No final dos anos 70, uma missão de burocratas chineses desembarcou no Brasil.
Eles vieram conversar com o Delfim Netto e conhecer de perto o que a gente tinha construído. E pasmem: saíram daqui maravilhados. Itaipu, o parque industrial, o milagre econômico. O Brasil tinha triplicado a renda per capita em 20 anos, saindo de 3 mil pra 10 mil dólares, e era visto pelos chineses como um grande modelo a ser seguido.
Passaram 40 e poucos anos. O Brasil continua estacionado nos mesmos 10 mil dólares de renda per capita de 1980. A China multiplicou a dela por 15 e já é a maior economia do mundo em paridade do poder de compra. Em 2021, os chineses registraram três vezes mais patentes que os Estados Unidos. Eu brinco que a gente foi o professor que reprovou de ano enquanto o aluno virou reitor da universidade.
Como é que a gente explica isso?
Essa pergunta me persegue desde o doutorado, lá em 2004, quando eu tentava entender por que a transição chinesa deu tão certo e a soviética virou tragédia. E o melhor livro que eu li sobre o tema foi o da Isabela Weber, “Como a China Escapou da Terapia de Choque”, que saiu em português pela Boitempo. A Isabela entrevistou os burocratas chineses que desenharam a transição, leu as fontes primárias em chinês, resgatou debates de política econômica de milênios atrás. Um trabalho quase de antropologia. Recomendo demais.
Gostei tanto do livro que preparei uma série de 5 aulas gratuitas no meu canal do YouTube em cima dele, cruzando com tudo que estudei de China nesses mais de 20 anos.
Na série, a gente vai ver:
Por que a Rússia comprou o pacote de Washington, fez a terapia de choque e implodiu. O PIB russo hoje é de 1,8 trilhão de dólares, exatamente o tamanho do PIB brasileiro. A China, que era muito mais pobre que a Rússia nos anos 80, virou uma economia de quase 20 trilhões.
Como o sistema de preços de dois trilhos resolveu o drama da fome na China em apenas 5 anos, liberando o mercado nas margens e mantendo o Estado no núcleo.
Como Shenzhen saiu de vila de pescadores pra capital mundial da tecnologia em 40 anos. Hoje você pega um trem de 450 km/h que faz em 7 minutos o trajeto que a gente faz em 2 horas chorando na marginal, entre Guarulhos e São Paulo.
E por que todo país rico tem grandes marcas industriais, e o Brasil só aprendeu a vender commodity.
O fio condutor é um só: a China nunca acreditou em Papai Noel. Quem seguiu a cartilha de Washington, como Brasil, Argentina e Rússia, quebrou nos anos 90. Quem não seguiu, como China, Índia e Vietnã, decolou. Está nos dados.
Comece pela aula 1, em que eu conto essa história da missão chinesa ao Brasil e mostro os números da comparação entre China, Rússia e Estados Unidos:
👉 Assistir a aula 1 agora:
As aulas são gratuitas, ficam gravadas e cada uma puxa a seguinte. Se você quer entender a maior transformação econômica da história da humanidade, e o que ela ensina pro Brasil, é por ali que se começa.
A China não teve sorte. Teve projeto. E projeto se estuda.
Um abraço,
Paulo Gala