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No frigir dos ovos, ideologia decidirá reeleição, para além dos casos de corrupção em cena, que têm, apenas, valor relativo, não absoluto, decisivo.
O escândalo Master-Vorcaro-Congresso terá capacidade de derrotar o bolsonarismo encabeçado pelo senador Fábio Bolsonaro(PL-RJ), da direita radical fascista anti-distributivista de renda, aliada a uma parte da direita tradicional, que somam cerca de 25% a 30% dos votos, em disputa com a esquerda + outra parte da direita, resistente à ultradireita, que, também, soma 30% dos votos?
Disputa ideológica acirradíssima.
Em entrevista imperdível, o cientista político Marcos Nobre, da Universidade de Campinas, coloca em dúvida essa possibilidade; para ele, até outubro, quando haverá eleição presidencial, há tempo suficiente para que Flávio recupere o prejuízo, exposto na pesquisa Datafolha, em que Lula, com 47% dos votos, distancia-se do bolsonarista radical, com 42%.
Pode aumentar essa diferença em favor de Lula(esquerda + parte da direita resistente à ultradireita bolsonarista) x Flávio(ultradireita fascista + outra parte da direita tradicional cooptada pelo fascismo, como aconteceu em 2018)?
Pode, desde que sejam expostos mais escândalos, como o vazamento dos financiamentos relacionados ao filme Horse Dark, acrescido de outros complementos igualmente escandalosos, que estariam por vir, segundo expectativas generalizadas, dado o embricamento de fatores acumulativos ainda por serem registrados.
Aí, seria, realmente, o caos para o fascista Flávio Bolsonaro.
Porém, se ficarem as coisas como estão, no estágio atual, sem maiores exposições escandalosas comprometedoras, o resultado tende a ser o equilíbrio entre as partes em disputa: redistributivistas da renda x anti-redistributivistas concentracionistas da renda nacional.
Enfim, Lula x Flávio.
É o que desenha Marlos Nobre, deixando claro a impossibilidade de uma terceira via alternativa à divisão – negação da polaridade – ideológica em cena, que comporta, na sua opinião, apenas duas partes em disputa.
ISOLAR DIREITA DA ULTRADIREITA MOBILIAÇÃO DAS MASSAS, FATOR DESEQUILIBRANTE
Como Lula, representante da corrente redistributivista da renda nacional, poderia alcançar a vitória, se, no momento, sua força se mostra equivalente à de Flávio, representante da corrente anti-redistributivista?
Isso somente poderá acontecer, diz ele, se a corrente distributivista, encabeçada por Lula, for capaz de isolar a direita radical fascista bolsonarista da direita tradicional que cooptou para as hostes do bolsonarismo fascista.
Será fundamental, para que isso aconteça, segundo Nobre, se Lula apresentar programa de governo capaz de mobilizar as massas, forçando outra correlação de forças de modo a apartar parte da direita tradicional da direitta ultrarradical fascista.
Qual a receita de Lula e seus aliados para que isso se materialize e se transforme em vitória eleitoral, para consagrar quarto mandato lulista?
Somente o aprofundamento – confronto – da redistribuição da renda(força democrática) x a anti-redistribuição anti-democrática, abraçada pelos fascistas.
Em síntese, tudo se resume na divisão ideológica, que se aprofunda em torno da distribuição da renda nacional: democracia x fascismo.
Ou como dizia o cineasta Glauber Rocha, pai do Cinema Novo: a luta política é, fundamentalmente, luta ideológica – o resto, como o estouro do escândalo Master-Vorcaro, é complemento, que não tem a força suficiente para superar a divisão ideológica profunda entre esquerda(distribuição da renda) versus direita(anti-distribuição da mesma).
Eis a eterna contradição trabalho x capital, a base essencial do desenvolvimento do capitalismo no seu processo de acumulação permanente de capital por meio da extração de mais-valia dos assalariados, no modo de produção burguês.

