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BC e Trump são maiores adversários à reeleição de Lula ao 4° mandato. Por César Fonseca

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O desabafo desesperado da ex-ministra Gleisi Hoffman, que disputará o Senado pelo Paraná, de que a taxa de juro virou o grande tormento nacional, virou alerta máximo do petismo na disputa eleitoral.
Não é para menos: ela bombeia incontrolavelmente as dívidas das famílias, no crediário(R$ 29 de juro a cada R$ 100 de salário), bem como a dívida pública, custo anual de R$ 1 trilhão bloqueia o desenvolvimento econômico sustentável.
Ficou claro que, no ambiente em que o país/mundo passou a viver, em tempo de guerra, dois são os maiores adversários do presidente Lula ao quarto mandato:
1 – o Banco Central Independente(BCI); e
2 – o presidente americano Donald Trump.
Se antes da guerra, que Trump desencadeou, desnecessariamente, contra o Irã, estava mais fácil prever vitória lulista, agora, a situação complicou.
O conflito bélico, que, segundo o ministro Celso Amorim, pode produzir nova guerra mundial, somado à taxa de juro do BCI, a mais alta do mundo, gerada por política monetária neoliberal, obrigam o presidente Lula a se virar nos trinta.
A carestia, com o aumento de cerca de 30% dos combustíveis, detonado pela guerra, entrou radar da população em tempo de eleição, de forma mais nítida.
Afinal, o assunto, nas últimas semanas, tem sido, predominantemente, o esforço que o presidente Lula empreende para evitar que os efeitos da alta dos preços afetem os salários dos trabalhadores, reconhecidamente precarizados pelas reformas neoliberais, impostas pelos governos Temer e Bolsonaro(2016-2022).
Os gastos públicos, necessariamente, terão que aumentar para aliviar a população socialmente excluída, como os destinados a bancar o Bolsa Gás, o Bolsa Família, o BPC(Benefício de Prestação Continuada), acrescidos dos subsídios ao diesel mais caro, depois da guerra.
Certamente, o governo, também, terá que apressar, no curtíssimo prazo, conquistas sociais, que revertam em aumento indireto do poder de compra da população, como a redução da jornada de trabalho, com manutenção dos salários, bem como avançar na prometida gratuidade do transporte público.
Terá que enfrentar com essa agenda popular o Congresso reacionário, que diante dela, ficará em sinuca de bico; se rejeitá-la, poderá ser punido nas urnas.
TAREFA ELEITORAL DA FAZENDA
São conquistas que, para serem alcançadas, obrigarão a equipe econômica a abrir cofre para elevar a oferta de dinheiro em circulação, de modo a puxar a demanda global, visto que não se espera redução significativa da taxa de juro Selic, na casa dos 14,75%, a fim de levar os empresários, de forma rápida, decidida, aos investimentos.
É, enfim, a receita keynesiana, em oposição à monetarista, que prioriza corte de gastos para atender o rentismo, que semiparalisa a economia.
Mais gastos públicos, pela autoridade monetária, que Keynes considera a única variável econômica, verdadeiramente, independente, no capitalismo, produz seis fatores simultâneos que puxam, imediatamente, a demanda global:
1 – reduz, rapidamente, a taxa de juros; 2 – eleva os investimentos; 3 – aumenta os preços com elevação da demanda; 4 – contém os salários; 5 – perdoa dívida dos capitalistas e dos consumidores contratada a prazo e 6 – aumenta a eficiência marginal do capital(lucros).
O resultado é aumento do déficit público em reais, porque, graças às políticas sociais lulistas, o governo deixou de acumular dívida externa; como passou a emitir moeda nacional, desde então, não corre risco de descontrole inflacionário, o que ocorreria, se o país acumulasse passivo externo, como no tempo da ditadura militar.
O aumento do déficit público, sem perigo de pressão inflacionária, porque o governo emite moeda para cobrir suas despesas, mediante juro mais baixo que a maior oferta monetária proporciona, criaria, no curto prazo eleitoral, horizonte de retomada sustentável da economia.
A economia iria no sentido contrário ao que ocorre no momento, em que o BCI impõe, sob pressão do mercado financeiro, rentismo antidesenvolvimentista, para atender a Faria Lima.
O previsível quarto mandato lulista, portanto, no cenário de final de terceiro mandato em que se conjuga guerra com austeridade fiscal neoliberal, demanda decisão política desenvolvimentista.
Essencialmente, ela sintoniza com a pregação da candidata ao Senado pelo Paraná, Glesi Hoffman, que se contrapõe à restrição monetária neoliberal do BCI e ao discurso da direita e ultradireita antinacionalista, adequada, não aos interesses nacionais, soberano, mas ao interesse trumpista antidesenvolvimentista antinacionalista.

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