Original em: https://monitormercantil.com.br/bc-da-desculpa-da-guerra-e-reduz-juros-em-so-025-ponto/
Com alegação de que o ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu reduzir a taxa de juros Selic em apenas 0,25 ponto percentual (pp), para 14,75% ao ano, frustrando as expectativas de um corte de ao menos 0,5pp.
Em relação a possíveis novos cortes, o comunicado do Copom foi especialmente evasivo. “No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.”
A decisão foi divulgada ás 18h33 desta quarta-feira. Mais cedo, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) manteve a taxa de juros entre 3,50% e 3,75%. O comunicado do Fomc e a coletiva de do presidente do Fed, Jerome Powell, consolidam uma leitura claramente conservadora da autoridade monetária, analisa Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos. Powell deixou claro que os juros não cairão se a inflação não cair.
O dólar se fortaleceu no final do pregão de quarta-feira. O índice DXY, que mede o valor da moeda estadunidense em relação a seis outras moedas principais, subiu 0,52%, para 100,092, às 19h GMT. No final do pregão em Nova York, o euro estava cotado a US$ 1,1516, ante US$ 1,1542 na sessão anterior, e a libra esterlina caiu para US$ 1,3341, ante US$ 1,3360 na sessão anterior. As Bolsas de Valores caíram.
BC e a inflação no Brasil
Em relação ao cenário doméstico, o comunicado do Copom relembra que o conjunto dos indicadores segue apresentando, “conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação”, baseando a projeção na pesquisa Focus, feita junto ao mercado financeiro e que costuma errar 75% das previsões.
“Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio”, diz o Copom, que considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio, em particular os efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil.
A votação foi unânime: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.
Críticas à redução dos juros em somente 0,25 ponto
A Força Sindical avaliou que o Comitê de Política Monetária acertou no remédio, mas errou na dosagem, ao reduzir a taxa de juros Selic em apenas 0,25 ponto porcentual. “A queda é muito tímida”, destacou, ressaltando que a taxa continua “muito alta e exorbitante’.
“O corte na taxa de juros é insuficiente para injetar mais ânimo na economia e fortalecer o consumo e geração de empregos de qualidade. Mantendo a Taxa Selic em patamares estratosféricos, o Banco Central irá prejudicar as negociações das categorias nas campanhas salariais nesse primeiro semestre”, ressaltou a Força.


