O mundo caminha para uma nova conflagração global. Os ventos da III Guerra Mundial sopram cada vez mais fortes, em meio à disputa entre o bloco ocidental (em decadência) — liderado pelos EUA e pela OTAN — e um novo eixo sino-russo que articula uma ordem mais equânime e multipolar.
No meio desse turbilhão, o Brasil será forçado a tomar posição. E não se trata apenas de uma escolha diplomática: trata-se de decidir que projeto de país queremos. Soberania ou subordinação Povo ou oligarquia? Integração sul-sul ou submissão ao império?
A possibilidade de um novo golpe de roupagem evangélico-bolsonarista, não é delírio. As forças que atentaram contra a democracia em 2016 e 2022 não foram desmobilizadas — ao contrário:
- Seguem articuladas com apoio de setores do Judiciário, do crime organizado, de frações do Exército;
- E, sobretudo, com o suporte de uma base social manipulada por discursos religiosos fundamentalistas.
Se o mundo entrar em guerra aberta, essas forças não hesitarão em impor ao Brasil a adesão forçada ao bloco ocidental:
- Inclusive, usarão a força – se acreditarem ser necessário;
- E farão isso em nome de Deus, da família, da propriedade e da demi-morta “civilização ocidental”.
E o campo progressista? Vai fazer o quê? Vai novamente reagir com uma “carta à democracia”? Vai implorar para que o ministro Alexandre de Moraes “nos salve”?
A depender do caminho que o PT for trilhar — se for como sempre insiste em fazer, conciliando e sempre evitando o confronto real com a oligarquia — o campo popular corre o risco de ser atropelado mais uma vez pela história.
O PT precisa compreender, de uma vez por todas, que está no governo, mas não no poder. As engrenagens do Estado Brasileiro seguem nas mãos dos mesmos de sempre — banqueiros, latifundiários, rentistas, monopólios da mídia, corporações estrangeiras e parte do aparato jurídico-militar:
- Enquanto isso, o governo continua preso à armadilha da “responsabilidade fiscal”, da taxa Selic absurda e da conciliação com o mercado;
- Ou seja, da falta de uma ruptura completa e real com o neoliberalismo.
A questão é que esse regime apodrecido — que governa o país em benefício de poucos há mais de 500 anos — está em colapso. Não restam dúvidas de que ele vai ruir, com ou sem nossa participação. E a pergunta é: estamos preparados para ocupar o vazio e construir algo novo, popular, soberano e democrático?
Se o PT continuar apostando apenas na institucionalidade baseada em alianças com golpistas reciclados, não será ele quem irá liderar a resistência:
- Não se transforma um país com medo de desagradar o capital;
- Não se enfrenta uma guerra com notas de repúdio.
É urgente construir uma nova esquerda combativa, enraizada nas periferias, nos movimentos sociais, nas igrejas progressistas, nos sindicatos, nos assentamentos, nos territórios indígenas, nos quilombos:
- A frente ampla popular tem que ser, necessariamente, antineoliberal e anti-imperialista;
- E precisa ter a capacidade de mobilizar o povo em defesa de um novo projeto nacional.
Lula pode — e deve — ser uma liderança de transição. Mas o futuro será construído por forças que estejam dispostas a enfrentar de verdade os inimigos históricos do Povo Brasileiro.
Não há tempo para ilusões. O Brasil precisa escolher seu caminho. Se não o fizermos, escolherão por nós — como sempre acontece.
A Nova República está com os dias contados e pode se converter em uma república evangélica, autoritária e ainda mais submissa ao capital internacional, caso as forças reacionárias vençam essa disputa histórica — ou pode se transformar em algo melhor, mais justo, soberano e popular, se o povo tomar as rédeas do seu destino.
Mas é preciso ter clareza: não será uma revolução no sentido marxista clássico, conduzida por um partido de vanguarda rumo à tomada do poder e à socialização dos meios de produção.
O que pode acontecer é uma revolução no sentido mais direto e popular do termo — como está no dicionário: uma transformação radical da estrutura vigente, no sentido de um rompimento com o velho para abrir espaço ao novo.
O PT precisa parar de apenas gerir o caos. Precisa liderar uma reforma estrutural real, com coragem política e compromisso com os verdadeiros interesses do povo:
- Mas isso só acontecerá se houver mobilização, organização e disposição para romper com os limites impostos de cima, algo que não virá de cima;
- Virá de baixo, da base, das ruas — da organização coletiva.
Urge, portanto, canalizar a insatisfação do Povo contra as oligarquias que saqueiam e entregam, desde sempre, o Nosso tão Rico e Belo País.
A hora é de transformar a insatisfação popular em força política e Resistência Popular.
Ainda há tempo de fazer isso pela via institucional, mas será preciso criar novas regras para o jogo, capazes de dar forma a um Congresso — com C maiúsculo — que represente o Povo Brasileiro em sua diversidade e em seus legítimos Interesses Nacionais.


