
O mundo está estrangulado no Estreito de Ormuz.
Se o louco de Washington resolver jogar bomba atômica no Irã para tentar resolver o problema, poderá piorar exponencialmente a situação do abastecimento de petróleo, a moeda que tem valor real nas trocas internacionais.
Os 5 mil soldados americanos que ele desloca para lá, na esperança, certamente, vã de que conseguirá alguma coisa objetiva, não resolverão o impasse, se forem combater em terra, em condições adversas, em território desconhecido.
Afinal, o Irã, em terra firme, com um exército de milhões armados até os dentes, sem falar nos armamentos sofisticados de apoio disponíveis, não terá muita dificuldade de anulá-los, em conflito que se estenderá no tempo, promovendo desgastes inevitáveis nos invasores, tal como aconteceu no Vietnam.
Milhares de caixões com defuntos americanos podem retornar a Washington para serem enterrados, sob à vista dos americanos revoltados, a indagarem porque o louco genocida resolveu levar o país a essa guerra, para atender interesses de Israel, em seu sonho sionista, igualmente, louco de construir, no Oriente Médio, a nação de Abraão.
O que os americanos têm a ver com isso, perguntarão na hora de enterrar seus mortos, como fatura pela aventura trumpista?
Trump está numa enrascada: tem todas armas poderosas do mundo, mas não pode, no limite, utilizá-las, se o preço a pagar for a destruição da humanidade.
Se for ao limite, arrasta o mundo à guerra atômica, que tem potencial para destruir tudo o que se construiu ao longo da história humana.
É razoável isso?
Eis o estresse final do modo de produção capitalista, empenhado em sobreacumulação sem limites, em sua fase atual, dominado pela economia digital e pela IA, porém, preso no garrote de Ormuz, controlado pelo Irã, apoiado pela China e Rússia, germe da nova divisão internacional do trabalho, sob comando dos BRICS.
A desorganização econômica que se avizinha levanta contradições que põe o sistema capitalista de cabeça para baixo.
A infraestrutura produtiva e ocupacional instalada nos cinco continentes, sob olhar de mais de 800 bases militares, como guardiãs do sistema em crise de realização de lucros, se destruída por bomba atômica, leva àquilo que Einstein previu: a quarta guerra mundial será travada, se for, por personagens munidos de paus e pedra, com a volta do homem ao seu estágio primário etc.
O império capitalista perdeu capacidade de dispor de bom senso sob o comando de um Nero disposto, se contrariado, a tacar fogo em tudo.
O racha que se registra dentro de suas fronteiras já demonstra a impossibilidade de se afirmar em sua irracionalidade, quando todos dizem não às suas proposições.
A renúncia de um personagem do sistema, responsável por políticas de contraterrorismo, ligado ao Pentágono, por discordar das coordenadas trumpistas imperialistas, demonstra a divisão inexorável dentro dos Estados Unidos.
É momento de estarrecimento global.
CONTRIBUIÇÃO BRASILEIRA AO DEBATE GLOBAL
Porém, se a racionalidade e o bom senso vencerem a ignorância e a estupidez, como prova da insustentabilidade do capitalismo americano como proposta capaz de evitar o caos, pois, ao contrário, mostra o seu aprofundamento, como se revela neste instante histórico, o choque histórico se abre às novas possibilidades para os países, especialmente, da periferia, se se despertarem neles consciência política quando à inevitabilidade do espírito cooperativo como guia dos povos.
Não há como discordar dos que comungam com as pregações em favor de uma NOVA ONU a partir de uma reforma que retrate a necessidade de vigorar novas circunstâncias políticas, depois do fracasso americano que se evidencia no Oriente Médio.
O capitalismo está terminando, ou pode se organizar em novas bases, em meio às contradições que o levam sempre à guerra?
Nesse sentido, é necessário aprofundar-se em proposições como as que fazem teóricos da ciência social, como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em seu novo livro, “Capitalismo Super Industrial”, no qual coloca em dúvida se o socialismo é o destino dos homens ou se ainda resta espaço para as reformas do próprio capitalismo, em sua capacidade de evolução no plano científico e tecnológico para superação da luta de classes.
Haddad diz que não há capitalismo na China, que lá, sim, existe uma classe dirigente, o partido comunista, que se sobrepõe à classe dominante, a capitalista, no cenário em que 61% do PIB chinês corresponde à riqueza privada.
O equilíbrio entre o PC chinês e os capitalistas chineses será o ponto final ou a superação do trabalho se sobreporá ao capital, em meio ao predomínio crescente da classe dirigente sobre a classe dominante, subjugada à política como o poder real?
O caráter socialista, de outro ponto de vista, como o defendido por Elias Jabour, estudioso da China, autor de “China – Socialismo do Século 21”, já está dado com a propriedade da terra em mãos do Estado e não mais da propriedade privada, submetida à ordem da classe dirigente, do partido comunista.
Tal condição cria as bases de relação entre a micro e a macroeconomia, sob comando do partido comunista, que, segundo Jabour, dissemina a consciência social predominante no conceito de desenvolvimento entre ambas as instâncias econômicas, em sua fase pós-capitalista
Do outro lado, o capitalismo americano, como se evidencia na Guerra do Petróleo atual, se mostra em colapso, porque perdeu a corrida da produtividade, justamente, porque a classe dirigente, capitalista, se confunde com a classe dominante, em defesa de um unilateralismo que, em meios às suas contradições, virou problema que inviabiliza solução, tornando-se puro impasse.
Nesse contexto, como mostra a guerra, expondo a incapacidade americana de continuar sendo a hegemonia, resta a subordinação da nova divisão internacional do trabalho que emerge do conflito a uma nova racionalidade global, que só pode estar sob coordenação de NOVA ONU, mediante novos critério de segurança internacional, que nega a irracionalidade americana sob loucura trumpista.

