas da fruta. O número indica crescimento de 16% no comparativo anual.
A logística interna influenciou diretamente a estratégia dos produtores do polo Rio Grande do Norte-Ceará. Novas regras da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) elevaram os custos do frete rodoviário no mercado doméstico e, diante desse cenário, o setor ampliou o envio ao exterior para preservar margens de lucro.
Os principais destinos no período de safra nordestina foram os Países Baixos, com 45% da quantidade total exportada; Reino Unido (25%) e Espanha (21%), conforme o Comex Stat, sistema oficial para consulta e extração de dados do comércio exterior brasileiro. Em novembro, o ritmo de exportação seguiu o mesmo do mês anterior, com 40 mil toneladas enviadas, e 5% maior frente ao mesmo mês de 2024.
A parcial da safra 2025/26 confirma a tendência. Iniciado em agosto, o ciclo registrou embarques de 161 mil toneladas até dezembro. O volume supera em 14% o da safra anterior. O faturamento alcançou US$ 138 milhões, na modalidade FOB, quando o comprador assume a responsabilidade, os custos de frete e os riscos da mercadoria assim que ela é embarcada no local de origem pelo vendedor.

