
Original em: https://share.google/cr7TWeXyhGorvBRYE
O avanço do Pix para fora do Brasil deixou de ser tendência e já começa a gerar reação internacional. O sistema de pagamentos instantâneo criado pelo Banco Central brasileiro inspira ao menos 17 países e levanta preocupações nos Estados Unidos sobre perda de influência no sistema financeiro global.
Segundo o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ao menos 17 países já adotam sistemas similares ao Pix.
Países da América Latina e Europa observam modelo brasileiro
O interesse internacional pelo Pix não é novo, mas ganhou força nos últimos anos. Desde 2025, o sistema brasileiro passou a ser monitorado por outras nações, inclusive europeias como a França.
Na América Latina, o movimento é ainda mais evidente. De acordo com o escritório Pinheiro Neto Advogados, países como Peru, Argentina e Colômbia demonstram interesse direto no modelo.
A Colômbia, por exemplo, lançou em setembro o sistema Bre-B, inspirado no Pix.
Além disso, a fintech brasileira Dock, licenciada para operar a infraestrutura colombiana, participa de projetos semelhantes em países como Chile, Equador e Peru, ampliando a presença indireta do modelo brasileiro no exterior.
Pix fortalece soberania e reduz dependência de empresas globais
Especialistas apontam que o impacto do Pix vai além da tecnologia. Ele altera a estrutura de poder no sistema financeiro.
Segundo Caio Zarino Jorge Alves e Wagner Nabarro, doutores em Geografia pela USP, o modelo brasileiro fortalece soberania, eficiência e inclusão financeira ao permitir transações sem tarifas e sob controle estatal.
“O advento do Pix representa uma iniciativa fundamental em termos de soberania nacional alinhada às variáveis-chave do período atual (finança e informação). Conforme destacamos, as transações Pix são encargo do Estado brasileiro, que tem sobre elas controle e regulação, de modo que não estão vulneráveis à ação direta de corporações transnacionais e/ou de Estados estrangeiros, que têm mobilizado com frequência os instrumentos financeiros em suas batalhas”.
Os pesquisadores defendem que o Pix representa uma resposta do Brasil à dominância de grandes empresas globais no setor de pagamentos.
“As dimensões da soberania, da eficiência e inclusão e da difusão e capilaridade do Pix no território brasileiro explicitam o reforço à posição de liderança do país no segmento das tecnologias informacionais bancárias e financeiras”.
Os argumentos estão no artigo “A construção de soberania em tempos de finança plataformizada”, publicado no Le Monde Diplomatique Brasil.
EUA reagem e citam Pix como preocupação em relatório oficial
O avanço do Pix já provocou reação formal dos Estados Unidos.
No relatório de estimativa do comércio nacional de 2026 sobre barreiras ao comércio exterior, o governo norte-americano mencionou diretamente o sistema brasileiro, algo que não havia ocorrido em 2025.
Segundo o documento, partes interessadas dos EUA demonstraram preocupação com o que consideram tratamento preferencial do Banco Central ao Pix, o que poderia prejudicar empresas americanas de pagamentos eletrônicos.
A reação brasileira veio dois dias depois da publicação do relatório, feita em 31 de março. Durante evento em Salvador (BA) em 2 de abril, o presidente Lula disse:
“Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando a sociedade brasileira”.
Pix movimenta trilhões e consolida liderança no Brasil
Enquanto avança globalmente, o Pix também amplia sua presença no mercado interno.
Lançado pelo Banco Central, o sistema reúne diversas funcionalidades:
- Pix automático
- Pix cobrança
- Pix por aproximação
- Pix agendado
- Pix saque e troco
Em março de 2026, segundo dados oficiais do Banco Central, o sistema registrou mais de 6,7 bilhões de transações.
No mesmo período, o volume movimentado ultrapassou R$ 3 trilhões, consolidando o Pix como principal meio de pagamento do país.

