
O mundo atravessa uma profunda transição geopolítica.
A antiga ordem unipolar, dominada pelos interesses do eixo atlântico, dá lugar a um cenário cada vez mais multipolar:
- Países buscam recuperar instrumentos de soberania econômica, energética e tecnológica;
- E, nesse contexto de disputas comerciais, reindustrialização global e reorganização das cadeias produtivas, o Brasil possui uma importante oportunidade histórica.
Para aproveitar plenamente essa oportunidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa transformar a conjuntura internacional em motor de um novo ciclo de desenvolvimento nacional — e é imprescindível que essa agenda se torne o eixo central da disputa política nas eleições de 2026.
A soberania do Brasil passa necessariamente pela retomada do controle público sobre setores estratégicos: nesse sentido, a reestatização da Eletrobrás – medida fundamental para garantir planejamento energético de longo prazo, tarifas mais justas e segurança no fornecimento, deve ser o ponto chave dessa agenda.
Da mesma forma, a recuperação da BR Distribuidora — hoje rebatizada como Vibra Energia — precisa ser pautada, visando recompor a integração logística da Petrobrás, fortalecendo uma política energética voltada para o interesse nacional:
- Sendo fundamental que a Petrobrás volte a investir fortemente em refino, petroquímica, fertilizantes e infraestrutura energética;
- E retome a lógica de uma cadeia produtiva integrada – capaz de gerar empregos, tecnologia e valor agregado dentro do país.
Outro pilar essencial dessa estratégia é o investimento em novas fronteiras energéticas – com o fortalecimento da indústria nuclear brasileira:
- Em um mundo que busca reduzir emissões sem abrir mão da confiabilidade energética, a energia nuclear volta a ocupar posição estratégica;
- O Brasil tem domínio tecnológico acumulado e grandes reservas de urânio – ampliar esse setor significa fortalecer a soberania científica e industrial, garantindo segurança energética, estabilidade no sistema elétrico e avanço tecnológico fundamental para o desenvolvimento do país.
Mas é preciso ter a clareza que desenvolvimento não se mede apenas por megawatts ou barris de petróleo – ele precisa chegar à vida concreta da população.
Diante desse cenário, a eleição de 2026 tende a se transformar em um verdadeiro plebiscito sobre dois projetos de país:
- De um lado, o projeto de soberania nacional, reindustrialização e fortalecimento do Estado como indutor do desenvolvimento;
- De outro, a continuidade da lógica neoliberal de privatizações, financeirização da economia e dependência externa.
Transformar a atual conjuntura geopolítica em oportunidade histórica exige coragem política, visão estratégica e apoio popular. E essa agenda precisa ser colocada com clareza diante da sociedade:
- O Brasil não precisa apenas crescer;
- Mas, também, inaugurar um novo ciclo histórico de desenvolvimento com justiça social, soberania energética e protagonismo internacional.
A grande questão para 2026 é simples e decisiva: aproveitar a oportunidade e libertar o Brasil das pressões externas para que, finalmente, possa assumir seu destino como uma grande nação soberana.
Políticas como a tarifa zero no transporte público e a implantação da escala de trabalho 5 x 2, com garantia de descanso e qualidade de vida para os trabalhadores (sem perda salarial), representam um novo pacto social entre crescimento econômico e dignidade do trabalho no Brasil:
- Experiências de tarifa zero em diversas cidades brasileiras já demonstram que mobilidade acessível dinamiza a economia urbana, amplia o acesso ao emprego e melhora a qualidade de vida nas metrópoles;
- Enquanto a redução da jornada e a organização mais humana do trabalho significam mais saúde, mais convivência familiar e mais produtividade social.
Nesse mesmo sentido, a valorização imediata e mais expressiva do Salário Mínino deve ocupar papel central nesse novo pacto social, junto com a redução imediata da taxa Selic – que deve acontecer com a reversão da independência do Banco Central:
- Elevar de forma consistente o poder de compra da base da pirâmide social, significa dinamizar o mercado interno, estimular o comércio, fortalecer pequenas e médias empresas e reduzir desigualdades históricas;
- E a reversão da independência do Banco Central, permitir que a política monetária volte a dialogar com os objetivos maiores do país — crescimento econômico, geração de empregos, reindustrialização e desenvolvimento nacional.
Quando o Estado assume o papel de indutor do desenvolvimento os benefícios se espalham por toda a sociedade:
- A valorização do Salário Mínimo é uma poderosa estratégia de desenvolvimento econômico, capaz de distribuir renda, ampliar o consumo popular e impulsionar o crescimento do país de maneira mais equilibrada;
- A recuperação da coordenação entre política monetária, fiscal e industrial é essencial para retomar o desenvolvimento – juros mais baixos ampliam o crédito, estimulam investimentos, reduzem o custo da dívida pública e liberam recursos para políticas sociais e estratégicas;
- A escala 5×2 viabiliza a recuperação física e mental do trabalhador, promove o aumento da produtividade e a redução de afastamentos por saúde, e um melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional;
- O transporte acessível permite que trabalhadores e estudantes circulem com dignidade;
- Uma política energética soberana garante preços justos e segurança nacional;
- E a reindustrialização cria empregos qualificados, fortalece o mercado interno e reduz a dependência externa.
Ou seja, mais do que um conjunto de políticas isoladas, trata-se de um verdadeiro projeto de nação: um projeto que articula soberania energética, desenvolvimento industrial e justiça social como parte de uma mesma estratégia histórica.
Enfim, as eleições de 2026 podem marcar muito mais do que um pleito eleitoral e representar o momento em que o povo brasileiro decidirá se quer continuar refém de um modelo que concentra renda e fragiliza o Estado — ou se optará por um novo caminho de desenvolvimento, capaz de combinar crescimento econômico, inclusão social e soberania nacional.
Se houver clareza política e comunicação eficiente para promover a mobilização popular, o Brasil poderá transformar a turbulência do cenário internacional em alavanca para um novo ciclo histórico:
- Deixar de ser apenas o país do futuro;
- E tornar-se, de fato, uma potência soberana construída pelo Trabalho e pela dignidade de seu Povo.
O Brasil possui território, recursos naturais, capacidade científica e um Povo Trabalhador. O que falta, portanto, não é potencial — é decisão política, coragem para enfrentar o rentismo e reconstruir o Estado. Decisão que precisa ser tomada pelo Povo Brasileiro agora em 2026.

