Ataque de Trump ao BRICS fortalece Lula em 2026. Por César Fonseca

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A ameaça do presidente Donald Trump de taxar em 10% importações dos países do BRICS, devido ao encontro do grupo para defender interesses políticos anti-americanos, como apoio a Israel contra Irã, e econômicos, desdolarização da economia, substituindo dólar por moedas locais nas relações de troca, pode fortalecer ou enfraquecer Lula eleitoralmente em 2026?

Está em jogo a saúde da economia, do emprego, da renda e do consumo da população, se Trump prejudica os empresários brasileiros, cujo foco futuro está na China, não mais nos Estados Unidos.

A decisão do Mercosul em ganhar perfil asiático e de a China adotar princípios tributários cooperativos e competitivos para favorecer intercambio comercial chinês, na cena global, fragiliza, relativamente o dólar.

África e América do Sul são os alvos preferenciais dessa nova estratégia chinesa para aumentar o volume de produção da China e superar os Estados Unidos.

Esse movimento macro da China coloca a América do Sul na esfera de influência chinesa, enquanto o protecionismo trumpista ao lado de iniciativas de economia de guerra que concentra renda e desigualdade social espanta os empresários das relações com os Estados Unidos.

CONTRADIÇÃO DO AGRONEGÓCIO

O agronegócio nacional, por exemplo, politicamente, dominado por forças de direita e ultra direita, que pretende derrotar Lula em 2026, entrou em sinuca de bico: o mercado consumidor do agro é a China, mas os fornecedores de insumos, partes, peças e componentes que movimentam os negócios do campo são financiados por bancos americanos e associados nas periferias capitalistas sul-americanas.

Xi Jinping, líder da China, cobra a supressão dessa contradição, na condição de cliente que mais compra commodities brasileiras do agronegócio.

Se Trump elevar as tarifas de importação do agro, joga o agro no colo da China, onde, praticamente, já está como dependente econômico.

Toda a infraestrutura produtiva e ocupacional do agronegócio entra em situação de expectativa, pois o modelo de agronegócio que a China quer implementar no Brasil é o que ela financia para o MST.

O modelo agrícola chinês é incompatível com a grande propriedade extensiva, concentradora de renda e promotora de desigualdade social.

China x EUA, eis a luta de classe, em cenário internacional.

CHINA FAVORECE REFORMA AGRÁRIA

A reforma agrária é incompatível com o modelo americano, mas encaixa no modelo chinês, que o líder do MST, Stédele, apresentou na reunião do BRICS.

Trump, por isso, inicia ataque aos BRICS e confronta Lula, por essas e outras, que implicam mudanças estruturais no campo, envolvendo divisão da propriedade, para aumentar o consumo interno, com melhor distribuição da renda, como é o objetivo chinês, introduzido por Mao Tse Tung, na Revolução Chinesa, em 1949.

Por sua vez, o ataque trumpista ao lulismo ocorre na mudança política do PT, propenso à esquerda, para a luta ideológica contra a direita e ultradireita, a partir do acirramento das contradições que estão arrebentando nas relações de trabalho.

TRABALHADORES PRÓ-CHINA

Os trabalhadores forçam a briga política pela redução da jornada.

Ao contrário do modelo capitalista americano, que força aumento da jornada de trabalho, o modelo chinês favorece o contrário.

A mais valia absoluta, que instaura o salário igual à produtividade marginal, sem nenhum reajuste, à moda americana, vira, na crise, mais valia relativa, que acelera desemprego com queda de salário, por conta da maior produtividade dada pelo avanço tecnológico.

Aumenta o exército industrial de reserva – trabalho excedente – que joga ainda mais para baixo os salários.

O modelo econômico cooperativo chinês abre perspectiva oposta: redução da jornada de trabalho com valorização dos salários, para aumentar a qualidade de vida dos trabalhadores.

Nesse cenário, se o PT não abraça politicamente a redução da jornada perde utilidade como partido, dissociado os interesses das massas.

Desse modo, a conjuntura interna de guerra do IOF, acrescida dessa pressão de Donald Trump, que ajuda a desarticular a economia, sobra a Lula o grito de guerra da soberania nacional contra o imperialismo trumpista.

Trata-se de novo contexto político aberto pelas contradições desatadas pelo BRICS, liderado pela China, cujo inimigo maior é Trump, decidido pelo ataque a Lula.

Quem ficará contra Lula nessa guerra aberta por Trump?

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