Original em: https://x.com/i/status/2047732922241679551
Entre as muitas faces da crise econômica do Brasil, uma das mais problemáticas é o desinteresse dos jovens pela Engenharia. Sem Engenharia, não existe progresso. O déficit atual de engenheiros e engenheiras no País é de 75 mil, com apenas cerca de 50 mil formandos por ano nas diversas áreas da Engenharia. Apenas cerca de 20% dos profissionais são mulheres, revelando um grande subaproveitamento de talentos. Entre 2015 e 2024, registramos uma queda de cerca de 30% nas matrículas em cursos de Engenharia, e a evasão é altíssima, estimada em 65%. Vinicius Marquese, presidente do Confia, disse ao Valor Econômico: “Se essa tendência se mantiver até 2030, o país poderá enfrentar um déficit de até 1 milhão de engenheiros”. Nossa desindustrialização precoce e acelerada cobra um preço alto. Não conseguimos mais oferecer bons empregos aos jovens engenheiros. Além disso, o investimento historicamente baixo em infraestrutura ajuda a piorar esse quadro. Muita restrição fiscal, muita dificuldade de licenciamento, muita interferência política: a receita para o baixo investimento em infraestrutura. Enquanto isso, na China desenvolvimentista a Engenharia é uma credencial de poder. O país é liderado por engenheiros há décadas. Xi Jinping, Jiang Zemin e Hu Jintao eram engenheiros. Mais de 600 membros do Congresso chinês são engenheiros. Reflexo de um país que prioriza seu desenvolvimento, levando a sério sua infraestrutura, ciência, tecnologia e inovação. Na China, o nível de investimento público e privado em infraestrutura e indústrias é o maior do mundo. O Brasil já viveu situação semelhante. Sabemos fazer, o que nos falta hoje é um projeto de país. Vamos recuperar o valor da engenharia nacional destravando os investimentos públicos e privados em óleo e gás, nas tecnologias para mineração, na cadeia de fertilizantes, em energia e infraestrutura de transporte e logística. A crise da engenharia é sintoma de um mal maior. O Brasil precisa acordar antes que seja tarde!