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O inimigo da democracia é a bancocracia; o governo está dominado pelo mercado financeiro, pela Faria Lima, que impõe à sociedade a tirania rentista, enquanto massacra a produção e o consumo em nome do ajuste fiscal neoliberal antidesenvolvimentista, bolsonarista.
A ultradireita bolsonarista, monitorada pelo neoliberalismo, pela financeirização econômica, por Wall Street, quer, na eleição presidencial o que o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso na Papudinha está fazendo, seguindo a cabeça Steve Bannon, porta-voz da direita fascista mundial: orientar a candidatura de Flávio Bolsonaro em chapa pura ultradireitista em todos os estados da Federação para disputar primeiro turno, com a proposta ultraneoliberal radical.
O preferido dela para comandar a economia é, novamente, o Posto Ypiranga, o economista Paulo Guedes ou alguém parecido; portanto, unidade federativa fascista bolsonarista alinhada à radicalidade neoliberal, nesse sentido, está já armada, por exemplo, a partir do Distrito Federal, como ponto de partida: Michele Bolsonaro, para disputar o Palácio do Buriti, e Bia Kics, deputada federal do PL, para o Senado; o exemplo deve ser seguido em todo o território nacional como estratégia eleitoral.
Para a ultradireita bolsonarista fascista, agradável ao mercado financeiro, à bancocracia, à Faria Lima, curiosamente, o adversário a ser combatido, no curtíssimo prazo, no plano eleitoral, no primeiro turno, não é Lula, mas o Centrão.
Por quê?
Simples, para evitar que o Centrão se una a Lula, este sim, o verdadeiro inimigo a ser combatido, em etapa posterior; o bolsonarismo quer que todos, na direita, Centrão, sem direção nem projeto, se lancem à disputa para pulverizá-la, volatilizando-a; evitaria, dessa forma, sua aproximação de Lula no primeiro turno.
O jogo decisivo eleitoral, portanto, está sendo travado no primeiro turno, não no balotage.
PULVERIZAR A DIREITA
A volatização da direita, Centrão, fortalece o fascismo ultradireitista, para fragilizar o centro-esquerda, de modo que, mesmo que as forças de centro-esquerda vençam no primeiro turno, com Lula, alcançariam, porém, pequena margem, como mostram as pesquisas do momento.
Configurada, tática e idealmente, essa realidade, o cacife eleitoral da ultradireita teria força para seduzir, no balotagem, com mais força, a direita centrista, tentando-a levar à opção pelo bolsonarismo fascista, repetindo 2018.
O exemplo vitorioso, isto é, o sonho de consumo do bolsonarismo, vislumbrado neste instante em que começa a campanha eleitoral, é o Chile; a esquerda lá venceu no primeiro turno, mas perdeu no segundo, porque a direita fascista chegou competitiva em segundo lugar; tornou-se, desse modo, atrativa, capaz de seduzir os partidos variados de direita, atraindo-os à unidade contra a candidata comunista, Jeannette Jara, apoiada por Boric, que se desgastou ao render-se ao neoliberalismo.
Eis porque o centro-esquerda, sob comando de Lula, busca, na corrida eleitoral, isolar a ultra-esquerda, ou seja, o fascismo bolsonarista, aliando-se, desde já, no primeiro turno, à direita liberal, o Centrão, ambos candidatos a serem massacrados, se os fascistas saírem vitoriosos nas urnas, com o discurso neoliberal, certamente, a ser comandado, novamente, pelo Posto Ypiranga, Paulo Guedes, o xodó da grande mídia conservadora rentista, pró-Faria Lima, pró-Wall Street, pró-Washington.
HORA DA ONÇA BEBER ÁGUA
Então, Lula vai ou não ao Centrão ou o Centrão vai ou não a Lula, logo no primeiro turno, centro do debate no Congresso, quando as turbinas da eleição começam a esquentar?
Afinal, seus interesses – de Lula e do Centrão –, neste instante pré-eleitoral, convergem-se contra o ultra neoliberalismo bolsonarista, cujo objetivo é acelerar a privatização do Estado a favor da bancoracia, reivindicada na Faria Lima, para cumprir radicalmente o ajuste fiscal neoliberal, fórmula para sustentar a continuidade da superacumulação rentista de capital especulativo via juros altos.
Não é à toa que o centro-esquerda lulista já se silencia, compactuando-se com a ideia de união com o Centrão; trata-se, do ponto de vista da realpolitik de tentar fugir ambos, Centrão e Lula/aliados, dos cortes neoliberais reclamados pelos rentistas, que pregam juros altos para combater a inflação e favorecer a especulação financeira, engordada nos juros extorsivos, que não deixam a economia crescer, sustentavelmente.
O pensamento da Faria Lima está mais claro do que nunca nos editoriais do Globo, da Folha e do Estadão , economicamente, bolsonaristas; nesta semana, o Globo defende, em ano eleitoral, ajuste fiscal geral, drástico, no governo federal e nos governos estaduais; a palavra de ordem neoliberal é enxugar a Previdência Social, o Benefício da Prestação Continuada(BPC) e avançar reforma administrativa, visando o mesmo objetivo, a partir de 2027, se o bolsonarismo voltar nas urnas: congelar salário- mínimo por seis anos, como defende o papa do mercado financeiro, Armínio Fraga.
Nem o Centrão nem o Palácio do Planalto topa essa parada; sem gastar no social, em tempo eleitoral, Lula perde eleição, da mesma forma que o Centrão, sem as emendas parlamentares, criticadas pela Faria Lima, não conseguirá eleger maioria parlamentar, governos e assembleias legislativas estaduais; seria, para o Centrão, a renúncia ao poder de fato, deixando de dar as cartas no Legislativo, sustentando, como maioria, relações federativas institucionais corporativas antineoliberais Congresso-Federação; este tem sido o suprassumo do controle do poder pelo Centrão, desde a Constituinte de 1988, sempre arredio aos ajustes fiscais neoliberais que prejudicam sua base eleitoral; vai abandoná-lo, deixando-o para os fascistas governarem com o mercado financeiro rentista em liberdade total?
BARRAR O FASCISMO
Lula contra-ataca, aliando-se ao Centrão, no primeiro turno, para tentar liquidar a fatura e evitar a volta do fascismo, que, na disputa eleitoral, terá, certamente, apoio do capital internacional especulativo de uma direita organizada a partir de Wall Street-Washington, com a retaguarda da turma de Donald Trump, Steve Bannon à frente, e toda a ultradireita mundial, como aconteceu, na Argentina, com Javier Miley, e no Chile, com o ultradireitista, José Antônio Kast.
Arranjo político eleitoral Lula-Centrão é, ideologicamente, um centro-direita nacionalista contra o arcabouço fiscal neoliberal antinacionalista, antidesenvolvimentista que a Faria Lima quer impor para acabar com as políticas sociais, como o corporativismo midiático pró-Washington está defendendo.
CENTRÃO AMEAÇADO
A pretensão de poder do Centrão se diluiria com a vitória da ultradireita neoliberal, cuja missão será a de eliminar os gastos públicos, para continuar satisfazendo a financeirização econômica neoliberal, ditada por Wall Street.
Washington, sob comando do fascista Donald Trump, está falando, claramente, pela boca do Globo: apertar o ajuste fiscal e detonar as emendas parlamentares, organizadas e cumpridas pelo Centrão, para dar lugar à governabilidade fascista, que, teoricamente, o bolsonarismo comandaria em suposta volta ao poder; os bolsonaristas, nesse cenário, claro, engoliriam o Centrão, detonando o seu poder corporativista, historicamente, sempre favorável à abertura dos cofres públicos para exercitar o paroquialismo político conservador com governadores e prefeitos.
O Centrão caiu na real: descobre, no início da luta eleitoral, que, para a ultradireita, ele é o mau a ser combatido, no primeiro turno, como prioridade número um do financismo neoliberal, que apoia o bolsonarismo fascista; o semipresidencialismo dominante no legislativo, sob comando do Centrão, que sequestra do Executivo verbas que prejudicam a governabilidade do presidencialismo, virou, agora, em ano eleitoral, adversário do neoliberalismo radical, comandado pela Faria Lima, onde reina os Vorcaro da vida.
Circunstancialmente, portanto, do ponto de vista do pragmatismo político eleitoral, o Centrão, que quer ganhar a eleição, para continuar dando as cartas no xadrez político nacional, defende o mesmo que o Executivo, combatido pela Faria Lima, cujo foco é o ajuste neoliberal; essa posição antagônica do Centrão-Executivo confronta a Faria Lima bancocrática.
Eis a contradição que as circunstâncias políticas eleitorais fazem aproximar, taticamente, Lula e o Centrão contra o bolsonarismo fascista.

