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AS ELEIÇÕES DE 2026 E OS PARTIDOS DO CAMPO POPULAR. Por Raul Carrion

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Sem a pretensão de fazer uma análise abrangente e completa do revés sofrido pelas forças de esquerda no 1º turno destas eleições e consciente de que temos plenas condições de vencer a batalha em curso pela Presidência da República e pelos governos estaduais que terão 2º turno, exponho algumas opiniões sobre os resultados obtidos até agora.
Nas eleições para a Presidência da República – contrariando os prognósticos e pesquisas dos institutos mais confiáveis – o candidato da ultradireita chegou à frente, com 56,1 milhões de votos, contra 53,8 milhões de Lula, uma diferença de 2,3 milhões (2%).
Todos os demais candidatos somados totalizaram 9,3 milhões, os votos brancos e nulos somaram 6 milhões e não votaram 32,5 milhões. Isso significa que no 2º turno estarão em disputa 47,8 milhões de votos, o que torna plenamente possível reverter a diferença de apenas 2,3 milhões de votos.
Deve-se ter em conta, ainda, que o eleitor precisou votar 6 vezes na urna eletrônica, em uma ordem determinada (o voto no presidente por último), sob pena de ter o seu voto anulado. Essa dificuldade causou longas e demoradas filas, fazendo muitos desistirem de votar e levando a um grande número de votos nulos – 3,7 milhões –, predominantemente de eleitores de baixa-renda, na sua maioria apoiadores de Lula.
No 2º turno, na maioria dos estados, o único voto será para a Presidência da República, o que facilitará a votação de todos.
No 2º turno presidencial, o confronto será apenas entre Lula e o candidato da ultradireita – ambos com o mesmo tempo no Rádio e na TV – permitindo o desmascaramento da sua subserviência a Trump e ao grande capital nacional e internacional, sua conivência com o golpismo e o fascismo, a sua proximidade com o crime organizado, a sua vida pregressa de falcatruas e o seu prontuário de corrupto.
E Lula já avisou que está pronto para participar de todos os debates que forem marcados, nos quais desmascarará o candidato vende-pátria, fascista e antipovo, e mostrará os grandes avanços econômicos, sociais e civilizacionais que os seus governos implementaram
O resultado das eleições para os 27 governos estaduais também favoreceu os candidatos da ultradireita e da direita, apesar de ainda faltar a definição nos 7 estados que terão 2º turno. O PL, partido de Bolsonaro, elegeu 5 governadores (25% dos que concluíram as eleições no 1º turno) – aos quais se deve somar outros governadores de direita – e em outros dois governos disputa o 2º turno.
Já os partidos de esquerda, elegeram 3 governadores no primeiro turno e disputam outros dois governos no 2º turno.
No Senado, onde estavam em disputa 54 cadeiras, também houve avanços das forças de ultradireita e de direita. O PL elegeu 19 senadores (35% do total), enquanto que os partidos aliados a Lula conquistaram 11 senadores (20%). Os demais senadores se distribuem entre as forças de direita e de centro, alguns aliados a Lula, mas a maioria apoiadora de Bolsonaro.
Na Câmara dos Deputados, apesar de não ter ocorrido um maior retrocesso da esquerda, a ultradireita cresceu às custas da direita e do centro. O PL – que em 2022 ja havia eleito a maior bancada – somou mais 23 deputados federais, totalizando 121 (23% do total).
Já os partidos da aliança de Lula, apesar de aumentarem a sua votação em quase 2 milhões de votos, perderam 2 deputados, devido à diminuição de 10 deputados do PDT, e em 2027 contarão com 124 deputados (24% do total).
O PCdoB (Partido Comunista do Brasil) foi o partido de esquerda que mais cresceu, passando de 7 deputados eleitos em 2022, para 11 deputados em 2026 (7 mulheres e 4 homens).
Proporcionalmente, o PCdoB foi o partido que mais cresceu no Brasil. Foram eleitas(os): Daiana Santos (RS), Giovana Mondardo (SC), Jandira Feghali (RJ), Elias Jabbour (RJ), Alice Portugal (BA), Olívia Santana (BA), Daniel Almeida (BA), Gervásio Maia (PB), Márcio Jerry (MA), Perpétua Almeida (AC) e Professora Marcivânia (AP). Diversos outros candidatos do PCdoB ficaram nas primeiras suplências, e poderão vir a assumir na atual legislatura.
Na Câmara dos Deputados, o PT passou de 69 deputados federais para 70 (+1), o PSOL de 13 para 14 (+1), o PV de 6 para 7 (+1), o PSB manteve seus 15 deputados, a REDE diminuiu de 2 para 1 (-1) e o PDT caiu de 16 para 6 (-10).
Lamentavelmente, a Federação PSOL/REDE e o PDT não conseguiram superar a antidemocrática cláusula de barreira. Em consequência, os três partidos passarão a sofrer diversas limitações, salvo que formem uma Federação que supere a cláusula de barreira.
O exame das eleições aos parlamentos estaduais escapa ao alcance deste artigo, pois envolveria 27 casas legislativas e 1019 deputados estaduais. Assim, me limitarei a examinar de forma breve as eleições para a Assembleia Legislativa do meu Estado, o Rio Grande do Sul. Além de eleger o governo do Estado e os 2 senadores no 1º turno, a ultradireita elegeu 12 deputados estaduais do PL e vários outros por diferentes partidos.
Já os partidos que apoiaram Lula – que haviam eleito 19 deputados estaduais em 2022 – baixaram para 17.
Apesar da conjuntura desfavorável, o PCdoB obteve uma importante vitória, reelegendo sua deputada federal Daiana Santos – a 2ª mais votada da Federação Brasil da Esperança, com 115 mil votos – e elegendo Humberto Matos deputado estadual, com 40 mil votos. Assim, o PCdoB-RS retomou a cadeira que havia perdido às vésperas das eleições, quando a sua deputada estadual aderiu a outro Partido
Sem pretender esgotar o assunto, indico algumas razões de fundo que explicam o atual avanço da ultradireita no Brasil e no mundo:

1. Crise crônica do capitalismo – causando miséria, desemprego, insegurança, desesperança e ressentimentos –, o que aduba o caminho para o crescimento de falsas alternativas fascistas.
2. Interferência direta do imperialismo estadunidense no Brasil, utilizando sanções de todo tipo, tarifaços, ameaças militares e vastos recursos financeiros para impulsionar os seus candidatos.
3. Ação das Big Techs e de suas redes, moldando a consciência de amplos setores da população.
4. Apoio do grande capital financeiro nacional e internacional aos partidos fascistas e de ultradireita.
5. Ação manipuladora da maioria das igrejas pentecostais, que influenciam amplos setores populares, em apoio à ultradireita.
6. A ação dos grandes monopólios midiáticos a favor da direita e da ultradireita.
7. A subestimação por boa parte da esquerda brasileira da luta de ideias, sendo incapaz de criar os seus próprios meios de comunicação de massas e de instituir no Brasil um sistema público de comunicação social, para contrapor-se aos monopólios midiáticos privados.

Como uma razão mais imediata do revés eleitoral no 1° turno, poderíamos acrescentar a grave crise do STF, que foi usada de forma ardilosa pela ultradireita contra Lula.
São questões que a nossa luta antifascista e antiimperialista precisa enfrentar.
É necessário que a campanha de 2º turno indique as causas de fundo das dificuldades enfrentadas pelo nosso povo, aponte as transformações estruturais inadiáveis, e defenda um projeto de Nação, que viabilize a construção de um Brasil mais livre, soberano e justo!
Ao mesmo tempo, é preciso desmascarar Flávio Bolsonaro, que é um incompetente, que nada fez até hoje – seja como deputado, seja como senador -, e compará-lo com Lula – três vezes presidente, com enormes servicos prestados ao Brasil e ao povo e com propostas factíveis e inovadoras que transformam as vidas das pessoas
Sem esmorecer, com muita luta, amplitude, humildade e unidade, seremos capazes de desmascarar os traidores da pátria, os inimigos da democracia e os exterminadores do futuro e os derrotaremos no 2º turno!

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