Original em: https://monitormercantil.com.br/mais-escolarizadas-e-presentes-no-mercado-mulheres-ampliam-peso-na-economia/
Mais escolarizadas, com presença crescente no mercado laboral e à frente de quase metade dos lares do país, as mulheres ampliam o protagonismo nas decisões econômicas – do consumo familiar ao empreendedorismo.
Levantamentos reunidos pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) demonstram que essa evolução ocorre em várias frentes: na qualificação profissional, na inserção no emprego formal e no comando de negócios próprios.
Ao mesmo tempo, o comportamento econômico feminino passa a exercer influência crescente nos indicadores de confiança e nas perspectivas de consumo.
Nesse contexto, compreender a percepção das mulheres sobre a economia tornou-se cada vez mais relevante para interpretar os rumos da conjuntura atual.
Em fevereiro de 2026, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da capital paulista, elaborado mensalmente pela Fecomércio-SP, atingiu 127,4 pontos, alta de 5,7% em relação a fevereiro de 2025. Como o indicador varia de zero a 200 pontos – sendo que valores acima de 100 apontam otimismo -, o resultado mantém os consumidores em campo positivo.
Quando analisado por gênero, observa-se um movimento semelhante entre as mulheres, embora com mais prudência. O ICC feminino chegou a 123,9 pontos, avanço de 2,3% no período, também em patamar otimista, mas abaixo da média geral.
O otimismo aparece principalmente nas expectativas para os próximos meses. O Índice de Expectativas do Consumidor (IEC) geral avançou 7,9%, atingindo 131,7 pontos, enquanto o IEC feminino cresceu 6,6%, chegando a 129,5 pontos. Esse resultado anual assinala melhoria na percepção das mulheres em relação à renda, ao emprego e ao cenário econômico futuro.
Na avaliação do presente, a cautela permanece maior. O Índice das Condições Econômicas Atuais (Icea) geral registrou 121 pontos, com alta de 2,3%, enquanto o indicador feminino recuou 4,2%, alcançando 115,5 pontos na comparação anual.
Segundo a federação, essa diferença pode ser explicada por fatores estruturais. As mulheres ainda apresentam rendimento médio inferior ao dos homens, mais exposição a despesas essenciais e forte participação na administração do orçamento doméstico.
A crescente presença das mulheres na economia também se reflete no empreendedorismo. Atualmente, mais de 10 milhões de brasileiras estão à frente dos próprios negócios, um recorde que mostra a força do empreendedorismo feminino e sua contribuição para a geração de renda e empregos no país, segundo dados do Sebrae (2025).
No mercado formal de trabalho paulista, a participação feminina também vem crescendo de forma consistente. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que: no comércio, a presença feminina nas admissões passou de 47%, em 2021, para 50%, em 2025; e no setor de serviços, elas já eram maioria em 2021 (51%) e ampliaram essa participação para 54% em 2025.
Mulheres são responsáveis por quase metade dos lares
O protagonismo feminino não se limita ao mercado de trabalho e também se expressa na organização da vida econômica das famílias.
De acordo com o Censo 2022, 49,1% dos domicílios brasileiros têm mulheres como responsáveis, o que ressalta a sua influência direta nas decisões relacionadas a consumo, crédito e planejamento financeiro.
Ao mesmo tempo, persistem desafios estruturais. Mesmo mais escolarizadas e cada vez mais presentes no mercado laboral, elas ainda sofrem com desigualdade salarial e acumulam mais horas de trabalho doméstico e de cuidado não remunerado.
O conjunto desses fatores – mais escolaridade, crescimento do empreendedorismo, aumento da participação no emprego formal e protagonismo na gestão dos lares – mostra que o olhar feminino sobre a economia é um elemento central para compreender o comportamento do consumo.
Nesse contexto, acompanhar indicadores como o ICC sob o recorte de gênero deixa de ser apenas um detalhe estatístico. O comportamento econômico das mulheres tem efeito direto nas decisões de compra, no planejamento familiar e na dinâmica de setores inteiros da economia.
Já dados da pesquisa “Women in Fintech: Agora é a Nossa Vez”, de 2025, revelam que 6 em cada 10 mulheres acreditam que a diversidade de gênero melhora a tomada de decisões nas organizações. O levantamento mostra como ambientes diversos tendem a ser mais estratégicos, inovadores e alinhados às demandas reais da sociedade.
Segundo o estudo, apenas 6,8% das mulheres ocupam posições de C-level nas empresas do setor financeiro e de tecnologia. O número evidencia um descompasso entre a consciência sobre a importância da diversidade e a efetiva ocupação de espaços de poder pelas mulheres. Ainda assim, os dados apresentados indicam que, mesmo em menor número, a atuação feminina já produz resultados significativos.


