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Por que BC independente não segue lição do FED dos EUA para recuperar a economia brasileira

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O Banco Central, se fosse realmente independente, para tomar decisões capazes de reduzir a taxa de juro no Brasil, a mais alta do mundo na atualidade, e promover retomada do crescimento sustentável, deveria seguir a orientação do BC americano, quando se viu diante do colapso do sistema financeiro americano, em 2008, para salvar o capitalismo de Tio Sam.

O capitalismo brasileiro está diante do mesmo perigo; por que o BC não se orienta nessa direção, preferindo caminho contrário, intensificando, irracionalmente, os juros, veneno letal contra a economia sufocada pela dívida pública?

Em 2008, o FED abandonou a ortodoxia econômica neoliberal e partiu para a heterodoxia.
Convocou os credores dos títulos da dívida pública americana, candidatos à falência, e trocou títulos velhos por títulos novos, avalizados pelo tesouro.
O efeito foi imediato: a taxa de juros caiu drasticamente pelo efeito do aumento da oferta da quantidade de moeda na circulação capitalista. Consequentemente, a economia recuperou. O governo Lula não poderia fazer a mesma coisa?

Keynesianismo lulista x neoliberalismo campista

Para Keynes, “a única variável econômica capitalista verdadeiramente independente é o aumento da oferta da quantidade da moeda em circulação, dada pela iniciativa governamental”.

Quando isso acontece, diz o autor de “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, relativamente, 1 – aumentam os preços, 2 – diminuem os salários, 3 – caem os juros e 4 – são perdoadas as dívidas a prazo contraídas pelos capitalistas.

É nesse momento, ressalta o genial economista inglês, que os empresários vão aos investimentos por verem diante de si, como um milagre, o aumento da eficiência marginal do capital, ou seja, o lucro.

A dívida pública, pelo efeito keynesiano, desvalorizou-se, como fator de custo maior das despesas públicas, no orçamento do estado nacional, refletindo na recuperação relativa dos preços e dos salários, puxando a demanda global.
O temor de que a inflação explodiria em forma de hiperinflação não aconteceu.

Desmoralizou-se o diagnóstico neoliberal de que inflação é fenômeno monetário.
A alta dos preços decorreria, segundo essa teoria, do excesso de demanda na economia, a reclamar juro alto para conter pressões inflacionárias acompanhado de cortes de salários.

Vingou-se o contrário, a oferta de dinheiro baixou seu preço e a inflação despencou.
As atividades produtivas voltaram a respirar sem o sufoco do endividamento, o emprego se recuperou e a inflação se estabilizou, desde 2008.

Confirmou-se a assertiva de Adam Smith: dívida pública não se paga, renegocia-se.
Esse fenômeno se repetiria ou não no Brasil, se o BC Independente, sob comando do ultraneoliberal, Campos Neto, tivesse comprometido, realmente, com o interesse nacional e não com o dos credores?

Lula-Haddad no caminho certo

As expectativas apontam para recuperação da economia, desde que o ministro Haddad, da Fazenda, orientado por Lula, tomou decisões para ajustar as contas públicas desorganizadas pelo ex-governo do fascista Bolsonaro. Seis meses depois, a decisão da agência internacional de crédito Fitch melhora a posição brasileira no mercado.

Pesquisa Focus, visão do mercado, conservadora, aposta, nessa segunda feira, em queda de 0,25% da Selic na reunião do Copom, na quarta. Outras visões pregam redução de 0,50%, com base nos dados realistas: inflação em 12 meses (3,19%); projeção inflacionária anual de 4,90%(2023), 3,90%(2024) e 3,50%(2025), com previsão de crescimento do PIB de 2,2%, nesse ano, tudo a depender do recuo dos juros, uma incógnita.

O Brasil dispõe de garantias mais que suficientes: 350 bilhões de reservas internacionais, herdadas das eras Lula e Dilma afastam qualquer perigo de instabilidade monetária.
Não há mais dúvida que o perigo maior é o próprio BC, ao sustentar Selic de 13,75%, com inflação abaixo da meta, na casa dos 3, 19% contra projeção de 3,50%. Mantido esse patamar, o efeito jurista dificulta, ainda mais, a retomada sustentável da economia.

Na prática, juro básico elevado diante de inflação cadente, produzindo deflação, sobrevaloriza o câmbio ao atrair dólares, valorizando o real. O efeito deletério é aumento do custo da dívida pública, maior despesa orçamentária do governo.

O ritmo dessa lógica monetária eleva a especulação financeira que enrijece sobremaneira a política fiscal, garroteando os gastos sociais, sem os quais a economia segue seca, com dinheiro escasso em circulação, o que afeta, de forma cumulativa, a taxa de juro, aprofundando armadilha da dívida. O conservadorismo ultra-ortodoxo do BC Independente é uma tragédia social.

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