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Putin e Trump aprofundam dependência econômica europeia e fragilizam Otan. Por César Fonseca

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O chanceler russo, Serguéi Lavrov, anuncia que os presidentes russo, Vladimir Putin, e americano, Donald Trump, estão em negociação para compra, pelos Estados Unidos, dos gasodutos Nord Stream I e II para venderem gás russo aos europeus.
Os dois gasodutos Nord Stream, controlados pela associação de capitais russos e europeus(Alemanha, Holanda e França), estão desativados, desde setembro de 2022, quando o gasoduto I foi alvo de sabotagem, supostamente, dos Estados Unidos, durante governo Biden.
A explosão do empreendimento, no Mar Báltico, impediu a concretização das relações comerciais russo-alemãs, principalmente, cujo objetivo visava o abastecimento do gás da Rússia para a União Europeia.
Com a desativação do gasoduto Nord Stream I, que virou sucata no fundo do mar, a oferta de gás aos europeus passou a ser feita, ao triplo do preço, pelos Estados Unidos, jogando a Europa em grave crise econômica.
Agora, os presidentes americano e russo, ao largo dos interesses estratégicos da União Europeia, rebaixada à condição de quase colônia econômica americana, dada sua dependência do gás importado da América, negociam a compra da parte europeia dos dois gasodutos pelos capitais americanos.
Trata-se, portanto, de verdadeira cama de gato que os dois presidentes armam para intensificar a dependência da Europa ao conjunto dos interesses combinados da Rússia e dos Estados Unidos.
A Rússia venderia o gás explorado em seu território para os Estados Unidos, aos preços baratos, que antes ela tentou vender aos europeus, conferindo aos americanos a prioridade de realizar a venda diretamente à União Europeia.
Dona das reservas do óleo e do gás, Rússia vende seu produto à Europa por intermédio dos Estados Unidos, dividindo os lucros.
NOVA GEOPOLÍTICA MOSCOU-WASHINGTON
Aprofunda-se, dessa forma, a colonização econômica europeia, em sua dependência estrutural da principal matéria prima que necessita para a industrialização da Europa, em condições desvantajosas diante dos concorrentes internacionais, especialmente, da China.
Os interesses americanos são largamente atendidos, porque, assumindo a parte europeia do empreendimento comum com a Rússia, os Estados Unidos continuarão sendo os fornecedores do gás aos europeus, enquanto preservam suas reservas energéticas próprias como fator estratégico.
Do seu lado, a Rússia, consolidando parceria econômica transcontinental com os Estados Unidos, para oferecer seu principal produto de exportação – petróleo e gás – aos europeus, via sociedade com os americanos, resguarda-se do xenofobismo anti-russo, alimentado pela União Europeia.
Na prática, essa parceria Rússia-Estados Unidos cria novo fator geopolítico global: os russos se aproximam de Washington, sem, contudo, atender os interesses americanos, de atrair Moscou para si, de modo a ganhar vantagem em relação à China, que seria, em síntese, o desejo secreto da Casa Branca, de distanciar russos dos chineses.
Essa possibilidade, dificilmente, se concretizaria, de Putin se afastar geopoliticamente, de Xi Jinping, porque, no contexto dessa parceria que se forma, para minimizar o desejo europeu de se armar para atacar a Rússia, como anseia a Otan, os Estados Unidos se tornam dependentes do gás russo, para vendê-lo aos europeus.
GUERRA RÚSSIA-UCRANIA C’EST FINI
A Rússia leva vantagem adicional de, ao ter os Estados Unidos ao seu lado, como sócios do Nord Stream I e II, sair favorecida para acelerar o fim da guerra com a Ucrânia.
Não interessaria ao presidente Trump, nesse novo rearranjo geopolítico EUA-Rússia, a continuidade da guerra de Moscou x Kiev, porque poderia virar risco ao grande negócio que se arma entre os dois países, para serem os abastecedores da União Europeia do gás russo distribuído pelos americanos.
A dependência europeia, por outro lado, se amplia: a parceria russo-americana obriga União Europeia a frear seu ímpeto de continuar tentando armar a Ucrânia para atacar a Rússia, pois, se agir nesse sentido, estará contrariando interesses de Washington.
União Europeia, portanto, torna-se prisioneira da armadilha econômica Trump-Putin, que a leva a renunciar aos sonhos geopolíticos megalomaníacos de ampliar a fronteira europeia Rússia adentro, a fim de garantir espaço vital europeu, como imaginava Hitler, na segunda guerra mundial.
A Otan, com isso, perde importância como força militar, porque deixa de ser interessante aos Estados Unidos fortalecê-la, tendo a Rússia como forte aliada econômica.
Enfim, Putin, vitorioso diante de uma Europa, economicamente, debilitada, deve estar repetindo o bordão americano-imperialista: “É a economia, estúpido!”

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