Com 66 bilhões de árvores plantadas, China lidera luta mundial contra desertificação. Por Brasil de Fato

Em abril, 2 mil pessoas plantaram áreas verdes no deserto de Tengger, em ação coordenada entre Estado e sociedade civil

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Vista da Fazenda Florestal Mecânica de Saihanba, localizada em Chengde, província de Hebei, China. No século passado, Saihanba era uma terra completamente desertificada. Com os esforços de três gerações, sua cobertura florestal aumentou de 11,4% para 82%, um feito conhecido como um "milagre verde" que transformou um terreno baldio em um oásis.‘Milagre verde’: Fazenda Florestal Mecânica de Saihanba, na China, cuja cobertura florestal aumentou de 11,4% para 82% | Crédito: CGTN

A China intensificou seus esforços para combater a desertificação, fenômeno que já afeta cerca de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, ou 27% do território nacional, impactando diretamente a vida de aproximadamente 400 milhões de pessoas. Nas últimas décadas, o país conseguiu reverter a expansão dessas áreas degradadas, transformando o controle da degradação do solo em uma política de Estado com resultados concretos.
No deserto de Tengger, o quarto maior da China, que cobre cerca de 44 mil quilômetros quadrados nas províncias de Ningxia, Gansu e Mongólia Interior, dunas móveis já ameaçaram cidades, estradas e áreas agrícolas. No início de abril, na cidade de Zhongwei, província autônoma Hui de Ningxia, cerca de 2 mil pessoas participaram da instalação de quadrículas de palha, técnica tradicional que fixa a areia e permite o crescimento de vegetação resistente. A ação contou com drones, sensores de solo e monitoramento por satélite, otimizando o planejamento e acompanhamento do terreno.

Ao longo dos anos, Zhongwei construiu um cinturão verde de 153 quilômetros na borda do deserto, recuperando cerca de 146 mil hectares de terras degradadas. Para 2026, a meta é expandir esse processo para mais 30 mil hectares, fortalecendo a proteção ambiental, reduzindo a erosão, preservando o Rio Amarelo, garantindo segurança hídrica e alimentar para milhões de pessoas e diminuindo o impacto de tempestades de areia.

Programa Três-Norte de Barreiras Verdes: estratégia nacional contra a desertificação

Essas ações integram políticas nacionais mais amplas, como o Programa Três-Norte de Barreiras Verdes, que foi iniciado em 1978 e é considerado o maior projeto de reflorestamento do mundo, com mais de 66 bilhões de árvores plantadas em 13 províncias do norte, nordeste e noroeste da China. Conhecida como a “Grande Muralha Verde” da China, é uma iniciativa colossal iniciada em 1978 para combater a desertificação no norte do país. Visando ser concluído até 2050, o projeto planta barreiras de árvores e vegetação para reter areia, reduzir tempestades e recuperar ecossistemas, aumentando a cobertura florestal de 12% para mais de 23%.

O programa utiliza espécies nativas resistentes à seca, como TamarixPopulus e Caragana korshinskii, além de arbustos e gramíneas adaptadas, gerando múltiplos benefícios: fixação da areia, aumento da retenção de água no solo, redução da sedimentação no Rio Amarelo, criação de corredores ecológicos contínuos, absorção de milhões de toneladas de CO₂ por ano, proteção de espécies nativas e redução das tempestades de areia que afetam o norte da China, incluindo Pequim. O projeto visa cobrir mais de 4,5 mil quilômetros, utilizando dados de satélite e novas estratégias de restauração de pastagens para aumentar a sustentabilidade, não apenas plantando árvores, mas recuperando ecossistemas.
O reflorestamento fortalece a biodiversidade, cria micro-habitats para fauna local, melhora a fertilidade do solo e protege áreas agrícolas e pastagens. Além disso, ajuda a reduzir ventos fortes, tempestades de areia e os efeitos de secas prolongadas, aumentando a resiliência climática da região.

O impacto social é igualmente relevante. O programa emprega e capacita milhares de pessoas, envolve escolas, universidades e ONGs em atividades de plantio, manutenção e monitoramento, promovendo educação ambiental, mobilização comunitária e consciência sobre sustentabilidade. Agricultores locais recebem treinamento em manejo sustentável do solo e reflorestamento, gerando emprego e renda adicional para as comunidades rurais.

A integração de tecnologias avançadas, como drones autônomos, sensores de umidade e modelos de inteligência artificial, permite monitoramento em tempo real, planejamento estratégico e previsão de áreas críticas, garantindo resultados sustentáveis e eficientes.

Liderança internacional e cooperação

Globalmente, a desertificação afeta cerca de 40% das terras do planeta, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Desde que aderiu à Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação em 1994, a China compartilha experiência, tecnologia e especialistas com países africanos e da Ásia Central, fortalecendo a cooperação Sul-Sul. Seus projetos são referência internacional em fóruns da ONU e da FAO, mostrando que é possível combinar mobilização social, conhecimento tradicional e tecnologia avançada para enfrentar um dos principais desafios ambientais do século 21.

Além disso, as ações chinesas contribuem para mitigar as mudanças climáticas, absorvendo CO₂ e reduzindo a intensidade de tempestades de areia. A combinação de tradição, inovação tecnológica, participação comunitária e políticas públicas colocou a China como líder mundial na luta contra a desertificação, promovendo desenvolvimento sustentável, segurança alimentar, adaptação climática e preservação da biodiversidade.

Editado por: Rafaella Coury

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