Com o objetivo de buscar construir uma maioria consistente no Congresso nas eleições do final do ano, estamos organizando, em todo o País, uma rede de Oficinas Nacionais Online Para Debates Políticos. A meta imediata é a participação de cidadãs e cidadãos convencidos do imperativo de difundir e debater democraticamente a política brasileira e seus agentes, com foco na renovação da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
É comum no Brasil que as eleições se façam sem um prévio e amplo conhecimento sobre a vida e a biografia dos candidatos. O que se vê nas mídias são propostas eleitoreiras pagas com o dinheiro público, pelas quais os pretendentes ao Congresso se “vendem” como mercadorias, com a contrapartida de se deixarem cooptar pelas classes dominantes, sobretudo as financeiras, durante o mandato. O povo acaba traído.
Há nisso um desequilíbrio de forças entre os candidatos, visto que as oligarquias financeiras têm poder econômico para ditar os resultados das eleições, exercendo a força do dinheiro ao lado dos grandes partidos. O povo mais humilde e menos informado, em geral, fica inteiramente à margem desse processo, e acaba manipulado pelas classes dominantes. Os debates nas Oficinas visam, justamente, a inverter esse processo.
Espera-se que nas Oficinas surjam líderes políticos, especialmente jovens, que possam disputar as eleições e se juntar, caso eleitos, à parte do Congresso não comprometida com a corrupção e a degeneração institucional do País. Com isso, faríamos uma barreira vigorosa contra a ascensão do fascismo no mundo, que se manifesta nas vitórias recorrentes da direita e da extrema direita em vários países.
As Oficinas Online formarão uma rede nacional conectada entre si pela internet, assim como a um Conselho Executivo, que proporá, durante não mais que 10 minutos, os temas nacionais a serem debatidos no dia. Não deverão ficar, porém, limitadas a tais temas. A ideia é que, num programa com uma hora de duração, 50 minutos sejam destinados às discussões internas, focadas nas eleições locais e regionais.
Cada Oficina deve ter um coordenador para dirigir os debates e, no máximo, 10 participantes, comprometendo-se cada um destes a buscar a adesão de mais 10, a fim de formar o início da rede online com outras Oficinas, num processo que deve repetir-se progressivamente. Uma vez caracterizado o sucesso inicial do projeto, o Conselho Executivo cuidará da logística para a integração de todas as Oficinas no debate nacional.
A realização propriamente do projeto implicará o exame detalhado da biografia e do comportamento parlamentar dos candidatos à reeleição (por ex., quem votou a favor da PEC da blindagem e contra projetos de interesse público no campo ambiental). Paralelamente, deve-se estimular a candidatura dos mais jovens e de políticos acima de qualquer suspeita, já que será por aí que haverá efetiva renovação do Congresso.
Como, em tese, as Oficinas estarão conectadas entre si, é importante que suas sessões se realizem em horários diferentes para que participantes de uma delas possam acompanhar os debates que ocorrem nas outras, e eventualmente intercambiem informações e opiniões nelas e com elas. É desses debates integrados que devem surgir os nomes sugeridos pela rede como candidatos para a Câmara e ao Senado.
As Oficinas criarão uma lista negra para a orientação dos eleitores quanto a candidatos, evitando, porém, ataques pessoais que resultem eventualmente em ações judiciais – exceto quando se referem a fatos comprova-dos de forma inequívoca e pública. Numa palavra, a crítica deve ficar estritamente limitada ao campo político e ideológico, com ênfase no ataque à manipulação das classes menos informadas por parte de pretensos líderes religiosos que exploram o povo pobre pelo poder ou pelo dinheiro.
A composição das Oficinas dependerá de iniciativas de líderes locais determinados a tirar o Brasil da degeneração econômica e moral em que se encontra. Esses e os demais participantes atuarão de forma a contatar e convidar pessoalmente outros, a fim de que se forme uma grande corrente de oficinas que ganhe expressão nacional. Os debates de uma hora nas Oficinas serão transmitidos por uma plataforma digital e pelo rádio.
Execução
O Conselho fará antecipadamente uma agenda de debates de 15 em 15 dias para as Oficinas. E um coordenador de oficina, ou alguém indicado por ele, anuncia em seu dia de participação a agenda dos três dias seguintes. Isso articula o Conselho e as oficinas numa corrente de temas inter relacionados entre si, e facilita a apresentação pedagógica e os debates, especialmente para temas mais complexos de economia e política.
O movimento deverá ter um canal próprio na internet para veicular os debates, e um acordo com o mesmo objetivo com as tevês comunitárias assim como uma rede de rádios com alcance nacional. Uma vez estabelecido contatos com essas mídias, será necessário articular entre elas uma convergência logística de horários, provavelmente com uma programação de duas horas por dia, uma pela manhã e outra à noite.
Financiamento
Nosso propósito final é obter maioria no Congresso. O meio para isso é uma grande mobilização nacional, inicialmente pela internet. Uma vez adiantada essa meta, nas vésperas da eleição vamos à mobilização de rua, financiada pelo Instituto Mutirão Solar. (Por isso, mudamos o nome do projeto Limpar o Brasil para Vamos Mobilizar o Brasil). O Instituto Mutirão Solar, por sua vez, será financiado, em sua maior parte, por transferências resultantes dos resultados líquidos da revista Mutirão Solar. E a revista, por acordos dela com sindicatos e outras associações e entidades da Sociedade Civil que estimulem seus filiados a comprá-la por R$ 6,00. Desses, R$ 2,00 ficam com as entidades, R$ 2,00 para produção e edição da revista, e os restantes R$ 2,00 para serem repartidos, obrigatoriamente, entre transferências financeiras e a plataforma digital.