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Estreito de Ormuz: novo temor dos EUA e alvorecer de uma nova ordem regional. Por Mehr News Agency

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Após a fracassada guerra de quarenta dias entre os Estados Unidos e o regime sionista contra o Irã, o Oriente Médio entrou em uma nova fase — uma que alterou drasticamente muitas relações anteriores e tornou praticamente impossível o retorno ao status quo pré-guerra. A guerra não apenas falhou em alcançar os objetivos estratégicos de Washington e Tel Aviv, como também levou muitos estados da região a repensarem a própria noção de segurança e sua dependência dos Estados Unidos. Durante anos, os governos árabes do Golfo Pérsico presumiram que a presença militar americana e a proteção oferecida por Washington garantiriam sua segurança, mas a recente guerra demonstrou que essa segurança emprestada não oferece utilidade real em momentos de crise.

Durante os ataques do Irã, os países árabes perceberam que, em caso de uma guerra em larga escala, os Estados Unidos estão mais interessados ​​em gerenciar a crise para servir aos seus próprios interesses do que em defender genuinamente seus aliados regionais. Essa constatação inaugurou uma nova compreensão da segurança na região — uma em que os Estados regionais estão dando maior atenção às capacidades locais, à cooperação regional e às realidades geopolíticas.

Talvez o desenvolvimento mais significativo do pós-guerra, no entanto, seja a mudança no status jurídico e de segurança do Estreito de Ormuz. O estreito tem sido, há muito tempo, um dos pontos de estrangulamento energético mais críticos do mundo, por onde transita grande parte do petróleo e gás globais. Antes da guerra, os Estados Unidos buscavam projetar a ideia de que a segurança dessa via navegável estratégica só poderia ser garantida por meio da presença militar de Washington. Agora, as circunstâncias mudaram. O Irã declarou explicitamente que, daqui para frente, administrará o Estreito de Ormuz de forma inteligente. Isso se tornou uma das principais preocupações do governo Trump.

A realidade é que, antes da guerra, os americanos consideravam o Estreito de Ormuz uma área sob sua influência — uma via navegável onde frotas americanas estavam presentes e para a qual Washington se apresentava como garantidor de passagem segura. Mas o Irã conseguiu criar uma nova equação, na qual o papel de Teerã na gestão da segurança e das regras que regem o trânsito pelo estreito tornou-se inegável. Da perspectiva americana, isso constitui uma derrota estratégica, demonstrando que a política de pressão máxima e guerra não enfraqueceu a posição do Irã, mas, ao contrário, fortaleceu o papel geopolítico de Teerã.

A questão ganhou maior relevância quando surgiram rumores de que o Irã e Omã estariam estudando um mecanismo para a cobrança de pedágios ou taxas de trânsito no Estreito de Ormuz. Isso rapidamente provocou a ira de Washington, pois os Estados Unidos sabem muito bem que qualquer alteração na estrutura de gestão do estreito poderia prenunciar o início de uma nova ordem regional — uma ordem na qual os estados da região agem em seus próprios interesses, em vez de seguirem as diretrizes americanas.

As duras reações das autoridades americanas decorrem dessa mesma ansiedade profunda. Donald Trump, usando uma linguagem incomumente inflamada, ameaçou que Omã “explodiria” se prosseguisse com tal plano. Essa ameaça explícita contra um país que, durante anos, foi um ator equilibrado e próximo do Ocidente na região, revelou que Washington não tolera nem mesmo o menor sinal de independência política no Golfo Pérsico.

Posteriormente, Scott Bessent, Secretário do Tesouro dos EUA, declarou abertamente que Washington não aceitaria qualquer tentativa de impor tarifas ou pedágios no Estreito de Ormuz e que visaria qualquer parte, direta ou indiretamente, envolvida em tal processo. Sua menção específica a Omã ressaltou ainda mais o quanto os Estados Unidos temem uma convergência entre Mascate e Teerã.

Essas ameaças, contudo, tiveram efeito contrário e foram recebidas com uma resposta contundente da elite omanita. Hatem al-Taie, editor-chefe do jornal omanita Al-Ru’ya, descreveu Trump como “incapaz de fazer guerra” e atribuiu suas ameaças ao fracasso dos Estados Unidos em avançar com o projeto de normalização das relações dos estados árabes com o regime sionista. Essa postura demonstra que, mesmo entre as elites dos países árabes, a percepção das políticas americanas está mudando, e muitos não estão mais dispostos a tolerar a linguagem de humilhação e ameaças de Washington.

Entretanto, Javier Blas, colunista da Bloomberg, escreveu nas redes sociais que, dadas as ameaças diretas da Casa Branca e do Departamento do Tesouro dos EUA, Omã parece estar considerando seriamente seguir o Irã na implementação de algum tipo de sistema de “pedágio” ou “taxa de trânsito” no Estreito de Ormuz. A importância desse comentário reside no fato de que até mesmo analistas ocidentais agora levam a sério a possibilidade de novos acordos no estreito.

Na verdade, o Estreito de Ormuz está no coração da geografia do Irã e de Omã, e é natural que sua segurança, gestão e regulamentações de trânsito não possam ser concebidas sem levar em conta os interesses desses dois Estados. Durante anos, os Estados Unidos buscaram controlar as artérias vitais de energia do mundo por meio de presença militar e pressão política, mas agora se deparam com uma nova realidade — uma que demonstra que os Estados da região não estão mais dispostos a simplesmente implementar as políticas da Casa Branca.

As recentes ameaças americanas em relação ao Estreito de Ormuz são menos um sinal de força do que uma expressão da profunda ansiedade de Washington com a mudança no equilíbrio de poder na região. Após fracassar em seus projetos regionais, não conseguir conter o Irã e não expandir o processo de normalização, os Estados Unidos agora enfrentam uma crise crescente de influência cada vez menor. Por essa razão, a linguagem das ameaças e das sanções tornou-se a principal ferramenta de Washington — uma ferramenta que parece ter perdido sua eficácia anterior.

A realidade é que a era da imposição de vontades por meio de navios de guerra e sanções econômicas está chegando ao fim. As nações e os governos da região estão agora mais assertivos do que nunca em relação ao seu direito de gerir a sua própria segurança e os seus interesses. Nessas circunstâncias, o Estreito de Ormuz não é apenas uma via navegável econômica; tornou-se um símbolo da mudança no equilíbrio de poder e do alvorecer de uma nova ordem regional — uma ordem na qual o papel dos atores locais será mais decisivo do que nunca, e os Estados Unidos não poderão mais impor a sua vontade à região como faziam antes.

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