

‘Milagre verde’: Fazenda Florestal Mecânica de Saihanba, na China, cuja cobertura florestal aumentou de 11,4% para 82% | Crédito: CGTN

Ao longo dos anos, Zhongwei construiu um cinturão verde de 153 quilômetros na borda do deserto, recuperando cerca de 146 mil hectares de terras degradadas. Para 2026, a meta é expandir esse processo para mais 30 mil hectares, fortalecendo a proteção ambiental, reduzindo a erosão, preservando o Rio Amarelo, garantindo segurança hídrica e alimentar para milhões de pessoas e diminuindo o impacto de tempestades de areia.
Programa Três-Norte de Barreiras Verdes: estratégia nacional contra a desertificação
Essas ações integram políticas nacionais mais amplas, como o Programa Três-Norte de Barreiras Verdes, que foi iniciado em 1978 e é considerado o maior projeto de reflorestamento do mundo, com mais de 66 bilhões de árvores plantadas em 13 províncias do norte, nordeste e noroeste da China. Conhecida como a “Grande Muralha Verde” da China, é uma iniciativa colossal iniciada em 1978 para combater a desertificação no norte do país. Visando ser concluído até 2050, o projeto planta barreiras de árvores e vegetação para reter areia, reduzir tempestades e recuperar ecossistemas, aumentando a cobertura florestal de 12% para mais de 23%.
O impacto social é igualmente relevante. O programa emprega e capacita milhares de pessoas, envolve escolas, universidades e ONGs em atividades de plantio, manutenção e monitoramento, promovendo educação ambiental, mobilização comunitária e consciência sobre sustentabilidade. Agricultores locais recebem treinamento em manejo sustentável do solo e reflorestamento, gerando emprego e renda adicional para as comunidades rurais.
A integração de tecnologias avançadas, como drones autônomos, sensores de umidade e modelos de inteligência artificial, permite monitoramento em tempo real, planejamento estratégico e previsão de áreas críticas, garantindo resultados sustentáveis e eficientes.
Liderança internacional e cooperação
Globalmente, a desertificação afeta cerca de 40% das terras do planeta, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Desde que aderiu à Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação em 1994, a China compartilha experiência, tecnologia e especialistas com países africanos e da Ásia Central, fortalecendo a cooperação Sul-Sul. Seus projetos são referência internacional em fóruns da ONU e da FAO, mostrando que é possível combinar mobilização social, conhecimento tradicional e tecnologia avançada para enfrentar um dos principais desafios ambientais do século 21.
Além disso, as ações chinesas contribuem para mitigar as mudanças climáticas, absorvendo CO₂ e reduzindo a intensidade de tempestades de areia. A combinação de tradição, inovação tecnológica, participação comunitária e políticas públicas colocou a China como líder mundial na luta contra a desertificação, promovendo desenvolvimento sustentável, segurança alimentar, adaptação climática e preservação da biodiversidade.