Original em: https://monitormercantil.com.br/juros-elevados-deixam-industria-praticamente-estagnada/
A queda de 1,2% na produção da indústria nacional, verificada em dezembro de 2025 se comparada ao mês anterior, ratifica a fragilidade do setor, de acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). A queda mensal contribuiu para um quadro praticamente estável da atividade industrial, com crescimento de apenas 0,6%.
A Firjan destaca que, não fosse a alta de 4,9% da indústria extrativa, produtora de commodities e voltada majoritariamente para o setor externo, o resultado seria ainda pior, uma vez que a indústria de transformação registrou recuo de 0,2% no ano passado.
“Mais do que um número isolado, o dado reflete um ano em que o fôlego da produção foi exaurido pela manutenção dos juros em 15%, patamar que não apenas travou novos investimentos, como asfixiou o caixa das empresas através do encarecimento do capital de giro, drenando recursos vitais para a operação das indústrias”, ressalta Jonathas Goulart, economista chefe da federação.
O reflexo disso é nítido na economia brasileira, destaca Goulart, em que o setor produtivo inicia 2026 sob sinal de alerta. A percepção de insegurança entre os empresários industriais, alimentada pela incerteza fiscal e pela volatilidade do cenário internacional, tem inibido a retomada de projetos e reforçado uma postura de cautela.
Para a Firjan, a superação desse cenário de baixo dinamismo exige o enfrentamento estrutural da rigidez do orçamento público, condição essencial para viabilizar uma redução sustentável dos juros. “A federação defende que um Estado mais eficiente é o caminho para destravar investimentos e elevar a competitividade da indústria nacional”, conclui o economista chefe da Firjan.
Recuo
A produção industrial recuou 1,2% na passagem de novembro para dezembro de 2025, acentuando o comportamento predominantemente negativo observado desde setembro de 2025, período em que acumulou uma perda de 1,9%. Esta foi a queda mais intensa desde julho de 2024 (-1,5%). Em relação a dezembro do ano anterior, a indústria avançou 0,4%, interrompendo dois meses consecutivos de taxas negativas: novembro (-1,4%) e outubro de 2025 (-0,5%). A média móvel trimestral em dezembro foi de -0,5%. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta terça-feira pelo IBGE.
Em 2025, a indústria acumulou crescimento de 0,6%, terceiro ano seguido de alta, após registrar 3,1% em 2024 e 0,1% em 2023. Com o resultado de dezembro, a produção industrial se encontra 0,6% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020); mas ainda está 16,3% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.


