Guerra implode financeirização econômica global e cria novo eixo do poder internacional. Por César Fonseca

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Pânico no mundo do rentismo especulativo da riqueza fictícia: um dos maiores fundos de investimento do planeta terra, o BlackRock, com ativos de 2 trilhões de dólares, está se desmoronando junto com a guerra desencadeada sem motivo por Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Apavorados com a possibilidade de perderem suas poupanças, tais rentistas especuladores estão apavorados, correndo aos caixas dos fundos mais famosos de Wall Street, para tentar salvar o seu, mas – surpresa horripilante – os caixas desses fundos fecharam para balanço.
Não estão deixando sair nada, para não entrarem em colapso.
Na verdade, o que existe são papeis especulativos que estavam rendendo ficticiamente juros escorchantes, como é o caso no Brasil, com a Selic mais alta do mundo, perdendo, apenas, para a Turquia.
Tentam, desesperadamente, sacar, mas não há o que sacar, porque o dinheiro vivo correspondente à papelada especulativa é uma ilusão fantasiosa.
As próximas semanas serão decisivas.
O império da financeirização global, expressa no maior fundo financeiro do mundo, o BlackRock, simplesmente, decreta impossibilidade de atender a demanda dos desesperados rentistas, que, agora, caem na real.
A moeda real não está no caixa do BlackRock, mas nos poços de petróleo do Oriente Médio, nesse momento, em chamas, em decorrência dos bombardeios dos mísseis supersônicos iranianos.
Eles caem sobre as bases militares americanas no Golfo Pérsico e sobre as refinarias de petróleo, maioria de capital americano em associação com as monarquias árabes pró-Estados Unidos.
Essa associação imperialista entra em sufoco com a suspensão da circulação da mercadoria-moeda mais valorizada, o petróleo, graças ao fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã, por onde passa 25% do petróleo e gás rumo ao Ocidente.
COLAPSO DO PETRODÓLAR
Sem possibilidade de abastecer seus clientes, o complexo econômico financeiro formado por refinarias petrolíferas, ancoradas nas bases militares americanas, agora bloqueadas pelo fogo dos supersônicos iranianos, o sistema petrodólar entra em colapso.
Afinal é o petróleo que garante o dólar e não o dólar que garante o petróleo.
O petróleo é a moeda real, o dólar, sem o petróleo, é ficção monetária deslastreada.
Sem a âncora, o lastro real, o dólar americano tende a sofrer desvalorização brutal, contra a qual todos correm para se salvar, materializando-se caos financeiro.
Afinal, a moeda-papel especulativo, sem o petróleo do golfo pérsico, deixa de ter valor real.
O Ocidente sem moeda real, sem petróleo árabe, bloqueado no Estreito de Ormuz pelo Irã, cai de joelhos, porque o dólar, emitido pelos Estados Unidos, vira papel pintado.
CIRCULAÇÃO INTERROMPIDA
A riqueza real está impossibilitada de circular, com a explosão da guerra desatada por Estados Unidos e Israel, para tentar destruir o Irã, que, até o momento, resiste ao bombardeio combinado dos dois aliados insanos, em sua tentativa de, parando o Irã, conseguir parar, também, a China, o alvo principal de Washington.
Mantida heroicamente a resistência do Irã aos ataques, o que restta é o sinal de que Estados Unidos, caso não consigam vencer o conflito, entram em crise financeira hiperinflacionária.
A bancarrota à vista do BlackRock, representação viva da fantasia financeira especulativa, que pode ir aos ares, no curtíssimo prazo, diante da corrida dos rentistas aos saques de suas poupanças fictícias, é o drama final da financeirização econômica global.
O oxigênio financeiro que tem sustentado o império americano – a especulação de ativos sem lastro, exposta com colapso do petrodólar – tende a se esgotar, quanto mais estiver interrompido o Estreito de Ormuz.
HIPERINFLAÇÃO EM CENA
Sem o fluxo do oxigênio fictício especulativo, que implode o BlackRock e demais fundos especulativos, fica abalado o Estado Industrial Militar Norte-Americano, que depende do dólar, agora, sem o lastro do petróleo, do petrodólar.
Sem a grana do mercado especulativo, descolado da economia real, cai o sustentáculo básico da indústria de guerra, a produção de não-mercadorias(produtos bélicos, espaciais e nucleares), cuja função e destino é a própria destruição.
O possível colapso da produção de não-mercadorias, destinada à destruição – como Lauro Campos descreve em “A crise da ideologia keynesiana”(Editora Campus(1980) e Editora Boitempo(2012) – produz o subproduto horripilante: a hiperinflação, que germina na barriga da dívida pública americana, estimada, atualmente, em cerca de 40 trilhões de dólares.
A montanha de moeda podre se desmorona.
O estouro pré-anunciado dos fundos financeiros especulativos, como o BlackRock, é o prenúncio estarrecedor do caos hiperinflacionário global, que a guerra está desatando de forma incontrolável.
Essa possibilidade se evidencia, justamente, porque a moeda real – petróleo e gás – está deixando de chegar sem interrupção aos mercados globais, para girar a economia real, levando, consequentemente, à implosão da economia especulativa.
Ao negar resgatar títulos dos rentistas, por falta de fundos reais, o BlackBlock está confessando não ter dinheiro em caixa para atendê-los.
O pânico, por isso, instala-se, generalizando corridas bancárias, como já acontece, embora a mídia corpotativa pró-EUA tenta esconder esse fato concreto que apavora o mundo.
DESPERO TRUMPISTA
Diante desse caos evidente, o presidente Donald Trump tenta dobrar apostas, exigindo rendição incondicional do Irã, disposto a despejar bombas mortíferas em escala exponencial, para colocar fim à guerra, o mais rápido possivel.
Caso contrário, se se prolonga a guerra, sem que Washington consiga destruir o Irã, os Aiatolás com ajuda estratégica da Rússia e da China, podem implodir o império.
O x da questão, portanto, passa a ser o fôlego iraniano capaz de suportar a carga pesada dos bombardeiros conjuntos de Washington e Telaviv, para poder continuar jogando mísseis supersônicos sobre as bases militares e as refinarias árabes-americanas no golfo pérsico, bem como manter fechado o Estreito de Ormuz.
O Ocidente, ou seja, o poder anglo-saxão-norteamericano e europeu, tende a perder gás, no compasso da implosão da financeirização econômica, cuja representação se faz sentir nas fissuras do BlackRock.
As riquezas fictícias destruídas abrem fissuras no poder imperial norte-americano e, consequentmente, abrem-se ao novo poder emergente conjugado: Rússia e China.
Nova divisão internacional do trabalho à vista.
O novo eixo econômico financeiro mundial está em franca formação: o tripé China-Rússia-Irã, onde está a riqueza real frente aos escombors do império dos papeis especulativos desvalorizados pela corrida dos rentistas às suas riquezas fictícias inflacionárias.

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