Home Brasil Novo Golpe 1964 à Vista. Por César Fonseca

Novo Golpe 1964 à Vista. Por César Fonseca

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Claro como o sol.

Está em franca evolução as articulações do império trumpista para derrubar Lula e operar mudança de governo.

Trata-se de aparelhar o Centrão e sua conjugação mais efetiva com o bolsonarismo, como aconteceu em 2018.

A direita – os diversos partidos que formam o Centrão- e a ultradireita fascista – o bolsonarismo -, com apoio total do trumpismo, estão adestrados por Washington para dar o golpe.

Os capitalistas americanos, que manipulam o Congresso brasileiro conservador, para operar a desregulamentação neoliberal econômica radical, vão com seus sócios menores no Brasil, vendilhões da pátria, acelerar o processo de derrubada de Lula.

Isso já está acontecendo por meio do semipresidencialismo inconstitucional contra o presidencialismo constitucional.

A fatura que anima os golpistas no Congresso, claro, é o dinheiro das emendas parlamentares no montante de mais de R$ 50 bilhões, contestadas, apenas, aparentemente, pelo Supremo Tribunal Federal, sem medidas efetivas de retaliação legal pelos juízes da suprema corte.

MOBILIZAÇÃO POPULAR, A SAÍDA

O que impediria essa manobra trumpista, com a colaboração dos seus sócios internos, descompromissados com o interesse nacional, seria mobilização popular.

Mas a população, para agir, precisa de decisões populares, pelo governo, para fortalecer políticas distributivas de renda.

Especialmente, faz-se necessária política social com aumento dos salários.

Afinal, se Trump vai barrar exportações brasileiras aos Estados Unidos, quem vai consumir esse excedente exportável no mercado, senão a população brasileira, desde que tenha dinheiro no bolso para consumi-las?

A política salarial distributiva de renda que Lula colocou em prática e que foi destruída pelos golpistas neoliberais precisa ser restituída rapidamente.

Se o excedente interno não exportável não for destruído pelo consumo interno, as empresas, sem consumidor, interno e externo, vão fechar as portas.

Portanto, a alternativa, para combater o desemprego forçado por Trump, é valorizar, novamente, os salários, reajustando-os pela inflação, mais compensação real decorrente do crescimento do PIB nos dois anos anteriores.

Sem esse triunfo popular, que Lula ergueu, no comando do poder, nos seus dois primeiros mandatos, os capitalistas acabam cooptando a classe média e os proletários com discurso populista, sem conteúdo popular progressista.

Os neoliberais destruíram essa regra salarial lulista, que sustentava a demanda interna, e retornaram ao salário correspondente à produtividade marginal neoclássica do século 19, sem complemento algum, o que provoca desemprego voluntário.

Ninguém vai trabalhar com salário dado pela produtividade marginal em que, praticamente, paga se para trabalhar.
Nesse caso, os miseráveis preferem entrar na fila do programa Bolsa Família, recebendo sem sair de casa.

ROMPER COM ARCABOUÇO NEOLIBERAL

As circunstâncias mudaram com o trumpismo protecionista radical, fato evidente que obriga o governo Lula a se adaptar a essas novas circunstâncias impostas pela agressividade neoliberal, para não cair.
Fica, então, cristalino que se o governo quiser evitar o desemprego, provocado pela estratégia golpista, à lá 1964, de Trump, terá que elevar os salários para combater o produto excedente não exportável em decorrência das tarifas trumpistas.
O garrote trumpista, que acelera a destruição das empresas exportadoras e desemprego voluntário, com sucateamento salarial, empurra a economia para um neocolonialismo.

INDUSTRIALIZAÇÃO, ADEUS

Inviabiliza-se, completamente, a industrialização, porque os empresários não continuarão produzindo, no cenário do garrote protecionista trumpista, se não haverá consumidor externo, já que o interno está limitado pela insuficiência dada pelo salário remunerado apenas pela produtividade marginal, sem reajuste real.

Ademais, as empresas que exportam o grosso da produção americana, ligadas, especialmente, aos produtos primários e semielaborados, livre de impostos pela Lei Kandir, poderão migrar para outros países, a fim de fugir da taxação de Trump, sabendo que elas não são brasileiras, mas multinacionais.

Trump já deu a dica para quem quer continuar exportando para os Estados Unidos, sem sofrer tarifas: que levem seus negócios para os Estados Unidos, pois lá não serão taxados.

Ou seja, Trump, com as tarifas, objetiva transportar, da periferia capitalista brasileira, para o capitalismo cêntrico, as empresas americanas ou a elas associadas que, no passado, vieram cá.

Eis o que Trump quer: sucatear o capitalismo periférico.

SUCATEAMENTO PERIFÉRICO

Por isso, se se quer evitar que isso aconteça, tem que ser rompido o arcabouço neoliberal, cuja essência é atacar os salários que teriam o poder de consumirem a produção interna, se fossem valorizados, até o golpe neoliberal de 2016 que veio para destruí-los.

Com o tarifaço trumpista, o governo Lula, portanto, tem que mudar a política econômica: sair do neoliberalismo restritivo que favorece expansão da especulação e encolhimento da produção, para promover o contrário: expansão dos gastos sociais, para fortalecer o mercado interno, e esvaziar a especulação, de modo a reduzir os juros e fortalecer a produção com mais investimentos.

O aumento dos gastos públicos, que significará expansão da oferta de moeda na circulação, como variável econômica independente, promovida pela autoridade monetária, produzirá:

1 – redução dos juros;

2 – elevação relativa dos preços pelo aumento da demanda em relação à oferta;

3 – redução relativa da unidade de salário pelo maior volume de contratação de mão de obra para compensar aumento da oferta frente à demanda, e;

4 – perdão da dívida contratada a prazo, tanto a dívida pública, como a dívida privada.

Dessa forma, pela conjugação automática desses quatro fatores em resposta ao aumento da quantidade da oferta de dinheiro em circulação( que é o que Trump acaba de fazer nos Estados Unidos), rompido o arcabouço fiscal, haverá o aumento da eficiência marginal do capital(lucro), com possibilidade de remuneração maior dos salários para além da produtividade marginal, a fim de aumentar poder de compra dos consumidores.

ABAIXO O TRIPÉ NEOLIBERAL

O trumpismo protecionista impõe a necessidade da mudança do tripé neoliberal, imposto pelo Consenso de Washington, em vigor desde os anos 1990, com FHC.

Do contrário, o aumento do desemprego, por conta da desmontagem do modelo exportador, acelerado, agora, por Trump, para punir aproximação de Lula ao BRICS, levando, de roldão, toda a América Latina a se descolar dos Estados Unidos, juntando-se à China, vai criar o ambiente de aguda crise social.

Lula estará diante do desafio de caminhar à frente do movimento social, para tentar comandá-lo, ou ser engolido por ele, se não mudar os rumos da política econômica neoliberal, agravada com o golpe de estado que representa as medidas tarifárias trumpistas, evidenciando novo movimento de 1964, contra democracia brasileira.

A mobilização popular que Lula está sendo convocado pela história a capitanear não se fará apenas com discurso.

Do contrário novo 1964 vem aí, como programam Trump, bolsonaristas e Centrão.

https://www.brasil247.com/blog/mudanca-de-regime-no-brasil

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