Tarifaço Trumpista empurra Lula contra arcabouço fiscal neoliberal. Por César Fonseca

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Foto Agência Brasil
O presidente Lula está diante do desafio de alterar a política econômica para enfrentar o tarifaço trumpista de 25% sobre as exportações brasileiras.
A oferta interna de produtos nacionais, com a redução da demanda do mercado americano, tente a aumentar, o que requererá fortalecimento do mercado doméstico, com aumento dos salários, para consumi-la.
Esse movimento produz pressão sobre o arcabouço fiscal que prevê, para 2026, superavit primário de 0,25% do PIB, para atender pressão do mercado financeiro em favor de inflação de 3%, conforme política monetária restritiva em vigor, de modo a garantir juros altos aos rentistas.
A pressão fiscal, sob vigência do tarifaço trumpista, dificulta cumprimento da meta inflacionária super-restritiva, elevando demanda monetarista por cortes de gastos sociais, no momento em que começa a campanha eleitoral.
ATAQUE IMPERIALISTA
Efetivamente, o tarifaço trumpista representa ataque americano à política econômica, que teria de ser alterada para compensar queda das exportações por compensação efetiva no plano interno.
Os empresários, que deixarão de exportar seus produtos precisarão, no curtíssimo prazo, desovar estoques no mercado interno, ou suspender a produção, elevando taxa de desemprego.
Em ano eleitoral, a alternativa política é garantir o desenvolvimento, que requer aumento do consumo como alternativa, para evitar estrangulamento da oferta.
A pressão interna, com o aumento da oferta que deixa de ser exportada, caso não haja imediata substituição do consumo internacional, leva o governo a cogitar supressão da restrição fiscal.
A oferta monetária precisaria ser aumentada, para dinamizar a economia, sob freio do ajuste fiscal, que visa inflação irrealista de 3%.
Nesse sentido, o governo, diante da pressão protecionista trumpista, não pode ficar, apenas, no discurso de que o tarifaço é injusto e descabido, porque ele vai se revelando arma comercial americana que joga a economia nacional no sufoco.
FLEXIBILIZAÇÃO MONETÁRIA
A alternativa, que já é discutida, internamente, há tempos, será buscar mudança na política econômica por meio da flexibilização monetária.
Os ministérios da Fazenda e do Planejamento, junto com o Banco Central, que formam Conselho Monetário Nacional, serão forçados pelas novas circunstâncias, a alterar o tripé neoliberal, em vigor desde o Consenso de Washington, nos anos de 1990.
Meta inflacionária ultra-restritiva(3% ao ano), câmbio flutuante e superavit primário, que, em 2026, está previsto para ser de 0,25% do PIB, obriga o governo a intensificar cortes nas áreas sociais.
É a pressão do mercado para sustentar taxas de juros escorchantes, freando o desenvolvimento econômico sustentável, como força o mercado financeiro.
Em tal contexto de financeirização especulativa, piora, relativamente, a condução da política econômica.
CENÁRIO DE GUERRA
Destaque-se que os efeitos nocivos do tarifaço – que elevam as preocupações dos dirigentes empresariais nos 27 estados da Federação – se misturam com as incertezas decorrentes da retomada da guerra no Oriente Médio, que eleva ainda mais os preços dos combustíveis.
O governo, que, no cenário do conflito, está sendo obrigado a sustentar subsídios que elevam os gastos e pressionam a inflação como decorrência natural, alimentava esperança com o cessar-fogo varias vezes anunciado e varias vezes rompido por Trump.
Tudo ficou ainda mais incerto diante da decisão trumpista de intensificar a guerra, o que levou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a afastar possibilidade de suspensão dos subsídios, dado aprofundamento da crise no Oriente Médio.
ATAQUE POLÍTICO IMPERIALISTA
As declarações do vice-presidente Geraldo Alckimin de que o tarifaço é injusto e descabido em relação ao Brasil, que sustenta déficit comercial de cerca de 450 bilhões de dólares na relação com os Estados Unidos, evidencia o óbvio: o governo Lula, em ano eleitoral, está sob ataque do imperialismo americano.
As advertências do governo Trump de que não adiantará apelar para a lei brasileira de reciprocidade, porque, senão, os Estados Unidos aumentarão a dose de pressão sobre o Brasil, não deixam dúvida quanto ao caráter político eleitoral por meio do qual Trump passa a tratar o governo Lula.
Derrotar Lula na batalha eleitoral, para favorecer o seu aliado senador Flávio Bolsonaro, vira, com o tarifaço, prioridade do chefe da Casa Branca, na linha de ação que adota nas eleições presidenciais de países sul-americanos, como Colômbia, Argentina, Bolívia, Perú, Chile, Equador, bem como o Brasil, a joia da coroa na América do Sul.
Nesse contexto, em que o tarifaço representa retaliação imperialista contra o governo Lula, a alternativa do presidente brasileiro, sob pressão do império, não é outra senão mudar a orientação da política econômica: Trump, efetivamente, empurra o titular do Planalto contra o arcabouço fiscal, montado sob pressão da financeirização econômica especulativa, que sustenta juros elevados, impedindo a sustentabilidade econômica.

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