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Carnaval do Brasil: Para Além da Festa Criativa, Produção Industrial Sofisticada Que Exige Política de Desenvolvimento. Por Ricardo Guerra

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O Brasil costuma enxergar o Carnaval apenas como festa. Mas o Carnaval é muito mais que espetáculo:

  • É tecnologia criativa;
  • É cadeia produtiva;
  • É indústria cultural com possibilidade de alto valor agregado.

O que acontece todos os anos na Marquês de Sapucaí, nas ruas de Salvador e Recife não é improviso — é produção industrial, em alguns casos sofisticada:

  • O Carnaval do Rio de Janeiro movimenta bilhões de reais por ano;
  • E o Carnaval de Recife e Salvador, além de rentabilizar da mesma forma, estão entre os maiores eventos de rua do planeta.

Por um lado, Recife e Salvador movimentam uma economia criativa própria baseada em Frevo, Maracatu e Axé – mas que ainda falta investimento em política industrial. Enquanto o desfile das escolas do Rio de Janeiro, envolve metalurgia, marcenaria, iluminação cênica, engenharia estrutural, design, figurino, adereços, tecnologia de som, efeitos especiais e logística pesada – o que já envolve a organização de uma cadeia produtiva.

Sendo assim, não restam dúvidas que, se bem estruturado, o Carnaval no Brasil pode ser organizado como um complexo produtivo nacional com vários elos:

  • Indústria têxtil (fantasias, tecidos técnicos, bordados) e indústria metalúrgica (estruturas de carros alegóricos);
  • Setor químico (tintas, plásticos, efeitos visuais);
  • Indústria criativa (design, audiovisual, música);
  • Tecnologia digital (projeções, LED, automação);
  • Turismo e hotelaria;
  • Economia da música e direitos autorais.

Hoje, grande parte da produção ainda é sazonal, mas imagine se:

  • Barracões se tornassem polos permanentes de design cenográfico;
  • Escolas de samba virassem centros de formação técnica em cenografia, costura industrial, soldagem artística e tecnologia de eventos;
  • Universidades federais integrassem pesquisa em materiais leves e sustentáveis aplicados ao Carnaval;

O BNDES financiasse inovação na indústria criativa como setor estratégico.

A Coreia do Sul, por exemplo, transformou cultura em indústria com K-pop e audiovisual e os EUA estruturaram Hollywood como complexo exportador.

Carnaval é o maior ativo de soft power do país e o Brasil já tem uma marca global pronta que projeta imagem, identidade e diferenciação internacional:

  • Mas, enquanto exportamos imagem;
  • Ainda importamos insumos industriais.

É preciso, portanto, transformar o Carnaval em política estruturada – e isso significa:

  • Reindustrializar segmentos hoje fragilizados;
  • Gerar empregos técnicos de média e alta qualificação;
  • Integrar cultura e indústria;
  • Valorizar trabalho manual e criativo;
  • Diminuir dependência externa em insumos.

Enfim, o Carnaval é a síntese perfeita entre economia criativa, indústria nacional, cultura popular e geração de emprego: o Brasil já possui o produto, falta tratá-lo como estratégia de desenvolvimento –  indústria em estado bruto – que pode ser, também, uma das engrenagens da reindustrialização brasileira.

Isso não significa de forma alguma elitizá-lo, mas sim dar escala, crédito, tecnologia e proteção produtiva para quem já produz riqueza cultural.

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