Cadastre-se Grátis

Receba nossos conteúdos e eventos por e-mail.

O Brasil Pode Ser o Grande Vencedor da Guerra Comercial — Se Tiver Projeto Nacional. Por Redação Paraíso Brasil

Mais Lidos

 

O canal VisualEconomik EN levantou uma provocação instigante: o Brasil pode ser um dos grandes vencedores da guerra comercial entre Estados Unidos e China.

A análise faz sentido. Quando duas superpotências impõem tarifas e barreiras uma à outra, o comércio global não para — ele se reorganiza. E nessa reorganização, países com escala produtiva, recursos naturais abundantes e capacidade exportadora passam a ocupar espaços deixados pelos rivais.

O Brasil entrou exatamente nessa brecha.

Desde as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, a China intensificou a diversificação de fornecedores agrícolas e o desvio de comércio favoreceu o Brasil.

A soja brasileira, já altamente competitiva, ampliou participação no mercado chinês. O mesmo ocorreu com carne bovina, milho e minério de ferro.

Esse fenômeno é conhecido na economia como trade diversion — desvio de comércio. Quando EUA e China dificultam trocas bilaterais, terceiros países assumem parte da demanda.
Resultado: o Brasil consolidou-se como parceiro estratégico de Pequim em alimentos e commodities.

Mas aqui está o ponto crucial: ganhar mercado não é o mesmo que ganhar desenvolvimento.

O risco da vitória limitada
Se o Brasil apenas ampliar exportações primárias, continuará preso ao padrão histórico de especialização: vender produtos de baixo valor agregado e importar bens industriais e tecnologia.
Isso gera superávits comerciais — mas não altera estruturalmente a posição do país na hierarquia global.

Uma vitória real exigiria algo maior: reindustrialização com base tecnológica, investimento em inovação e agregação de valor
Integração entre agronegócio, indústria e tecnologia.

Ou seja, uso estratégico do Estado para coordenar desenvolvimento. Sem isso, a guerra comercial vira apenas uma bonança cíclica.

O Brasil possui mercado interno robusto, capacidade produtiva e riqueza natural. O que limita o salto estrutural é a centralidade do rentismo e da lógica financeira de curto prazo.

Enquanto recursos públicos são drenados por juros elevados e prioridades fiscais restritivas, o país posterga investimentos estratégicos em infraestrutura, indústria e ciência.

A guerra comercial abriu uma janela geopolítica rara. Mas transformar oportunidade em desenvolvimento exige decisão política.

A oportunidade é histórica.
O mundo vive fragmentação produtiva, reconfiguração de cadeias globais e busca por segurança alimentar e energética.

O Brasil reúne:
Território, água, energia renovável, base agroindustrial e mercado consumidor interno.
Poucos países combinam esses fatores.

Se houver coordenação estratégica — combinando política industrial, crédito direcionado, reforma tributária progressiva e estímulo ao mercado interno — o Brasil pode ir além de “fornecedor alternativo”. Pode se tornar polo produtivo relevante na nova ordem multipolar.

Enfim, a guerra comercial entre EUA e China criou circunstâncias favoráveis ao Brasil. Mas circunstâncias não são destino.

Podemos continuar exportando soja e minério — ou usar esse excedente para financiar um salto produtivo, tecnológico e social.

A pergunta é: queremos ser apenas um fornecedor eficiente ou uma potência desenvolvida?

Artigos Relacionados

Glauber Fortalece Pauta De Esquerda No Congresso

Foto Rede 98 Fortalece a democracia e as pautas de esquerda, comprometidas com o desenvolvimentismo tocado pelo presidente Lula com valorização do social relativamente...

Comentários Sobre Conjuntura Internacional, por Marcelo Zero

Essequibo i. Dizer que a questão de Essequibo é uma agenda de Maduro ou do chavismo seria a mesma coisa que afirmar que a questão...

Manifesto Paraíso Brasil

Paraíso Brasil é movimento coletivo, vivencial e de conhecimento. Se refere à experiência de cada pessoa no Brasil, e à coletividade desta experiência. A...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Em Alta!

Colunistas