
A guerra virou um tormento insuportável para o imperador Trump.
Sua declaração de hoje de que o conflito bélico teria, do ponto de vista dele, alcançado uma etapa satisfatória – very complete – soou aos mercados sinal de estresse para continuidade do mesmo.
As palavras, como diz Freud, servem para esconder o pensamento.
Na prática, o presidente americano está levantando bandeira branca.
Ele não consegue manter a guerra por mais de uma semana sob pena de criar caos inflacionário global no qual seria engolido.
Os Estados Unidos não é o mundo, mas parte do mundo.
Não têm autonomia para agir fora das leis internacionais, que são construções objetivas erguidas pelo materialismo histórico-dialético.
As consequências econômicas, políticas e sociais explosivas, em forma de inflação, detonadas pelo unilateralismo imperialista, contra a lógica dialética do movimento internacional multilateralista em marcha, coloca em xeque-mate a loucura trumpista.
Diante do óbvio ululante, Trump, com sua declaração de hoje, levantando bandeira branca, reconhece, tacitamente, que não dá para continuar avalizando o nazifascismo genocida de Benjamin Netanyahu, que fez disparar, incontrolavelmente, o preço do petróleo, ferindo de morte a economia capitalista.
O preço a pagar, para sustentar o sonho de Netanyahu de construção da Grande Israel bíblica – puro fanatismo religioso -, à custa do roubo de território dos países do Oriente Médio, é suicídio político.
Trump embarcou numa canoa furada.
Manter-se ao lado do sionismo netanyahunista, que teria o convencido a entrar de cabeça na guerra, é entregar a eleição aos democratas, em novembro.
Do ponto de vista da realpolitik, é entregar o poder de bandeja ao adversário.
A inflação, que a guerra desata, leva-o à derrota, na Câmara e no Senado, preparando-lhe a armadilha do impeachment.
Transformar-se-ia em presidente pato manco.
AMÉRICA LATINA EXPLOSIVA
A vitória eleitoral do presidente Petros, na Colômbia, no último fim de semana, conseguindo equilibrar a seu favor a correlação de forças política, é o sinal de que o trumpismo fascista não suportará testes eleitorais na América Latina diante da inflação trumpista desencadeada pela guerra.
As forças políticas direitistas latino-americanas, aliadas de Trump, tendem a perder eleições diante do vendaval inflacionário à vista, caso prolongue a guerra, que fez explodir preço do petróleo.
A dialética da guerra traz em si o fortalecimento do antitrumpismo guerreiro, expresso em derrotas eleitorais, como aconteceu na Colômbia, com vitória de Petros, triunfando na renovação progressista de esquerda no parlamento colombiano.
A polaridade política, na América Latina, desenha-se com nitidez: esquerda x trumpismo e aliados direitistas latino-americanos.
E esse movimento tende a se generalizar globalmente como subproduto da guerra imperialista nazifascista trumpista, porque o desastre trumpista afeta todos os trabalhadores em escala global, acirrando luta de classes.
Trump está batendo de frente, de forma estrondosa, contra a humanidade, tentando afirmar o que não pára mais em pé: o unilateralismo imperial antidemocrático contra o multilateralismo democrático global.
Teerã, com bombardeios de mísseis supersônicos sobre as bases militares e refinarias de petróleo, no Oriente Médio, enquanto fecha o Estreito de Ormuz, por onde escorre 20% do ouro negro, para abastecer o mundo, vence Washington.

