Realizada em um momento de aproximação entre os governos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Claudia Sheinbaum Pardo, a reunião reforçou a disposição de Brasília e da Cidade do México de ampliar o diálogo político e transformar a convergência de posições em iniciativas concretas de cooperação bilateral e regional.
Ao longo do encontro, os dois países revisaram os avanços das subcomissões da Comissão Binacional e estabeleceram prioridades para uma agenda que ultrapassa as relações comerciais tradicionais. Energia, segurança, migração, ciência e tecnologia, saúde, educação, cultura, atividades espaciais, mudanças climáticas e coordenação multilateral estiveram entre os principais temas discutidos.
Uma relação estratégica para a América Latina
Brasil e México ocupam posições singulares no cenário latino-americano. Juntos, concentram parcela expressiva da população, da atividade econômica e da capacidade política da região.
Nesse contexto, os chanceleres ressaltaram que o atual ambiente de diálogo favorece o aprofundamento da parceria e a construção de uma agenda capaz de ampliar os benefícios econômicos e sociais para os dois países.
As delegações reafirmaram a intenção de promover novos intercâmbios de alto nível, inclusive visitas presidenciais, dando continuidade ao processo de aproximação iniciado e fortalecido nos últimos anos.
A diplomacia dos dois países também reiterou seu compromisso com a integração latino-americana e caribenha e com o fortalecimento de mecanismos regionais de diálogo e concertação política.
Comércio: o desafio de transformar potencial em resultados
Um dos principais desafios colocados sobre a mesa foi o de aproximar o volume do comércio bilateral do tamanho e do potencial das duas economias.
Brasil e México reafirmaram o compromisso com a expansão do comércio, dos investimentos recíprocos e da integração produtiva. As delegações reconheceram que há espaço significativo para ampliar os fluxos econômicos e defenderam a atualização dos instrumentos comerciais existentes.
Nesse contexto, foram analisadas as negociações relacionadas aos Acordos de Complementação Econômica nº 53 e nº 55, com a reafirmação do compromisso de manter os trabalhos técnicos para ampliar e modernizar o marco comercial bilateral.
A participação do setor privado foi considerada essencial para a construção de uma agenda econômica mais ambiciosa, capaz de identificar oportunidades de negócios e ampliar a presença de empresas brasileiras e mexicanas nos respectivos mercados.
Entre os setores apontados como estratégicos estão infraestrutura, telecomunicações, agroindústria, saúde, tecnologia da informação, serviços financeiros, indústria aeroespacial, energias renováveis e inovação.