
Foto/Globo
O cerco pode estar fechando sobre o mercado financeiro brasileiro, de forma mais intensa, depois do discurso de Donald Trump, na ONU, nesta terça-feira.
No mesmo dia, o presidente americano fechou com 14 países latino-americanos a consolidação do chamado Escudo das Américas, para reforçar a Doutrina Monroe, no ataque ao crime organizado em toda a América Latina.
Ali, naquela reunião de países governados pela direita e ultradireita, todos aliados ao imperador americano, ficou acertado que o PCC e CV brasileiros, junto com oito outros, passam a ser considerados grupos narcoterroristas, pelo império americano e seus aliados na América Latina.
Não foram convidados para essa reunião o Brasil e México, governados por adversários de Washington, na avaliação trumpista.
LEGISLAÇÃO EXTRATERRITORAL IMPERIALISTA
Tal classificação, que considera PCC e CV ameaças à segurança dos Estados Unidos, dá direito à legislação extraterritorial americana de interferência em qualquer país latino-americano, de acordo com julgamento em defesa dos interesses de Washington.
Assim, por exemplo, se os grupos narcoterroristas brasileiros fizerem negócios, no Brasil e no exterior, que firam tais interesses do império, serão alvos de ataques.
Como se sabe, conforme investigação da Polícia Federal, que PCC e CV usaram rede bancária brasileira para lavar dinheiro ou praticar fraudes, como foi o caso de contrabando de combustíveis, nas redes de distribuição pelo país, os Estados Unidos se sentem no direito de intervir, para barrar negócios de qualquer natureza realizados no circuito financeiro realizado pelos narcoterroristas, conforme sua legislação extraterritorial.
Estará, portanto, sob risco as transações bancárias, como as que a PF descobriu, nos marcos da legislação antifacção aprovada no Congresso contra grupos criminosos.
RISCO IMINENTE: INTERVENÇÃO INTERNACIONAL
Tal possibilidade concreta lança risco sobre o sistema financeiro brasileiro que a polícia identificou como parte do processo de lavagem de dinheiro dos traficantes.
Fragilizar-se-á, dessa forma, a credibilidade bancária, seja no território nacional, seja internacional.
Afinal, o alerta de possível intervenção americana, garantida pela sua legislação extraterritorial, aciona toda a rede financeira internacional contra o sistema financeiro nacional, para impedir realização de transações financeiras.
Risco total que produz incertezas gerais nos investidores globais.
O enfraquecimento relativo da Faria Lima, nesse sentido, possível depois da criação, por Donald Trump, do Escudo das Américas, que coloca PCC e CV, suspeitos e investigados por fraudes, contrabando e lavagem de dinheiro na rede bancária, cria novas expectativas no cenário econômico nacional.
Abre-se chances para maior penetração de bancos concorrentes, principalmente, internacionais dos bancos brasileiros que forem identificados pela legislação extraterritorial americana.
DESNACIONALIZAÇÃO E DOLARIZAÇÃO FINANCEIRA
A ultradireita política brasileira entreguista fascista antinacionalista, como a filiada ao bolsonarismo, poderá ver possibilidade de reabertura na reinvestida que ela tentou, com o ex-presidente Jair Bolsonaro, no poder, entre 2018-2022, de abrir o mercado bancário brasileiro para os bancos americanos.
O ex-ministro da Fazenda bolsonarista, Paulo Guedes, foi um dos entusiastas dessa abertura de negócios financeiros para Wall Street, no Brasil.
Guedes chegou a defender, abertamente, a instalação do Bank of América, no mercado nacional, para competir com a banca tupiniquim.
A reação dos grandes bancos brasileiros, liderados pela Febraban, foi grande e acabou não se efetivando, dado seu forte lobby no Congresso.
Quem garante, no entanto, que na eventualidade sinistra, para os interesses nacionais, de vitória de Flávio Bolsonaro, na eleição presidencial, essa tentativa não venha ser retomada?
Não se pode esquecer que Flávio garantiu ao governo Trump livre trânsito para interferência norte-americana, na formação de seu eventual governo, já a partir da formulação de sua equipe administrativa, na fase pós-eleitoral, saindo vencedor.
Propensão escancarada ao entreguismo maior que esta não há.
No cenário da financeirização econômica neoliberal global, na qual dão as cartas os bancos americanos, que orientam o FED e a consequente emissão do dólar, estaria implícita ou não dolarização econômica brasileira?
Com os bolsonaristas fascistas de volta ao poder, a Febraban e a Faria Lima estariam sob sério risco de serem comandadas por Wall Street, em subordinação direta ao imperador da Casa Branca.