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Brasil, China e Estados Unidos: três países, três rumos. Por Pedro Augusto Pinho

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Original em: https://monitormercantil.com.br/brasil-china-e-estados-unidos-tres-paises-tres-rumos/

Os três países que trataremos neste artigo têm dimensões muito próximas e estão entre os cinco maiores do planeta: China, com 9.706.961 km²; Estados Unidos da América (EUA), com 9.372.610 km²; e Brasil, com 8.515.767 km². Os três também sofreram a invasão do neoliberalismo financeira a partir de 1978 (China, com Deng Xiaoping), 1981 (EUA, com Ronald Reagan) e 1985 (Brasil, com José Sarney).

 

Mas tiveram destinos diferentes, resultado de suas histórias, dos poderes dominantes e de suas culturas.

Neste artigo, analisaremos o que está acontecendo com esses países no século 21.

No Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva governou de 2003 a 2011, seguido por Dilma Rousseff (2011-2016). O golpe dado por seu vice-presidente, Michel Temer (2016-2019), trouxe Jair Messias Bolsonaro à Presidência (2019-2022). Lula reconquistou a Presidência em 2023 e, agora, em 2026, tenta um quarto mandato, enfrentando o filho mais velho de Jair Bolsonaro.

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Na China, Hu Jintao governou de 2002 a 2012, seguido por Xi Jinping, desde 2012. Nos EUA, os presidentes foram George W. Bush (2001-2009), Barack Obama (2009-2017), Donald Trump (2017-2021), Joe Biden (2021-2025) e, novamente, Trump, a partir de 2025.


Os EUA

O primeiro presidente dos EUA, George Washington, assumiu o poder menos de um mês após a entrada em vigor da Constituição (4 de março de 1789) que, com 27 emendas, permanece em vigor até hoje. A razão dessa longevidade é ser uma constituição plutocrática e o capital sempre ter guiado os destinos estadunidenses. Teve o momento do capital das terras, o fundiário, do comércio, da indústria, sendo atualmente, desde 1981, o domínio estar com o capital financeiro, que controla inclusive o desenvolvimento tecnológico e a comunicação social.

Donald Trump, em seu segundo mandato, é o 47º presidente dos EUA, tendo sucedido Joe Biden (2021-2025).


A China

A China é uma das mais antigas civilizações da Terra. Se há dúvidas sobre a Dinastia Xia (2070 a.C.-1600 a.C.), sobram comprovações sobre a Dinastia Shang (1600 a.C.-1046 a.C.), não apenas por meio de descobertas arqueológicas, mas também pelos registros do desenvolvimento da escrita. Ao todo, enumeram-se 12 dinastias até a República, quando a dinastia manchu Qing deu lugar à República (1912), com Sun Zhongshan (Sun Yat-sen). Ao seu primeiro presidente, a China deve a filosofia política conhecida como Três Princípios do Povo: nacionalismo, democracia e meio de vida das pessoas.

Em julho de 1921, foi fundado o Partido Comunista Chinês (PCCh), antes da criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS, em 30 de dezembro de 1922). Em 1º de outubro de 1949, foi proclamada a República Popular da China (China), mas sua primeira Constituição só foi promulgada em 20 de setembro de 1954.

Desde então, a China conheceu três constituições: duas referentes à Revolução Cultural (16 de abril de 1966 – 6 de outubro de 1976) e a atual, de 1982, que recebeu cinco emendas. Na primeira emenda, em 1988, Yang Shangkun era presidente, e Zhao Ziyang, secretário-geral do PCCh. Nas demais, os cargos de presidente da República e de secretário-geral do PCCh estavam unificados em uma única pessoa. Nas emendas de 1993 e 1999, o dirigente chinês era Jiang Zemin; na de 2004, Hu Jintao; e na última, de 2018, Xi Jinping.


O Brasil

Sempre fomos uma colônia, salvo pequenos intervalos, nestes 477 anos, desde que Tomé de Sousa pisou o Brasil, em Salvador (Bahia), em 29 de março de 1549. E criamos mitos e uma história romantizada para explicar o inexplicável. Por exemplo, como o sucessor do monarca dirigente do Brasil, D. João VI, de uma família que nos dirigia desde 15 de janeiro de 1640, os “Braganças”, proclamaria nossa Independência se ele mesmo continuava monarca e seria sucedido por seu filho, D. Pedro II? Estranha independência, causadora de chacota em ambientes intelectualmente mais exigentes.

Mas, em um aspecto, sempre fomos constantes, imutáveis: na preservação da ignorância.

Observemos quem aportou com Tomé de Sousa na Baía de Todos-os-Santos para dirigir o Brasil: o Capitão-Mor da Costa, Pero de Góis, com missão militar; o Ouvidor-Mor, Pero Borges, com missão jurídica e de segurança pública; e o Provedor-Mor, Antônio Cardoso de Barros, com missão fiscalizadora da economia e arrecadadora de impostos. Ninguém para cuidar da instrução.

Mas, para cuidar da alma, vieram o padre jesuíta Manuel da Nóbrega e outros três padres: Leonardo Nunes, João de Azpilcueta Navarro e Antonio Pires; além de dois irmãos: Vicente Rodrigues e Diogo Jácome, este último responsável pela construção de habitações e capelas e pela logística da produção agrícola.

É importante lembrar que o Brasil da época estava limitado, a oeste, pelo meridiano do Tratado de Tordesilhas, que reduzia a 33% sua dimensão territorial. Para efeito de comparação, as Treze Colônias, na América do Norte, ocupavam 10% do território que viria a constituir os EUA.

O Brasil só se constituiu como Estado nacional com Getúlio Dornelles Vargas, em 3 de novembro de 1930. Até então, o movimento que mais se aproximou desse estabelecimento foi a Proclamação da República, graças a três militares: Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto e Benjamin Constant Botelho de Magalhães. Seguiu-se um vácuo denominado República Velha, ao qual sucedeu a Era Vargas, que, apesar de muitas oposições, inclusive da participação direta dos EUA, sobreviveu até 15 de março de 1979, no fim do governo Ernesto Geisel.


O neoliberalismo financeiro e a globalização

Vimos que o neoliberalismo financeiro ocorreu a partir de 1978 nesses três países. Mas seu surgimento ocorreu uma década antes, em 1968, quando importantes países produtores de petróleo se uniram na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e começaram a atuar no mercado desse importante gerador de energia: o petróleo.

Essa transformação não ocorria apenas na área da energia. Também se dava na área da informação e influenciaria ainda mais o poder sobre a economia, a ciência e as sociedades.

Quanto aos antecedentes da influência do petróleo, devemos recordar o Acordo de Achnacarry, de 17 de setembro de 1928, origem do cartel das Sete Irmãs, hoje reduzido a quatro (ExxonMobil, Chevron, Shell e BP). Mas, para avaliar corretamente a influência do petróleo, dever-se-ia incluir a Gazprom (Rússia), a CNPC (China) e a NIOC (Irã). A Saudi Aramco fica cada vez mais subordinada aos interesses estadunidenses e perde expressão no setor petrolífero.

Na década de 1970, promoveu-se a miniaturização dos componentes computacionais graças à evolução dos circuitos integrados (os chips de silício) e à invenção do microprocessador.

Desenvolveu-se, assim, o que o londrino Charles Babbage (1791-1871) inventara no século 19: a “máquina analítica”, e o que o húngaro John von Neumann (1903-1957), já no século 20, promovera: a eletricidade e a mecânica em instrumentos de cálculo.

Todo esse conhecimento e as transformações econômicas e políticas deles resultantes encontraram, entre as décadas de 1980 e 2000, os construtores da globalização: no Reino Unido, a Baronesa Thatcher de Kesteven, primeira-ministra entre 4 de maio de 1979 e 28 de novembro de 1990; e, nos EUA, o 40º presidente estadunidense, Ronald Reagan, que governou de 20 de janeiro de 1981 a 1989.

O mundo não seria mais o mesmo a partir da última década do século 20.

Acresce, ainda, que, nos anos 1970, surgiu nos EUA uma nova designação protestante: os neopentecostais, com a Teologia da Prosperidade, ou seja, a fé vinculada ao sucesso financeiro. Essa nova religião utiliza com eficácia a televisão e as redes sociais e não se acanha em incorporar elementos que lhe proporcionem mais fiéis, como sessões de exorcismo e a crença na materialidade do diabo, ou seja, tudo aquilo que o baixíssimo nível de instrução permita utilizar para aumentar seus dízimos.

No Brasil, essa igreja surgiu em 1977 e, em 1980, já estava instalada a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).

Tem-se, então, a última palavra em desenvolvimento tecnológico, embora permaneça um mistério, mesmo para pessoas com nível universitário, a ausência do Estado, que facilita o acesso a meios que poderiam ser tolhidos caso houvesse auditoria, fiscalização e controle públicos.

Nos anos 1990, países como os EUA mantinham índices de afiliação religiosa historicamente altos e estáveis. Pesquisas sociológicas apontam que foi exatamente nessa década que ocorreu um fenômeno de “afastamento em massa” das religiões organizadas. A proporção de pessoas sem filiação religiosa saltou de apenas 8% em 1991 para 20% em 1998.

Apenas a China, milenarmente sem religião, não sofreu essa mudança.

Mas tudo se funde no século 21, como analisaremos a seguir.


Os rumos destes países

A República Popular da China desponta como a mais desenvolvida sociedade, de maior nível de aplicação científica e tecnológica – única a produzir a fusão nuclear; com economia sólida e colaboradora – o programa Iniciativa do Cinturão e Rota abarca 137 países, nos cinco continentes; e é habitada por uma sociedade próspera e dinâmica, cujo bem estar do povo é a principal missão do dirigente, de acordo com Xi Jinping (15 de novembro de 2012).

Por conseguinte, dos três países estudados, a China é o único que pode olhar confiante para o futuro e garantir vida digna e produtiva, além de respeito a todos os seus habitantes.

Os Estados Unidos da América, como todos países da Europa Ocidental, se envolveram, de alguma maneira, em guerras. Este fato os tem levado ao fracasso econômico, social, tecnológico e, particularmente, no ataque a bens considerados agressivos à própria Humanidade, como o genocídio praticado pelo Estado de Israel, sob a governança de Benjamin Netanyahu (Telavive, 21 de outubro de 1949), com apoio dos EUA.

Os EUA, desde sua independência, adotaram o modelo plutocrático de gestão. Porém uma plutocracia industrial é bem diferente da financeira. E isso fica evidente neste século. O neurocientista brasileiro, genial médico paulista Miguel Nicolelis, em entrevista em rede social, explicou que as novas ferramentas informacionais reduziram em muito a demanda de mão de obra, mesmo aquela especializada. E estes desempregados, maiores de 60 anos, são os mais encontradiços moradores de rua nas cidades grandes e médias dos EUA.

Vemos, então, que os EUA não mostram um futuro radiante para seus filhos. A saída tem sido se apropriar das riquezas dos países da América Latina. Examinemos sob a referência do Escudo das Américas. Aí encontramos 14 países: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.

A Venezuela não resistiu à invasão que prendeu seu presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cília Flores, em 3/1/2026, e já entregou seu petróleo, a maior reserva dentre os países do mundo, 303 bilhões de barris, perto de 20% do total mundial, para gestão por empresa estadunidense.

O Brasil é visto como a próxima presa, para reforçar a riqueza da plutocracia estadunidense.

O Brasil está passando pelo processo eleitoral de substituir a composição da Câmara dos Deputados, dois terços do Senado Federal e do Presidente da República, no âmbito nacional. Todos os Estados terão governadores eleitos e nova Assembleia Legislativa a partir de outubro de 2026. E o Distrito Federal também terá novo Governador e Assembleia Distrital.


O mundo de 2026 e as eleições no Brasil e nos EUA

O mundo ocidental está em crise. O domínio do neoliberalismo financeiro neste último meio século provocou nos EUA e na Europa Ocidental um retrocesso generalizado, guerras e perturbações que avançam pelo mundo árabe do Oriente Médio e do norte da África.

Novos recursos naturais e novas aplicações de já conhecidos há muito – neodímio, praseodímio, disprósio, lítio, grafite, silício, nióbio, cobalto – são desejados e ameaçam guerra aos países possuidores.

Os três países que tratamos neste artigo podem ser apontados também como exemplos de comportamentos.

A China, desejando paz e progresso, para si mesmo e para os parceiros que com ela celebram o Memorando de Entendimento da Iniciativa do Cinturão e Rota (ICR; BRI, na sigla em inglês), desponta como a maior potência mundial.

Os EUA, envolvido em guerras, até por procuração, como o faz atendendo o Estado de Israel, veem esvair sua capacidade científica e tecnológica e aumentar a população desprovida em outrora ricos estados da Federação. Não se pode atribuir somente ao atual presidente o que resulta da deflexão dos anos 1970/1980 em favor do capital financeiro de quem fizera riqueza com o capital industrial.

O Brasil nunca teve, salvo no início do Governo Vargas e nos estados governados por Leonel Brizola e durante seus mandatos, um projeto sério de instrução pública. E por que não privada? Recordemos o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, firmado por 26 intelectuais e políticos brasileiros em 1932. O ensino deve ser obrigatório, faz parte da formação da cidadania, logo não é para ilustração, como já em 500 a.C. ensinava Confúcio, é “por natureza engajado”, logo político e ético.

Formou-se no Brasil um povo egoísta, que só vê seu entorno, num país de imensas riquezas. Que deixam de beneficiar os seus habitantes para enriquecer os capitais estrangeiros, colonizadores. Tomando ainda Confúcio, o Brasil criou xiao-ren (homens reles) no lugar de jun-zi (homens nobres). E o resultado se pode constatar com clareza neste 1º turno nas eleições para os legislativos e executivos em todo País.

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