
O instrumento dos demagogos são as palavras perigosas que embebedam.
Quanto mais soltas, irreflectidas e intempestivas, mais facilmente ganham o aplauso e inspiram aventuras e desastres irreparáveis.
Ontem, em Paris, a bebedeira da demagogia encontrou em Macron o novo Alcibíades que Tucídides tão bem retratou no Livro IV da Hitória da Guerra do Peloponeso.
O Alcibíades que Platão vira no Banquete completamente bêbedo a arengar aos atenienses, aparece em Tucídides como o político que promete aos cidadãos uma expedição vitoriosa à Sicília.
Aconselhado pelos estrategas a não o fazer, foi avante com a sua teimosa e funesta ideia.
A expedição foi um desastre, terminou com o colapso do império ateniense e com o descrédito da democracia.
Do mesmo modo, Macron quer a guerra com a Rússia e afirma ser necessário o derramamento de sangue.
Napoleão e Hitler também a quiseram e do resultado todos sabemos o desfecho.
Texto do analista português.