
Original em: https://actualidad.rt.com/actualidad/598826-son-principales-desacuerdos-iran-eeuu
As principais discordâncias nas negociações entre Irã e Estados Unidos giraram em torno dos pedidos para que Teerã renuncie ao controle do Estreito de Ormuz e seu estoque de urânio enriquecido, relata a Axios com referência a uma fonte familiarizada com o assunto.
O New York Times relata, citando autoridades iranianas familiarizadas com o assunto, que até a madrugada de domingo, três principais pontos de discordância permaneciam:
- A reabertura do Estreito de Ormuz
Os Estados Unidos exigiram que o Irã reabra imediatamente a passagem marítima, pela qual cerca de 20% de todo o petróleo e gás do mundo é comercializado, mas Teerã se recusou, dizendo que só o faria após um acordo de paz final, segundo autoridades familiarizadas com o assunto.
- O Destino do Urânio altamente enriquecido do Irã
Outra fonte de discordância foi a exigência do presidente Donald Trump de que o Irã entregasse ou vendesse todo seu ‘estoque’ de urânio enriquecido. Teerã apresentou uma contraproposta, porque sempre defendeu seu direito de desenvolver um programa nuclear pacífico, mas, segundo as mesmas fontes, as partes não chegaram a um compromisso.
- A demanda do Irã pela liberação de cerca de 27 bilhões de dólares em receitas congeladas do exterior
O Irã também pediu reparações pelos danos causados por seis semanas de bombardeios aéreos e exigiu que suas receitas de petróleo retidas no Iraque, Luxemburgo, Bahrein, Japão, Catar, Turquia e Alemanha fossem liberadas para reconstrução. Washington rejeitou ambos os pedidos.
O que Washington e Teerã dizem?
Após as negociações deste fim de semana na capital paquistanesa, Islamabad, o Irã denunciou declarações falsas e exigências excessivas da delegação dos EUA.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, observou que vários aspectos cruciais foram discutidos durante as negociações, incluindo o Estreito de Ormuz, a questão nuclear, as reparações de guerra, o fim das sanções e “o fim definitivo da guerra contra o Irã e a região.” No entanto, ele afirmou que, devido a diferenças de posição, não era possível chegar a um acordo.
“Em várias questões chegamos a um entendimento, mas em duas ou três questões importantes, as posições permaneceram distantes e, no final, as negociações não levaram a um acordo”, revelou ele.
Além disso, o porta-voz destacou “a complexidade das questões e condições.” “Nessas negociações, algumas questões novas foram adicionadas, como a questão do Estreito de Ormuz, e cada uma delas tem sua própria complexidade”, disse ele.
O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, por sua vez, disse no domingo que o lado iraniano “não aceitou” as condições de Washington. Segundo Vance, os negociadores dos EUA deixaram suas condições claras: “Deixamos muito claro quais são nossas linhas vermelhas, quais coisas estamos dispostos a acomodar e quais não somos.” “Deixamos isso o mais claro possível, mas eles decidiram não aceitar nossas condições”, disse ele.
O Estreito de Ormuz, a verdadeira ‘arma’ do Irã