
Foto Agência Brasil
Não será fácil a relação Lula-Trump neste ano eleitoral, porque o presidente americano se destaca, com a guerra que desencadeou, como principal responsável contra interesses dos trabalhadores, no Brasil e no mundo.
Ao escalar a inflação, a partir do aumento do preço do petróleo, elevando concentração da renda e acirrando desigualdade social, com instabilidade política generalizada, os trabalhadores são os principais prejudicados.
Trump vira, com a guerra, maior adversário de Lula na sua caminhada rumo ao quarto mandado na disputa eleitoral contra o bolsonarismo, que apoia o trumpismo de guerra.
Na prática, Trump dissolve a química que disse existir entre ele e Lula, se sua política de guerra se torna na maior adversária do lulismo que enfrentará o bolsonarismo.
Na verdade, o trumpismo guerreiro representa apoio ao bolsonarismo, que defende sua política de guerra, contra o lulismo que a combate por meio de políticas sociais, enquanto prega a paz.
Os neoliberais bolsonaristas se tornam aliados da política inflacionária trumpista, sugerindo, para combatê-la, ajustes fiscais, que aumentam, com os juros altos, concentração de renda e desigualdade social, favorecendo, dessa forma, o mercado financeiro especulativo, que só beneficia os rentistas.
A polaridade político eleitoral, na guerra, fica evidente: lulismo versus trumpismo-bolsonarismo.
QUEM PAGA A CONTA
Quem vai pagar a conta monumental da guerra sem motivo racional que Donald Trump e Benjamin Netanyahu estão produzindo contra o Irã para atingir principalmente a China, enquanto afeta todo mundo, indiscriminadamente?
Essencialmente, trata-se de guerra contra os trabalhadores assalariados e precariados que trabalham por conta própria no contexto econômico neoliberal.
Sofrerão mais os que, com as reformas neoliberais, como as que aconteceram no Brasil, nos governos Temer e Bolsonaro, perderam direitos sociais e trabalhistas, em nome da redução dos custos de produção para combater inflação.
Os capitalistas, que abraçaram o neoliberalismo, vão transferir os ônus, os aumentos de preços, aos trabalhadores, a fim de preservarem e aumentarem os lucros do capital.
ACIRRAMENTO DA LUTA DE CLASSES
A luta de classe vai acirrar-se entre capital e trabalho, e salários e lucros, certamente, viverão novos tempos de restrições.
Porém, perderão mais os que não possuem os meios de produção, no regime de propriedade privada.
Os que vivem de renda variável, ou seja, os trabalhadores, os que não têm para onde fugir, transferindo custos que impactarão seu salário e seu poder de compra, pagarão o prejuízo.
Os que detém rendas fixas, como detentores de poupanças e aplicações, no cenário dos juros altos, conseguirão, relativamente, preservar e até aumentar seus rendimentos.
A inflação, que, certamente, aumentará nos próximos meses, com o petróleo escalando os 120 dólares o barril, comerá os salários dos que percebem renda variável.
Os juros aumentarão para combater a alta dos preços, achatando poder de compra dos assalariados e precariados, trabalhadores por conta própria, enquanto favorecerão os rentistas e suas rendas fixas, beneficiados pelos juros escorchantes.
No cenário da alta geral dos preços, os capitalistas, com a guerra que Trump e Netanyahu desataram, sairão por cima.
GUERRA TRUMPISTA: MOTOR DA INFLAÇÃO
O petróleo parado no Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, pela resistência iraniana contra os ataques dos Estados Unidos e Israel, bombeará o novo processo inflacionário, afetando, negativamente, os salários, as rendas variáveis, em benefício dos que detêm rendas fixas, no modo de produção capitalista, favorecidos pelos juros altos e preços em ascensão.
Sobretudo, subirão, com a guerra trumpista genocida, os preços dos alimentos.
Os custos de produção, na agricultura, que dependem dos subprodutos do petróleo – nafta, fertilizantes nitrogenados(amônia, ureia, nitrato de amônio etc) – cuja produção e comercialização são controladas pelos oligopólios internacionais, aliados do imperialismo trumpista, subirão de preços, exponencialmente.
Os derivados de petróleo que transportam as mercadorias, idem, subirão e impactarão os salários dos trabalhadores.
É uma guerra contra os trabalhadores e a favor do capital, gerada pela irresponsabilidade trumpista.
São os assalariados os candidatos a pagar essa alta descontrolada de preços, desatada pela guerra trumpista e sionista contra os iranianos.
CONTRADIÇÃO CAPITAL X TRABALHO
Evidente que não serão os capitalistas, mas os trabalhadores, que terão suas rendas achatadas e sua qualidade de vida deteriorada, no capitalismo trumpista de guerra, quando acirram as contradições entre capital e trabalho.
Os capitalistas, donos dos meios de produção, no ambiente da propriedade privada, defenderão mais redução dos salários para preservar sua taxa de lucro, a fim de mantê-la estável e constante, a fim de tentarem reproduzi-la no ambiente de guerra.
Como essa possibilidade ficará mais difícil, no contexto do conflito bélico, a tendência à queda da taxa de lucro, será, sob pressão do aumento da inflação, o descolamento da produção de bens e serviços para a especulação com a elevação dos juros, que sempre sobem na crise.
Mais uma vez, portanto, serão massacrados os que detêm rendas variáveis, assalariados e precariados, em favor dos capitalistas, detentores de rendas fixas e especulativas nas bolsas.
CAPITAL CORRERÁ AO GOVERNO PARA SE SALVAR
Com certeza, como sempre, os capitalistas buscarão socorro nos governos, para se protegerem.
Defenderão aumentos dos subsídios, das isenções fiscais, dos perdões de dívidas tributarias etc., como compensação pela queda dos salários, que gerará insuficiência de consumo para absorver a produção capitalista como um todo, afetada pela crise desencadeada pela guerra trumpista genocida.
Os neoliberais, nesse novo contexto, buscam socorro nos cofres públicos para se salvarem, a fim de manter constante sua taxa de lucro, diante da redução dos salários.
Paralelamente, nesse processo de disputa pela renda, no acirramento da luta de classes, os capitalistas conservadores, com ajuda do poder midiático, reforçarão seus discursos em defesa dos ajustes fiscais.
Pregarão de forma redobrada cortes nos gastos primários do orçamento público – saúde, educação, infraestrutura, programas sociais distributivos de renda, como os mantidos pelo governo Lula etc -, para justificar combate à inflação desencadeada pelo trumpismo genocida de guerra.
Ou seja, a guerra de Trump e Netanyahu intensificará a luta de classe entre capital e trabalho.
CRUZADA DIREITISTA FASCISTA TRUMPISTA
Não é à toa que Trump se reuniu, em Miami, no último fim de semana, com sua tropa de choque de presidentes de direita fascista da América Latina, para se prevenir contra do que vem por aí, desencadeado por ele, para multiplicar a riqueza das corporações empresariais que serão favorecidas pela guerra inflacionária: revolta dos trabalhadores contra os aumentos exorbitantes de preços que sua ação guerreira irresponsável desencadeará nos próximos meses, acirrando lutas de classe em todo o mundo, especialmente, na América Latina.
A alta geral dos preços do petróleo, impactando os salários, em escala global, concentrará mais renda e aumentará exponencialmente a desigualdade social.
Os governantes de direita, arregimentados por Trump em caráter emergencial, terão uma função essencial: reprimir trabalhadores que protestarem contra o novo status social, econômico e político de guerra trumpista genocida.
Por isso, governos direitistas neoliberais antidemocráticos precisam ganhar eleições, a fim de reprimirem trabalhadores que protestarem contra o novo status quo pró-ditadura, que emergirá com a guerra, cuja função é a de achatar salários dos trabalhadores e aumentar lucros dos capitalistas, com a inevitável disparada de preços à vista.
ECONOMISTA PRÓ-TRUMP SE POSICIONAM PELO CAPITAL
Os economistas neoliberais a serviço do capital já estão combatendo ideias como a do governo social-democrata da Coreia do Sul, que passa a defender exclusão da alta dos preços do petróleo do cálculo da inflação como forma de diminuir o impacto na redução dos salários.
A direita radical na América Latina, que apoia Trump, não tem essa preocupação social manifestada pelo governo social-democrata sul coreano, ao qual o pensamento do presidente Lula se alinha, em defesa dos trabalhadores.
Para ela, ultradireita, os trabalhadores que se lasquem.
Se reclamarem, terão pela frente repressão policial, expressa em políticas de segurança fascistas, cujas consequências serão rompimento com as regras democráticas.
Enfim, vem por aí políticas de direita radicais para proteger o capital e prejudicar o trabalho como consequência direta da guerra trumpista genocida em escala global.
Os trabalhadores, no cenário de um mundo interconectado pela comunicação global instantânea on line terão, pela primeira vez na história, a motivação para reagir contra a brutalidade capitalista do império, levantando a bandeira marxista: trabalhadores de todo mundo uni-vos para a luta contra o capitalismo desencadeado pelo imperador Trump.
Renascerá, em escala mundial, a luta sindical para enfrentar o capital de guerra trumpista?