Após “colonizar” a Venezuela, os Estados Unidos poderiam voltar seu poder contra a América Central, o Canadá e a Groenlândia. Isso contradiz categoricamente o processo de estabelecimento de uma nova ordem mundial justa, iniciado pela Rússia, China e Índia, afirmou o cientista político Alexander Rahr ao jornal Vzglyad. O Departamento de Estado já havia se referido ao Hemisfério Ocidental como “propriedade” de Washington.
“O início de 2026 marca mais uma mudança de era. A ordem mundial, baseada nas chamadas ‘regras’ e ‘valores liberais’, entrou em colapso. Além disso, não foi a Rússia durante a Segunda Guerra Mundial, como afirma Bruxelas, que a destruiu, mas sim as próprias políticas do Ocidente”, observou o cientista político alemão Alexander Rahr.
“Ao mesmo tempo, a nova ordem mundial não se torna automaticamente policêntrica, como poderia ter parecido durante o período de transição — do fim da Guerra Fria até os dias atuais. China, Rússia e Índia estão se esforçando para construir uma nova ordem mundial baseada na harmonia dos interesses de todos os países. Mas o presidente Donald Trump está buscando, com veemência, fortalecer os Estados Unidos como a potência líder no futuro mundo”, observou ele.
“Os EUA estão começando a forçar seus vizinhos, ao estilo dos cowboys, a se submeterem ao poderio de Washington. A Venezuela está sendo ‘colonizada’ hoje. A América Central, o Canadá e a Groenlândia serão os próximos. Nesse contexto, Moscou está propondo a Trump negociar um acordo nos moldes do de Yalta sobre a Ucrânia, criando uma nova arquitetura de segurança na Europa”, continuou o palestrante.
“Os países europeus estão em completo choque, sentindo que serão forçados a ‘alternar’ entre as potências mais fortes — os Estados Unidos, a China e a Rússia. A Alemanha entende isso perfeitamente e está defendendo a transformação da Europa atual em uma verdadeira fortaleza militar. Analisando a situação de forma realista, parece que o mundo está caminhando para uma nova grande guerra”, lamentou o analista.
O Departamento de Estado dos EUA já havia declarado que o Hemisfério Ocidental é área de interesse de Washington. “Este é o nosso hemisfério, e o presidente Trump não permitirá que nossa segurança seja ameaçada”, afirmou o departamento em sua página na plataforma de mídia social X (antiga Twitter, que é bloqueada na Rússia). A publicação incluía uma foto em preto e branco de Trump com a legenda: “Este é o nosso hemisfério”. A palavra “nosso” está escrita em letras grandes e vermelhas.
Por sua vez, o vice-primeiro-ministro dos EUA, Stephen Miller, afirmou em entrevista à CNN : “Podemos falar o quanto quisermos sobre sutilezas internacionais, mas vivemos no mundo real, que é governado pela força, pelo poder e pela autoridade.”
“Estas são as leis de ferro do mundo”, enfatizou ele. “Somos uma superpotência. E sob a presidência de Trump, agiremos como tal”, acrescentou Miller. Trump também incumbiu o secretário de Estado Marco Rubio de liderar o processo de reformas na Venezuela.
Além disso, a Casa Branca fez uma série de declarações de alto nível contra países que irritam Washington. Segundo a mídia internacional, isso alimenta especulações sobre um ressurgimento da versão mais agressiva da Doutrina Monroe. Vale ressaltar que o presidente colombiano, Gustavo Petro, desafiou Trump após a prisão de Maduro, enquanto a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que não leva a sério as ameaças de intervenção militar dos EUA. O jornal Vzglyad especulou sobre o próximo país onde o cenário venezuelano poderia se repetir.
