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Carta da esquerda para a esquerda diante da defesa de Messias no STF:. Por Manoel J de Souza Neto

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Original em: https://www.facebook.com/claudio.ribeiro.33/posts/pfbid0hNu46oJQnVXcMr5JbCgmHq7CzCxzRjLPEmXYrKUWxBRSRV5G1wCQmzgiebev676Sl

A justificativa da derrota da indicação de Messias ao STF feita por parte da esquerda, não altera o fato de que a derrota na indicação é tripla. Lula indica um conservador com agenda liberal na economia e moral religiosa igualmente conservadora, um perfil funcional ao PL, é derrotado na indicação e ainda abre espaço para que o centrão sinalize descontentamento com o governo em pleno ano eleitoral. Há um momento em que se olha para a realidade como ela é, ou se permanece torcendo por líderes e grupos, ignorando as consequências concretas dessas decisões. Uma via é a manutenção de vigilância permanente sobre a agenda popular socialista e comunista, a outra é a do governismo permanente. Nunca estive tão convicto como nos últimos anos, quando compreendo, na defesa do povo, o que de fato importa a partir da análise do materialismo histórico dialético e o que não importa, funcionando apenas como joguete na disputa de poder promovida por blocos e grupos de interesse. Vejamos um exemplo. A esquerda recentemente apropriou para si a narrativa de Petra Costa, autora do filme sobre o impeachment de Dilma, sem considerar as ligações da diretora com uma família associada à Lava Jato. Agora divulgam Apocalipse nos Trópicos de 2024 como filme da esquerda, sendo um documentário brasileiro dirigido e produzido por Petra Costa, conhecido por explorar a intersecção entre religião e política. Entre os principais membros da equipe de direção estão Petra Costa e Alessandra Orofino, com produção de Petra Costa, Alessandra Orofino e da produtora Plan B, de Brad Pitt. Consideremos os fatos. Petra Costa é filha e neta de Gabriel Donato de Andrade, um dos fundadores da construtora Andrade Gutierrez. A empresa foi central nas investigações da Operação Lava Jato por corrupção, propinas e fraudes. Em Democracia em Vertigem, Petra menciona essa ligação familiar e a suposta militância de esquerda de seus pais, Marília Furtado de Andrade e Manuel da Silva Costa Júnior, ligados ao mesmo grupo. Muitos empresários e agentes políticos embarcaram nessa estratégia de se declarar de esquerda para obter vantagens durante os anos do PT, e empreiteiras historicamente operam em função dos governos. O conflito de interesses na narrativa é evidente, pois há uma defesa indireta de uma família atingida pela Lava Jato ao mesmo tempo em que o discurso se dirige à esquerda. Trata-se de uma autodefesa revestida de discurso político. Quem é a produtora e diretora adjunta do filme Apocalipse nos Trópicos. Alessandra Orofino é ativista brasileira, aliada de Bruno Torturra, fundador da Mídia Ninja, e ambos defensores das jornadas de junho de 2013, movimento que contribuiu para o processo que culminou no impeachment de Dilma dois anos depois. Ela é cofundadora da NOSSAS, antiga Meu Rio, reconhecida por mobilização digital e ativismo cívico. Formou-se em Economia e Direitos Humanos na Columbia University e estudou na Sciences Po com bolsa da Fundação Estudar em 2009. Atuou na Purpose, em Nova York, organização vinculada à agenda de justiça ambiental e à esquerda identitária financiada por entidades como Ford Foundation e Rockefeller Brothers Fund, onde foi fundadora e dirigente. Foi palestrante no TED Global em 2014 (palestras citadas em artigo do Banco Mundial), participou do Aspen Ideas Festival, publicou no The New York Times, El País, BBC e Stanford Social Innovation Review, além de integrar o Global Agenda Council on Civic Participation do Fórum Econômico Mundial, conhecido por sua reunião anual em Davos e por representar a elite do capitalismo global, grandes corporações, chefes de Estado e influenciadores. Recebeu títulos como Obama Fellow em 2019, Ashoka Fellow em 2020 e Skoll Award em 2022. Sua organização NOSSAS recebeu apoio de Open Society Foundations, Ford Foundation, Omidyar Network, Luminate e Google Impact Award. Também foi showrunner do Greg News na HBO e apresenta, ao lado de Gregório Duvivier e Bruno Torturra, o podcast Calma Urgente. Recentemente o programa entrevistou Lula em uma agenda que combina pautas ambientais, raciais e de gênero com uma economia social-democrata. O filme foi produzido em parceria com a Plan B, de Brad Pitt, ator e produtor com posições políticas geralmente alinhadas à esquerda moderada nos Estados Unidos, frequentemente caracterizada aqui como centro à direita. Defende controle de armas, igualdade LGBTQ+ e ações contra a mudança climática, mas não aborda o socialismo. Embora não seja militante partidário, Pitt é apoiador e doador de candidatos do Partido Democrata. Sua produtora destaca-se em Hollywood por projetos com conteúdo social e crítica política dentro dos limites do padrão americano, como A Grande Aposta, que expõe a bolha imobiliária enquanto reafirma a ideia de um “capitalismo com ética” para combater a fraude, o que já revela uma contradição. Apocalipse nos Trópicos insere-se nesse mesmo paradoxo ao evitar discutir o capital e deslocar o debate para o eixo moral entre esquerda identitária e conservadorismo evangélico. Curiosamente, Lula aprovou a ampliação do uso da Lei Rouanet por setores da cultura evangélica, firmou acordos com pastores e tentou indicar um evangélico ao Supremo Tribunal Federal, ao mesmo tempo em que dialoga com o liberalismo da agenda woke norte-americana. Sem questionar de forma alguma a legitimidade de todos os grupos sociais citados, essa combinação expõe as contradições da esquerda atual, que para se manter na máquina capitalistas e com as elites do passado, se aproxima de conservadores por um lado e de liberais identitários vinculados ao capitalismo global por outro, sem um projeto consistente, sem reformas estruturais e sem compromisso efetivo com a luta de classes. O que restou aos socialistas e comunistas? Abraçar o capital internacional, os conservadores moralistas de um lado, e dizer amem aos jovens capitalistas do identitarismo que divide a sociedade? Que plano temos para 2026? Vão me dizer que é Lula. E de que Lula é o começo, o meio e o fim. O culto petistas explica a aproximação com os evangelhos, e o martírio, e a ascenção aos céus do líder, e de como desamparados e aterrorizados, os fiéis, cantarão e exaltarão aos céus por seu retorno. Sem Lula acabou o PT, e a esquerda deformada pelo governismo, se tornará com centrão e parte da direita num “peronismo” a brasileira, emergindo das ruinas do que restar após Lula. São duras as palavras meu amigo, meu camarada. Mas são necessárias, e deveriam ecoar, para que se perceba a falta de projeto, de coerência e integridade, antes que novembro chegue. Minhas saudações.

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