Defesa da língua e da identidade. Por Professor Bento Jorge, Portugal

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As línguas perfazem e guardam a identidade dos povos, dão forma e voz à intimidade. A partitura da nossa é preenchida com as notas mais expressivas da ductilidade e nostalgia. Fez-se e continua a ser feita assim pelos seus falantes nos diversos cantos do mundo.

Somos poetas da viagem, errância, diáspora, peregrinação e miscigenação, marinheiros, romeiros e universais por vocação e paixão. A guitarra, o cavaquinho e o violão põem os dobres da alma nos dedos da mão.

Eis a gratificante obrigação: cantar em fados, sambas, chorinhos, mornas, coladeiras, sembas, quizombas, marrabentas e mandós as doridas e fundas ansiedades da humana condição.

O idioma de Camões, Pessoa, Drummond de Andrade, Ariano Suassuna, Baltasar Lopes, Germano Almeida, Abdulai Silá, Odete Semedo, Alda Espírito Santo, Pepetela, Ondjaki, Craveirinha, Paulina Chiziane, Alberto de Noronha, Luís Cardoso de Noronha, Henrique de Senna Fernandes e José dos Santos Ferreira (Adé) tem no código genético a saudade.

Esta é a Pátria, espalhada num mapa de palavras que nos prendem às pessoas e aos lugares onde elas ecoam.

A língua criou uma comunidade; é imperioso defendê-la da voracidade dos seus inimigos, de fora e dentro de portas.

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