Uma nação só é verdadeiramente soberana quando possui a capacidade de construir o próprio destino.
Isso significa dominar conhecimento, energia, indústria e tecnologia, transformando suas riquezas em desenvolvimento e bem-estar para seu povo. Foi assim que grandes nações se desenvolveram.
Essa não é uma ideia nova nem desconectada da história brasileira. Ao longo de diferentes épocas, encontramos pessoas que compreenderam que a independência política precisava ser acompanhada de capacidade econômica, científica e tecnológica.
José Bonifácio de Andrada e Silva imaginou um Brasil integrado, independente e capaz de construir seu próprio futuro. Dom Pedro II compreendeu o papel da ciência, da educação e do conhecimento na modernização do país. Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, transformou essa visão em iniciativa empresarial, construindo ferrovias, estaleiros, navegação e infraestrutura e demonstrando que o Brasil poderia desenvolver um capitalismo produtivo e moderno.
Joaquim Nabuco acrescentou uma dimensão essencial a esse projeto: não existe desenvolvimento nacional completo sem liberdade, cidadania e dignidade.
E, no sertão nordestino, Delmiro Gouveia mostrou que os recursos naturais poderiam ser transformados em energia e capacidade industrial, antecipando uma visão de desenvolvimento que marcaria a história energética do Nordeste.
Mas foi com Getúlio Vargas que essa concepção ganhou escala de Estado. Siderurgia, mineração, petróleo e energia passaram a ser tratados como setores estratégicos para a construção de uma base industrial própria.
Décadas depois, João Augusto Conrado do Amaral Gurgel provou que o Brasil poderia desenvolver sua própria engenharia automotiva. Na ciência agrícola, Johanna Döbereiner e Mariangela Hungria demonstraram, em diferentes épocas e por caminhos distintos, como o conhecimento produzido no país poderia transformar nossa agricultura, elevar sua produtividade e reduzir dependências externas.
Ozires Silva, por sua vez, levou essa ambição à alta tecnologia, ajudando a construir uma indústria aeronáutica brasileira capaz de competir entre as melhores do mundo.
Ou seja, nos deram exemplos do quanto o Brasil é capaz e de que não faz sentido aceitar como destino permanente do país, o papel de exportador de matérias-primas e consumidor de produtos e tecnologias desenvolvidos por outros.
O Brasil possui petróleo, gás, minerais estratégicos, biodiversidade, água, energia, território, um enorme mercado consumidor, universidades, cientistas, engenheiros e trabalhadores qualificados.
O desafio é transformar riqueza em conhecimento, conhecimento em tecnologia e tecnologia em indústria:
- Não basta exportar minério — precisamos dominar as tecnologias que agregam valor;
- Não basta produzir petróleo — precisamos desenvolver toda a sua cadeia industrial;
- Não basta possuir uma das maiores biodiversidades do planeta — precisamos transformá-la em ciência, medicamentos e biotecnologia;
- Não basta produzir alimentos — precisamos dominar as máquinas, equipamentos e tecnologias que tornam essa produção cada vez mais sofisticada.
É possível integrar-se ao mundo, cooperar e comerciar sem perder a capacidade de disputar mercados e, sobretudo, sem abrir mão da capacidade de decidir os próprios caminhos.
E a melhor homenagem a José Bonifácio, Dom Pedro II, Mauá, Nabuco, Delmiro Gouveia, Vargas, Mariangela, Johanna, Gurgel e Ozires Silva não é apenas preservar seus nomes na história.
É recuperar a coragem que os moveu: a coragem de acreditar que o Brasil é capaz.
Para isso, precisamos voltar a investir em ciência, educação, engenharia, infraestrutura, indústria e inovação, articulando um projeto nacional de longo prazo e políticas de Estado para os setores estratégicos.
É assim que se constrói soberania. E é essa capacidade que precisamos resgatar.
Soberania não é discurso. É capacidade:
- Capacidade de produzir;
- Capacidade de inovar;
- Capacidade de decidir;
- Capacidade de defender nossos interesses;
- E, sobretudo, capacidade de construir o próprio futuro.
O Brasil tem recursos, talentos e história.
O que precisamos é transformar essa capacidade em vontade nacional — e essa vontade em um verdadeiro Projeto de Nação.


