Cadastre-se Grátis

Receba nossos conteúdos e eventos por e-mail.

CRÔNICAS DA REALIDADE METAFÍSICA. Por Josemar Ganho – Grupo Euclidiano

Mais Lidos

CRÔNICAS DA REALIDADE METAFÍSICA
Data: Domingo, 23/11/2025
Título: Abrindo-se ao novo mundo
Autor: Josemar Ganho – Grupo Euclidiano

Contraintuitivo nos parece quando observamos as mudanças em movimento e percebemos o melhor.

Tudo ao nosso redor apresenta um cenário de caos, conflito e desespero, mas nada, absolutamente nada, é um campo inexorável da realidade.

As Leis Herméticas já nos ensinam: “tudo é duplo, tudo tem polos, tudo tem seu oposto; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em graus”.

E ainda: “tudo flui, para fora e para dentro; tudo tem suas marés; tudo sobe e desce”.

O intelectual italiano Antonio Gramsci, extremamente criativo em sua teoria, trata de dois conceitos fundamentais para entender a ordem posta em determinado período histórico: bloco histórico e hegemonia.

O Bloco Histórico, em Gramsci, expressa a articulação orgânica entre a estrutura econômica, as instituições políticas e a cultura/ideologia de uma sociedade.

Esses elementos não existem separados: formam um conjunto coerente que sustenta uma determinada ordem social.

Assim, o bloco histórico combina forças materiais (a economia), formas políticas (o Estado e suas instituições) e visões de mundo (ideologias que organizam o consenso).

Dentro desse quadro, a hegemonia é o modo pelo qual um grupo social, normalmente a classe dominante, constrói e mantém sua liderança intelectual e moral sobre os demais grupos.

Ela não se afirma apenas pela força ou coerção, mas sobretudo pelo consentimento obtido na sociedade civil, por meio de valores, crenças e práticas que parecem naturais e universais.

A hegemonia, portanto, é o elemento que dá coerência e estabilidade ao bloco histórico, permitindo que uma determinada ordem social seja aceita como legítima.

O bloco histórico é a totalidade articulada da vida social, e a hegemonia é o mecanismo central que garante sua manutenção e direção.

Hoje, a civilização vive sob a égide do bloco histórico contemporâneo, visto pela ótica do neoliberalismo, que se caracteriza por uma articulação profunda entre a estrutura econômica globalizada, instituições políticas alinhadas à desregulamentação e uma cultura ideológica que naturaliza a lógica de mercado como forma predominante de organização da vida social.

Desde os anos 1980, e especialmente no século XXI, o neoliberalismo deixou de ser apenas um conjunto de políticas econômicas e se tornou um projeto hegemônico, capaz de moldar comportamentos, subjetividades e expectativas sociais.

Nesse bloco histórico atual, a hegemonia neoliberal se sustenta em três pilares principais.

Bancos internacionais, fundos de investimento, organizações multilaterais (FMI, Banco Mundial) e grandes consultorias tornaram-se centros de poder capazes de influenciar agendas públicas, orientar reformas estruturais e definir os limites do possível na economia.

Essa hegemonia opera tanto pela coerção econômica (como crises de dívida, rebaixamentos de rating e pressões por austeridade) quanto pelo consenso técnico, baseado na ideia de que políticas neoliberais são “inevitáveis”, “racionais” ou “modernizadoras”.

Empresas como Google, Meta, Amazon, Apple e Microsoft também compõem esse núcleo hegemônico porque controlam os meios de produção e circulação de informação, além de acumular dados que orientam comportamentos sociais e econômicos.

Elas não apenas moldam a economia digital, mas influenciam visões de mundo, padrões de consumo, relações de trabalho e até processos democráticos.

Assim, tornam-se agentes centrais na construção de uma cultura que glorifica eficiência, empreendedorismo individual e inovação privada como formas superiores de organização social.

A hegemonia atual se reproduz, ainda, pela difusão de valores como a competição permanente, a meritocracia como explicação central das desigualdades, a responsabilização individual pelos fracassos sociais e a visão da educação, saúde e direitos sociais como “produtos” e “serviços”.

Esses valores, disseminados por meios de comunicação, redes sociais e sistemas educacionais, tornam-se elementos de consentimento ativo, sustentando o bloco histórico sem depender exclusivamente da coerção.

O bloco histórico neoliberal é, portanto, um arranjo em que mercados financeiros, Estados remodelados e plataformas digitais globais funcionam de forma integrada para manter um padrão de dominação baseado no consenso e na legitimação cultural.

A hegemonia não se apoia somente na força econômica dessas instituições, mas sobretudo na capacidade de naturalizar sua visão de mundo, tornando-a o horizonte dominante das expectativas sociais.

Segundo o Princípio da Polaridade, quando um extremo se manifesta, seu oposto também se faz presente; como um pêndulo, quanto maior a força concentrada em um lado, maior o impulso gerado em direção ao outro.

Nesse contexto, novas forças passam a se desenvolver para formar um novo bloco histórico, organizando uma nova estrutura que combina forças materiais (a economia), políticas (o Estado e suas instituições) e visões de mundo (ideologias que organizam o consenso), enfim, amalgamadas por uma nova ideologia, anova onda, que segue outro ritmo.

O que vemos no velho mundo é a agonia do que está morrendo; porém, ainda não temos claro o que está nascendo. Vivemos, portanto, um estado de transição, que depende profundamente das forças conscientes, edificadas em novos valores, valores crísticos, para sua sustentação.

Artigos Relacionados

Glauber Fortalece Pauta De Esquerda No Congresso

Foto Rede 98 Fortalece a democracia e as pautas de esquerda, comprometidas com o desenvolvimentismo tocado pelo presidente Lula com valorização do social relativamente...

Comentários Sobre Conjuntura Internacional, por Marcelo Zero

Essequibo i. Dizer que a questão de Essequibo é uma agenda de Maduro ou do chavismo seria a mesma coisa que afirmar que a questão...

Manifesto Paraíso Brasil

Paraíso Brasil é movimento coletivo, vivencial e de conhecimento. Se refere à experiência de cada pessoa no Brasil, e à coletividade desta experiência. A...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Em Alta!

Colunistas